sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Sindical 2

DO SÍTIO DO SEPE/RJ:

Vitória: mais de 1 mil profissionais na ALERJ garantem o adiamento da votação do projeto


Em assembléia realizada nessa quarta, dia 26, logo após a audiência pública na ALERJ, cerca de mil profissionais da educação do estado decidiram decretar “estado de greve” na rede. A assembléia decidiu também realizar uma paralisação de 24 horas na próxima quarta-feira, dia 2 de setembro, quando ocorrerá uma segunda audiência pública para discutir o Projeto Lei 2474, que acaba com os 12% entre os níveis do nosso plano de carreira e incorpora somente em seis anos a gratificação do Nova Escola. Logo após a audiência pública, ocorrerá assembléia nas escadarias da ALERJ.
O Sepe, acompanhou a audiência pública do dia 26, juntamente com a UPPES, que discutiu o projeto, tendo denunciado todas os ataques contra a categoria contidos no texto do PL 2474. Os secretários de Planejamento, Sergio Ruy, e da Educação, Teresa Porto, foram à audiência, tendo sido muito criticados pelos representantes do Sepe e pela maioria dos deputados presentes. Logo após a assembléia, houve uma passeata até a Secretaria de Planejamento (SEPLAG).
A presença de centenas de profissionais na ALERJ garantiu o adiamento da votação do projeto. Com a pressão, o líder do governador na Assembléia Legislativa, deputado Paulo Mello (PMDB), e o presidente da Comissão de Educação da ALERJ, Comte Bittencourt (PPS), assumiram publicamente que o projeto não será votado antes da audiência pública do dia 2 de setembro.
A categoria exige que seja retirada do PL 2472 a diminuição dos 12%; exige que a incorporação da gratificação seja feita de forma imediata, como o governador se comprometeu ainda na eleição há dois anos; e a inclusão dos profissionais de 40 horas e funcionários administrativos ao plano. O que o governo quer com a incorporação da gratificação em longas parcelas é investir menos do que investe atualmente na Educação – investimento atual que já é bem menor do que permite a lei, como denunciou os últimos boletins do sindicato.
Um estudo do Sepe concluiu que um professor que está se aposentando hoje, no nível 9, recebe 2,5 salários mínimos. Com a incorporação total da gratificação somente daqui a seis anos e a redução pra 7,5% entre os níveis, como propõe o PL, em outubro de 2015, o mesmo profissional no nível 9 receberá 1,9 salário mínimo – veja a tabela com esses dados na página 4. Ou seja, se o PL 2474 for aprovado da forma como está hoje, ocorrerá uma queda de 58% no salário de um professor nível 9 em 2015.
Além disso, diversos segmentos ficaram de fora do PL, como os professores de 40 horas, animadores culturais e funcionários administrativos, demonstrando que o governo realmente nada acena para esses segmentos. Os aposentados também estão se organizando e compareceram em peso na vigília hoje na ALERJ. Em resumo, o PL não traz nenhum ganho para a categoria, apenas perdas. Pior, daqui a seis anos, com a mudança do nível para 7,5%, a situação salarial vai piorar, como comprova o estudo do Sepe.
Atenção profissional de educação: o estado de greve abre espaço para a direção do Sepe convocar uma greve a qualquer momento em defesa do plano. Estaremos atentos, caso os deputados descumpram a palavra e votem o projeto antes de quarta-feira ou até mesmo nesse dia, logo após a audiência, o PL 2474.

Assim, para nos prepararmos melhor, foi organizado o seguinte calendário:

27 e 28 de agosto: reuniões nas escolas;

31 de agosto e 1º de setembro: assembléias dos núcleos e regionais (capital) para discutir a melhor forma de mobilização e preparar a paralisação do dia 2 de setembro e a ida à ALERJ;

2 de setembro (quarta-feira): audiência pública a partir das 10h, com assembléia da rede logo após, nas escadarias da ALERJ.

Sindical

A direção da APEFAETC, agora SINDPEFAETEC, convoca os profissionais da educação da rede de ensino técnico e superior da FAETEC para seu 5º Congresso, que acontecerá nos dias: 11 e 12 de setembro no Teatro do CETEP de Quintino, no Rio.
Os filiados ao sindicato interessados em participar do Congresso ainda podem se inscrever, basta entrar em contato com a direção da entidade até o próximo dia 05/09.

Meia-boca

Uma incômoda dor muscular ainda não diagnosticada de forma definitiva, o tardio retorno do semestre letivo e outros contratempos extraordinários na agenda de toda a equipe justificam o indolente ritmo do blog nesta semana.
Agradecemos a presença de todos e tentaremos retornar à realidade em breve.
"Sigamos em frente!"

Culturais

Dicas pra noite de hoje:

Às 19:00, finalmente o público vai poder assistir o Show onde o gente boa Reubes Pess Canta Raul, homenageando o lendário roqueiro brasileiro morto há 20 anos.
O show - suspenso na última semana por um imbróglio envolvendo o MP e a Prefeitura - acontece na arena externa do Palácio da Cultura.

E às 20:00, segue o circuito cultural do SESI. O Fernando Rossi manda avisar que a atração de hoje é a peça Por telefone, comédia da lavra do ator Antonio Fagundes.

Bom divertimento!

terça-feira, 25 de agosto de 2009

UFF deslancha expansão em Campos

A Professora Ana Maria Almeida, manda avisar que a UFF dá mais um passo fundamental no sentido da expansão de suas atividades em Campos - leia informe abaixo.
De parabéns toda a equipe da direção do Instituto local da Universidade, pela competência e o empenho no sentido de consolidar aqui a política de expansão do ensino superior do governo LULA.

UFF e Patrimônio da União assinam contrato de doação de terreno em Campos dos Goytacazes
24/8/2009


Foi assinado na manhã desta segunda-feira, 24 de agosto, o contrato de doação de um terreno em Campos dos Goytacazes para a expansão dos cursos da UFF no município. O imóvel foi cedido pelo Patrimônio da União à universidade para a realização do Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni).

Estavam presentes na solenidade o reitor da UFF, professor Roberto Salles; o vice-reitor, professor Emmanuel Andrade; o diretor do Polo Universitário de Campos, professor José Luís Vianna; a Diretora da Unidade do Polo de Campos, profa. Leda Barros; a secretária da Superintendência do Patrimônio da União (SPU), Marina Esteves; o assessor do SPU/RJ, Jorge Feijó, o deputado federal Chico D'Ângelo (PT–RJ); e a presidente do Diretório Acadêmico Acadêmico Conceição Muniz de Campos, Lara de Oliveira. Presentes ainda, na delegação de Campos, a Coordenadora de Extensão e representante do curso de Serviço Social, profa. Ana Maria Almeida e professores representantes das coordenações dos novos cursos, de Economia, Ciências Sociais e Geografia.

Para o professor Vianna, a ampliação do polo é fruto de muito trabalho e crença no plano de expansão da universidade. "Esta é uma manhã de agradecimentos. A equipe de Campos está trabalhando incessantemente para que esse projeto saia do papel e possamos dar um retorno a toda a comunidade da UFF."

O vice-reitor Emmanuel Andrade frisou que o Polo Universitário de Campos é exemplo de empreendedorismo. Segundo ele, a universidade está dando respostas aos investimentos do Reuni e parabenizou toda a equipe daquela cidade pelo empenho. "Campos é hoje uma das maiores expansões que temos", salientou.

Lara de Oliveira, que representa todos os estudantes da UFF de Campos (naquele local), lembrou que há 40 anos a universidade tem apenas um curso na cidade. Para Lara, a ampliação do polo fará com que a UFF em Campos esteja mais visível e acessível a toda a comunidade.

O trabalho de equipe de Campos dos Goytacazes também foi lembrado pelo reitor Roberto Salles. De acordo com ele, a assinatura do contrato de doação do terreno representa um esforço conjunto de toda a universidade. Roberto Salles salientou que ainda há muito para ser feito em relação à legalização de terrenos da UFF. "Nem todos os nossos terrenos estão com os documentos em dia. E essa é uma questão que quero resolver ainda na minha gestão."

A expansão do polo possibilitará a criação de mais seis cursos na cidade. No segundo semestre de 2009, estarão implantadas as graduações em Ciências Econômicas, Ciências Sociais e Geografia. Os cursos de Direito, História e Psicologia serão abertos no segundo semestre de 2010 (o mesmo ano). O cronograma prevê o início das obras para novembro de 2009, e sua conclusão para setembro de 2010. O terreno, com mais de 38 mil metros quadrados, está localizado na Avenida 15 de Novembro, 483, Centro.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Em defesa da liberdade de EXPRESSÃO

Na pauta da “blogosfera” campista o principal assunto das últimas semanas é a ameaça que demandas judiciais podem representar para os blogs locais, mídias que ao longo dos últimos anos, e, sobretudo, a partir das eleições de 2008, passaram a interessar uma parcela da sociedade campista e a influenciar o debate sobre vários temas de interesse local. A internet representa uma novidade capaz de dar extrema agilidade à publicação de textos de opinião e ao debate público sobre estes temas, passando a dividir com mídias tradicionais, principalmente com os jornais, o interesse de uma fatia considerável de leitores.
Inegável a legitimidade do recurso à Justiça por parte de quem se sente de alguma forma atingido por determinada manifestação pública. Não cabe a este articulista avaliar as razões de quem se sente amparado pela lei. Contudo, nos preocupa a hipótese de que tal recurso legítimo possa representar de alguma forma intimidação ou constrangimento não apenas aos blogueiros, mas também aos comentaristas que garantem um dos aspectos mais ricos e inovadores destes espaços: a interatividade. Não resta dúvida que esta capacidade dinâmica de propor uma discussão e poder colher, imediatamente, repercussão sobre a opinião emitida ou a informação publicada – muitas vezes em primeira mão – determina a nós, blogueiros, a adoção de critérios e de sensatez para arbitrar a liberação do que é enviado aos blogs a guisa de comentário. Aqui é necessário combinar ao espírito democrático uma avaliação, sobre a pertinência, a coerência, a oportunidade e a veracidade do que se pretende publicar. Entretanto, quando um comentário crítico, ainda que duro, é confundido com ofensa ou leviandade, seja por equívoco ou deliberadamente, precisamos nos posicionar em defesa da pluralidade e da liberdade de opinião na rede.
A responsabilidade e o bom senso que devem pautar a nossa conduta na moderação e publicação destas manifestações participativas dos leitores também deve se estender a advogados e seus clientes quando representam em juízo contra domínios que promovem a expressão e o debate de opiniões na internet. A imprensa campista, que sempre empunhou as justas bandeiras da liberdade caras ao bom jornalismo não deve promover qualquer ameaça à liberdade de expressão ou propor a censura prévia como forma de defender seus direitos e interesses.

Artigo publicado na edição de hoje da Folha da Manhã.

sábado, 22 de agosto de 2009

111 ANOS DE GLÓRIAS

Nesse aniversário de 111 anos do Clube de Regatas Vasco da Gama, celebrados no dia 21/08/09, a melhor homenagem que pode ser feita é colocar a razão a serviço da paixão. Ao contrário da abordagem apologética ou da parcialidade ideológica da perspectiva do torcedor, optei pela explicação objetiva e fundamentada da relevância histórica e social do meu Vascão, relizada por pesquisadores de diferentes áreas do conhecimento. Vamos aos fatos: No clássico Negro, Macumba e Futebol, o crítico de origem germânica Anatol Rosenfeld nos informa: "No Rio, onde a imigração portuguesa predomina, o Vasco da Gama, seguindo a postura tipicamente portuguesa da democracia racial, foi um dos primeiros clubes que, ainda na época do amadorismo, reforçou seu time com elementos de cor, ao passo que o Flamengo adotava, naquela época, uma política estritamente 'branca'. O Vasco tornou-se uma verdadeira potência."O historiador da USP Hilário Franco JR (A Dança dos Deuses: futebol, sociedade e cultura) confirma: "No Rio de Janeiro, o Vasco da Gama, clube que já havia elegido um presidente negro em 1904, Cândido Araújo, seria campeão na sua estréia na primeira divisão (em 1923), com jogadores negros e trabalhadores brancos, o que o tornou o clube mais popular na cidade durante as décadas de 1920 e 1930." O professor da UFRJ, idealizador do Laboratório do Tempo Presente, Francisco Carlos Teixeira Da Silva argumenta no belo livro Memória Social do Esporte: "Ainda nos anos 10 os pobres _ e claro, negros e mestiços _ não podiam participar da vida do futebol,(...). Entretanto, a partir das conquistas do Bangu (1906-1910) e do Vasco (1923-1924), a pressão pela incorporação de negros e mestiços e a conseqüente ruptura com a regra do amadorismo tornaram-se o centro político do futebol brasileiro." O brilhante pesquisador Luís Miguel Wisnik, em Veneno Remédio _ o Futebol e o Brasil, reflete sobre "a insuspeitada tomada simbólica do campo futebolístico brasileiro por negros e mulatos": "Vale lembrar que em 1923, o Vasco, venceria o campeonato caroca com um time pela primeira vez formado por brancos, negros e mulatos. Pode-se dizer, assim, que os portugueses fundadores do Vasco iniciaram a recolonozação do futebol brasileiro à sua maneira, sob o timbre da mestiçagem, dando condições econômicas para arrancá-lo do modelo anglófilo." É claro que podemos, ainda, encarar toda essa história através os olhos "imparciais" do poeta Aldir Blanc: "O Vasco da Gama soube, como nenhum outro clube, honrar a coragem do Almirante. Representa, em seu pendão, o suor português, a lágrima do índio, o sangue do negro. A história do Vasco confunde-se com a história do Brasil quando se trata de libertar, romper com o passado, quebrar grilhões e substituí-los pela esperança. Avante, Vascão, que, igualzinho ao fado, eu beijo as pedras do chão que pisares no caminho. E por ser o teu caminho o mar, as estrelas da bandeira, no futuro, serão tantas quantas as constelações que iluminaram a epopéia do Gama em direção ao Sonho.
Opa, derrubei o copo. Não faz mal. Em mesa de vascaíno, se não há vinho derramado, não há alegria."

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

REDE BLOG: Breve comentário em tempo

Faltando ainda pouco para a meia-noite, só agora este pai/blogueiro tem tempo de "atracar o relê" e postar ainda nesta data mais um breve comentário sobre a iniciativa da REDE BLOG de pautar a postagem coletiva do mês com o propósito de se defender de iniciativas de empresas de comunicação no sentido de atentar contra a independência e a liberdade de expressão na internet.
Entendo que as manifestações de solidariedade ao Professor Roberto Moraes e a outros blogueiros citados judicialmente pela Folha da Manhã desencadeadas há cerca de dez dias vem cumprindo com êxito um papel importante no sentido:
1- de retomar alguma organicidade desta REDE virtual;
2- de chamar a atenção da sociedade para os riscos representados pelas hipóteses de censura prévia e de constrangimento sobre os blogs e as possibilidades de interação dos mesmos com a sociedade/leitores;
3- de forçar tal empresa a refletir sobre a contradição implícita entre a natureza de sua atividade e os termos dos processos propostos por ela.
Assim, creio que esta breve contribuição, mais que uma obrigação deste blogueiro, proponente desta mobilização da REDE, é parte de mais um esforço coletivo que não termina aqui. De parabéns a REDE BLOG e todos os seus membros que, independentemente da oportunidade de participar desta postagem coletiva, integram de alguma forma esta mobilização que mais que um ato de legítima defesa é uma campanha em defesa da livre manifestação de opinião e pensamento.
"Sigamos em frente"!

Viva Raul

O Wellington Cordeiro manda avisar que hoje, às 22:00, na Praça do SENAI - próximo à antiga Estação da Rede Ferroviária - o gente boa Reubes Pess Canta Raul em show que homenageia o roqueiro nos 20 anos de sua passagem.
Boa pedida pra noite de quem não tem "anjos" por quem zelar!
Abaixo, na interpretação do craque Zeca Baleiro, uma pérola de Raul que provavelmente deve estar no repertório do Reubes, só de "aperitivo".
ATUALIZAÇÃO em 22/08, às 00:15
Pois ficamos só com o aperitivo! Acabo de ler no Urgente que, minutos antes do show, o mesmo MP que tem bravamente defendido a comunidade campista em atos e tentativas de improbidade administrativa, voltou a pisar na bola com a cultura local - como no caso do formidável chorinho do 360° - e suspendeu a presentação do Reubes. Lamentável!
Parece que por aqui o "direito difuso" serve apenas aos chatos, infelizes e mal-amadas(os) de plantão.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Sobre o preço mínimo da cana

O inquieto Xacal citou há alguns dias este blog ao propor um debate sobre a política de preço mínimo da cana, desenvolvida pelo Ministério da agricultura para produtores do nordeste e estendida recentemente aos plantadores de cana da região por iniciativa do deputado Chico D'Angelo (PT-RJ). Por razões de ordem particular não pude de imediato contribuir com o debate que recebeu algumas colaborações via coments no post d'A TroLha. Resolvi então, a bem do diálogo construtivo e esclarecedor, transcrever aqui minha intervenção naquele blog em resposta à provocação do blogueiro e aos comentários lá suscitados:

Há dez anos atrás, quando assessorei o Professor Luciano D'Angelo na Secretaria Municipal de Agricultura, participei da gestão que tentou efetivamente promover a diversificação agrícola entre os pequenos produtores de Campos, com o apoio da EMATER e da Pesagro. Leite, piscicultura, fruticultura, beneficiamento da própria cana (aguardente), foram alternativas fomentadas pelo então secretário junto aos pequenos e médios produtores rurais, que já àquela época representeavam a maioria dos proprietários rurais do município, no sentido de agregar valor à produção e promover a pequena agroindústria familiar.
Hoje, uma década depois, e apesar da desvalorização da cana, é inegável o apelo que tal cultura continua a ter junto aos produtores locais. Para quem não sabe, até mesmo assentados da Reforma Agrária produzem cana como uma das poucas alternativas de comercialização da produção, apesar do preço aviltado.
Assim, é um equívoco associar a medida aqui em debate aos interesses de usineiros e grupos empresariais que aqui se instalaram para explorar usinas locais. Isso se daria, se for o caso, de forma indireta.
O perfil dos associados da Asflucan hoje é diferente do que tal entidade já representou no passado e que ainda preenche o imaginário de militantes de esquerda.
É fato que a associação hoje reúne um conjunto de pequenos e médios fazendeiros empobrecidos e que muitas vezes não conseguem extrair da cultura lucro algum, além do que cobre os custos da produção. A medida aqui em debate não favorece latifundiários, e gera empregos. Não ignoro que empresas de fora que exploram usinas locais tem sido pródigas em burlar a Lei e explorar trabalho escravo, o que tem o meu mais veemente repúdio. Mas isso nada tem a ver com os dados do CAGED que atestam que a presença de trabalhadores locais em situação regular na lavoura de cana tem aumentado sistematicamente sua representatividade no emprego formal na cidade, fruto da ação fiscalizadora do Ministério do Trabalho no governo LULA.
Assim, pelos argumentos expostos, insisto que a medida é completamente distinta dos subsídios de outrora, citados pel'a hiena, contemplando uma base social que hoje é distinta dos usineiros e latifundiários questionados com razão pelos comentaristas supra.

Em defesa do PT

Com todo respeito ao eminente Senador Flávio Arns (PT-PR) e ao Rafael, que comentou o asunto em post abaixo mesmo antes deste texto, este blogueiro não vai tergiversar na defesa do Partido dos Trabalhadores neste momento de crise no Senado imposta pelo oportunismo eleitoeiro da oposição, cuja representação na Câmara Alta elegeu reiteradamente Sarney para presidir a Casa - inclusive, no ultimo pleito, contra candidato petista - manteve e se locupletou dos atos secretos e de outras benesses concedidas a muitos dos membros de sua bancada por Agaciel Maia, e agora quer posar de algoz de ambos num show de hipocrisia e desfarçatez.
Podemos buscar no discurso do respeitável Senador Arns um eixo da discussão, quando ele acusa o partido, do qual anunciou pretender se desligar, de "romper com a bandeira da ética". Ora, mas cabe aqui questionar de qual ética estamos falando? Da ética neo-udenista a serviço dos corruptos hipócritas dos "demo" e do PSDB, ou a ética da justiça social, da geração de emprego e renda, da redução na concentração da riqueza, da ampliação do consumo e da classe média, consequencias inegáveis do governo LULA?
Essa oposição oportunista é a mesma que conduziu o mesmo Sarney à Presidência da República, onde ele, assim como FHC conduziu o projeto histórico conservador da elite nacional. Projeto que com diferentes tons, mais ou menos modernizantes, sempre perpetuou a desigualdade social e a manutenção da oligarquia no poder. Os que hoje posam de "justiceiros" de Sarney foram seus sócios na reação contra o avanço da classe trabalhadora e dos representantes dos setores populares no sentido da conquista da hegemonia política, o que se concretizou com LULA, para desespero da imprensa golpista que dá palco e holofote aos reacionários que há anos são maioria no Congresso. Os tais "300 picaretas" de que LULA já falou. Vão aqui meus críticos dizer que parte deles hoje se bandearam de forma oportunista para nosso lado. Verdade. Pior para os conservadores e reacionários da mídia, do DEM e do PSDB!
Compreendo a posição do Senador Mercadante e admito compartilhar com ele certo constrangimento frente a situação. Mas só um neófito em política poderia ceder a sanha golpista dos hipócritas que desejam tomar de assalto a presidência do Congresso. O caso do falante Senador Arthur Virgílio, também arquivado, é esclarecedor sobre as "virtudes republicanas" dos que acusam Sarney e pedem sua cabeça.
2010 é ano eleitoral. A necessária cruzada republicana sobre o Senado se fará então oportuna, pelas mãos do povo, pelo voto, e não por uma camarilha de oportunistas travestidos de vestais. O amadurecimento democrático e das instituições deve conduzir a uma expressiva renovação das cadeiras em disputa! Cassar Sarney é algo que deve ser atribuição do povo do Amapá, e não dos falsos moralistas que sempre o adularam e a ele deram sustentação política, e agora tentam tirar proveito político eleitoral de seu ocaso. Devem dividir com ele a porta dos fundos da história.

Discrepância

Qual dessas pesquisas de intenção de voto se aproxima mais da realidade? Em termos metodológicos os parâmetros são: O Vox Populi ouviu 2 mil eleitores em 24 estados, entre os dias 31 de julho e 4 de agosto. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais. O Datafolha diz ter ouvido 4,1 mil pessoas entre 11 e 13 de agosto, com margem de erro de 2 pontos percentuais. Mas nada disso explica tamanha discrepância.


Vox Populi

Serra Dilma
30% 21%

Datafolha
Serra Dilma
37% 16%

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Cara-de-pau

Parece não haver limite para a desfarçatez e o descaso com que a dupla Cabral/Levy encara os servidores públicos do Estado.
Embora não responda mais pela direção do SEPE, não dá pra deixar de registrar aqui minha indignação com relação a ridícula proposta do governador para incorporar a gratificação do extinto programa Nova Escola em 6 anos!
Não bastasse o desrespeito com os profissionais da educação, como a cada dia sua reeleição se torna mais improvável, a proposta remete para o futuro Governador a maior parte do ônus da sua "generosa" decisão.
Lamentavelmente, a cada dia a carreira do magistério no Estado fica mais desanimadora, com salários que permanecem muito inferiorizados com relação ao que é pago por diversos municípios. Um professor em Nova Iguaçu, com o plano de cargos recém aprovado, pode chegar a ganhar 4 vezes mais do que a média dos vencimentos das aposentadas da rede estadual!
Com todo respeito, os colegas da FAETEC trabalham o dobro ou são duas vezes mais competentes do que os profissionais da SEEDUC? Outros concursos públicos parecem ser a saída para estes profissionais. Com estes salários aviltantes, será difícil a médio prazo suprir a carência de profissionais na rede estadual.

E por falar em samba...

O gente boa Valmir Kanal avisa que hoje tem Samba no Mercado às 19:00. O animado projeto cultural, desenvolvido pelo nosso querido fotógrafo está ganhando registro audiovisual. Hoje será gravado um making of da roda de bambas. Vale conferir!

Noite de samba

Já era terça-feira quando, após uma reunião - frente a hesitação de um amigo, a certeza da reprovação por parte dela e uma insuportável dor nos braços - desisti de conferir o samba do Saboya, que pelo que pude conferir nas duas ou três incursões que consegui fazer por lá este ano continua a ser uma excelente opção para os que tem o saudável impulso pela boemia às segundas e afins...
Cada vez mais fico convencido que as noites de sexta e sábado devem ser dedicadas à família, a uma visita a amigos ou a uma festa em ocasião excepcional. Bares, botecos e assemelhados são muito mais atraentes de segunda à quarta. Lotação moderada e público com um perfil digamos, diferenciado... Mas isso é só uma digressão.

O que quero dizer aqui é que a terça não ficaria sem samba. E de qualidade. Por um fato pontual ao longo da tarde - finalmente livre da insuportável dor muscular nos braços - me lembrei que terça é dia de um dos melhores programas musicais da TV aberta. O Samba na gamboa, do craque Diogo Nogueira, na TV Brasil. Assim, ao chegar da caminhada pela Av. Togo de Barros às 19:30 pude ver o programa que não via há tempos e, grata surpresa, tinha ontem como convidados Dona Ivone Lara e nosso bamba campista Délcio Carvalho. Ótima pedida.
Pra fechar a noite com chave de ouro, curti ainda a Lene Moraes, o Renatinho Arpoador e companhia ao levar um abraço à Katiana Rodrigues, que reuniu a família e os amigos pra comemorar mais um ano de vida... e de samba.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Pura ficção

Corria o ano de 2054, e ele, numa tarde quente, entre as centenárias paredes de um Solar que já foi sede de um engenho de missionários religiosos, numa certa baixada litorânea, tentava, confuso, articular as versões tão diversas que as páginas de edições de uma mesma data traziam para notícias que ele já nem sabia se poderia considerar fatos! Em sua razoável experiência, jamais havia encontrado situação tão pitoresca e surreal em suas habituais investigações em periódicos. Sim, estes tablóides continuavam a desafiar sua condenação contemporânea e exercer relevância não apenas na circulação de informações no cotidiano das sociedades, bem como para o ofício de historiadores como ele.
É bem verdade que já detinha razoável conhecimento sobre a sociedade cujo complexo contexto sócio-político e econômico na virada do século havia despertado sua curiosidade para aquelas plagas. Todavia, o artigo assinado por um conceituado cientista político local – identificado na edição de 22 de julho de 2009 do mais tradicional dos jornais locais – reafirmava sua compreensão da sociedade local, onde uma “elite preconceituosa e arrogante”, apesar de mudanças conjunturais, continuava, no início do século XXI, a servir como exemplo de “reacionarismo e irracionalismo”, pontuado desde o século XX em obras literárias e cinematográficas de importância no plano da cultura nacional. Naquele momento, tal elite hesitava entre o conflito contra a vanguarda da modernização republicana ou contra a “nova elite” representada pelo grupo político popularesco que, desde a última década do “século breve”, controlava o poder local, manejando habilmente mídias e exercendo liderança carismática entre a massa pobre, ampla base da população local.
Essa última querela determinava uma enorme distância nas versões da realidade apreendidas pelas páginas dos periódicos mais lidos, para além das diferenças no discurso editorial. Constatava que, apesar das falhas de memória – decorrentes dos quase 80 anos e de algum excesso em prazeres da vida – a entrevista com o velho professor e ativista político recuperava com lucidez o contexto pesquisado. Numa outra frente, o porta-voz da velha elite investia contra outras mídias que permitiam visibilidade a questionamentos lúcidos e propositivos da sociedade civil, graças a novas tecnologias cujo acesso então se ampliava democraticamente.
Numa ata de uma sessão do Legislativo municipal realizada em 1999, uma pista para compreender as contradições gritantes nas páginas da imprensa daquele distante emirado: uma frase onde um dos Presidentes daquela Casa de Leis afirmava que nas páginas da mídia local “o verbo depende da verba”!

Artigo publicado na edição de hoje da Folha da Manhã.

sábado, 15 de agosto de 2009

Trabalhando

Quem esteve ontem em Campos foi o Deputado Chico D'Angelo (PT-RJ). A convite da Asflucan, o parlamentar petista foi à UFRRJ participar do evento onde a equipe da CONAB apresentou aos produtores de cana da região como se dará o aporte do subsídio de R$ 5,00 por tonelada de cana com o qual serão contemplados a partir da próxima safra como resultado da inclusão desta região na política de preço mínimo da cana desenvolvida pelo governo federal, consequencia da ação do seu mandato.
O sucesso da iniciativa, de suma importância para a economia local, pode ser identificado a partir da presença de outros parlamentares que apoiaram a intervenção articulada pelo mandato de Chico junto ao Ministro da agricultura no evento de ontem.

Quanto custa?

Quanto custa meia-hora no Jornal Nacional? Acerca da guerra declarada esta semena entre as duas principais redes de TV aberta do Brasil, esta é a questão que me instigou ao longo da semana e que tardiamente divido com o leitor. O que mais me chamou a atenção foi a munição que a GLOBO gastou com a adversária. A cada edição do telejornal que consumia dez minutos atacando a IURD e seus bispos, confesso que me questionava se há razão pra tanto desespero?
Considerando que a polêmica é o típico caso em que ambas as partes parecem estar falando absolutamente a verdade, o que motivaria quem aparentemente tem mais a perder a abrir fogo tão intenso contra o oponente? Fica a impressão de que a ameaça é muito grande, talvez proporcional ao poder concentrado pela TV dos Marinho a partir da ditadura, agora em disputa com a IURD.

Alô EMUT, mais uma vez...

Desde fevereiro do corrente ano esse blog chama a atenção para o perigo que representa trafegar pelo cruzamento entre as ruas Dr. Beda e Artur Bernardes.
Por longas semanas em que a prefeitura manteve tal cruzamento interditado em virtude de obras que ali se desenvolvem em ritmo lento, as coisas ficaram mais tranquilas. Porém, bastou a recente liberação do trecho para que, diariamente, acidentes ou "quase acidentes" voltassem à rotina daquela vizinhança. Na manhã de terça-feira fui testemunha de um incidente onde por pouco uma carroça de burros não colidiu com um peugeot vinho que trafegava pela Artur Bernardes em alta velocidade. Ontem na hora do almoço outro episódio, desta vez infelizmente concretizada a colisão envolvendo dois veículos.
Note bem que aqui me refiro apenas a incidentes observados casualmente pelo blogueiro. A vizinhança afirma que observação sistemática do trecho revelaria um número alarmante de ocorrências.
Os postes da vergonha, que deveriam suportar semáforos - já instalados em cruzamentos menos movimentados da Artur Bernardes - permanecem fincados ali, testemunhas impotentes de inúmeros acidentes e riscos desnecessários desde o governo passado. Ao que parece não mudou muita coisa mesmo!

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Artigo

O que só os Governadores não ouvem

Rio de Janeiro, 7 de agosto, 4 horas da madrugada, Zona Norte, bairro do Engenho Novo. Começa mais um capítulo da triste realidade carioca: a violência urbana. Um tiroteio que durou cerca de 27 minutos, vindo do Morro do São João, demonstra o poder de fogo dos traficantes cariocas. Como esses tiroteios já se tornaram costume na capital do estado, você não encontra mais pessoas comentando sobre isso no outro dia de manhã.
Nasci e morei na cidade do Rio de Janeiro, neste mesmo bairro, durante 19 anos. Os tiroteios já existiam, alguns inclusive com duração maior do que este relatado acima, mas os comentários no dia seguinte eram certos, seja nas padarias, no ônibus, nas escolas. A indignação se fazia presente na vida do carioca. Hoje, infelizmente, ela não se apresenta mais. O carioca já se acostumou com a violência. Conversando com meus primos no outro dia, eles afirmaram que algumas pessoas continuam caminhando normalmente na rua, mesmo diante de troca de tiros. São raras as pessoas correndo pelas ruas. Existem casos sim e a TV os exibe, mas não é mais comum.
A violência carioca não foi inventada, ela é fruto de erros cometidos pelos responsáveis pela segurança pública e pela omissão dos políticos. Segurança não se faz unicamente com polícia na rua, portando armas pesadas, nas entradas das favelas e morros. Sabemos também que as ações de combate à violência devem ser feitas através de parcerias de diversos órgãos, como prefeituras, estado, união, ministério público e outros, mas, entretanto, o governo estadual deve chamar para si a responsabilidade da segurança pública, cumprindo assim a uma de suas funções perante a Constituição.
Já passou da hora de os governantes do Rio criarem um plano sério para diminuição dos índices de violência. É preciso garantir a recomposição salarial; elaborar um projeto de capacitação dos profissionais ligados à segurança pública, assim como uma campanha de valorização da carreira; criar ações integradas entre Polícia Milita, Polícia Civil, Guarda Municipal e órgãos afins para combate a ações que incentivem a criminalidade como também a criação de um plano integrado de ações dentro de comunidades carentes, com atividades de cultura, educação e esportes, voltadas para as crianças e jovens, para que os mesmos não sejam aliciados para o crime.
Um Gabinete de ação integrada, que ficaria responsável pelo monitoramento através de câmeras instaladas em áreas com altos índices de criminalidade, é necessário, pois garantia maior agilidade nas ações de prevenção e combate a delitos. O Instituto de Criminalista tem que ser reformulado, transformado-o numa Central de Inteligência, com profissionais capacitados para solucionar crimes, combater o tráfico de armas e drogas nas entradas da cidade, dotando esta Central com os melhores equipamentos e recursos existentes.
Todo dia e há muitos anos, tem tiroteio na cidade do Rio, mas só os Governadores não ouvem.


Marcel Cardoso cursa Licenciatura em Geografia no Instituto Federal Fluminense, onde exerce a função de Presidente do Diretório Central dos Estudantes. É ex – Diretor de Políticas Institucionais da União Estadual dos Estudantes / RJ.