Há duas semanas atrás testei aqui a paciência dos que se propõem à leitura semanal destas linhas com uma ficção futurista sobre a hipotética aventura de um pesquisador ao investigar o passado de uma determinada cidade imaginária. Na oportunidade, adotei uma premissa arriscada, segundo a opinião de muitos que entendem de mídia: a permanência dos jornais como veículos de comunicação influentes nas sociedades humanas daqui a cinquenta anos. O assunto dá um bom debate.Nesta breve provocação, nossa intenção é questionar os trunfos destes periódicos para manter seu charme e relevância enquanto mídia que pretensamente “forma opinião”. Eis aí um mito ou um fato? Até que ponto, e até quando os matutinos cumprem e cumprirão – ou cumpriram – este papel?
Questiono tudo isso sem deixar de ter na perspectiva a imprensa local. Campos, como todos sabem, é uma das cidades médias brasileiras onde a imprensa escrita tem mais tradição. Sou leitor assíduo desta mídia há quase 30 anos – comecei a ler jornal bem cedo! O título deste artigo cita um jingle deste jornal, anúncio de rádio do fim da década de 70. Jamais o esqueci, nem deixei de ler a Folha e outros jornais locais ao longo de todos esses anos – onde, se não me falha a memória, chegou a haver momento com cinco periódicos em circulação concomitante nesta cidade. Qual será a relação de meus filhos, que hoje já manuseiam estes jornais – onde a pequena Fabiana já identifica algumas palavras – com eles ao longo dos próximos anos?
Não dá pra desconsiderar que o computador – e os lap tops de brinquedo – exercem sobre os petizes mais encanto que os jornais, aos quais, entretanto, insisto em aproximá-los. Qual serão a estratégia e a linha editorial capazes de manter, em breve, adolescentes críticos entre os leitores e assinantes dos jornais?
Campos é hoje uma cidade média com perspectivas de crescimento: pólo universitário, orçamento público robusto – graças á receita dos royalties do petróleo – e referência numa região que tende a crescer ainda mais, graças à própria economia do petróleo e a mega empreendimentos que aportam por aqui. A tendência é que uma mentalidade cosmopolita substitua traços de provincianismo e outras características conservadoras da sociedade local. Modernização do discurso e coexistência respeitosa com outras mídias ágeis e dinâmicas com forte apelo junto aos tradicionais leitores de jornal parecem bons caminhos para o sucesso dos periódicos que sobreviverem às próximas décadas junto às futuras gerações.
Artigo publicado na edição de hoje da Folha da Manhã.
Parabéns! Texto muito bom! Gostoso de ler.
ResponderExcluirNão vou falar mais para não impedir que outros venham, pois seria um desperdício não lerdm sua postagem.
Que Jesus o abençoe como também a sua família.
Rosângela
Esse artigo, Fabinho, lhe assegura um bom lugar na próxima edição da Feijoada da Folha. Não dá para atribuir credibilidade e qualidade a uma imprensa que sempre viveu as custas dos governos que se alternaram e/ou se perpetuaram, emitindo uma opinião amoldada a isso.
ResponderExcluir"(...)
ResponderExcluirModernização do discurso e coexistência respeitosa com outras mídias ágeis e dinâmicas com forte apelo junto aos tradicionais leitores de jornal parecem bons caminhos para o sucesso dos periódicos que sobreviverem às próximas décadas junto às futuras gerações."
Resumindo, a partir de suas próprias e sábias palavras, só há um lugar para esse ex-jornal(aquele o qual não devemos nominar): o lixo da História...