domingo, 22 de fevereiro de 2009

Na Vitrola

Hiato no silêncio, para dividir com quem interessar possa a audição. Uma jóia do Paulinho da Viola, o Príncipe do samba. Obra prima. Oportuna no tríduo momesco. Bebadosamba!

Um mestre do verso, de olhar destemido,
disse uma vez, com certa ironia :
"Se lágrima fosse de pedra
eu choraria"
Mas eu, Boca, como semrpe perdido
Bêbado de sambas e tantos sonhos
Choro a lágrima comum,
Que todos choram
Embora não tenha, nessas horas,
Saudade do passado, remorso
Ou mágoas menores
Meu choro, Boca,
Dolente, por questão de estilo,
É chula quase raiada
Solo espontâneo e rude
De um samba nunca terminado
Um rio de murmúrios da memória
De meus olhos, e quando aflora
Serve, antes de tudo,
Para aliviar o peso das palavras
Que ninguém é de pedra

2 comentários:

  1. Paulinho da Viola... ótima pedida pra esse domingo de carnaval!!!


    PS.: Por falar em domingo... cadê a "série" + poesia no bloguinho???


    Bjs!

    =)

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  2. Aprovado!
    Coincidentemente, outro dia passei a mão nesse CD, que integra minha coleção.
    Aproveitando o título da nota publicada abaixo desta, lembrei-me de "Para ver as meninas", também de Paulinho da Viola - talvez uma boa forma de expressar o inferno astral por que vêm passando nossos blogs:

    "Silêncio, por favor
    Enquanto esqueço um pouco
    a dor no peito
    Não diga nada
    sobre meus defeitos
    Eu não me lembro mais
    quem me deixou assim
    Hoje eu quero apenas
    Uma pausa de mil compassos
    Para ver as meninas
    E nada mais nos braços
    Só este amor
    assim descontraído
    Quem sabe de tudo não fale
    Quem não sabe nada se cale
    Se for preciso eu repito
    Porque hoje eu vou fazer
    Ao meu jeito eu vou fazer
    Um samba sobre o infinito
    Porque hoje eu vou fazer
    Ao meu jeito eu vou fazer
    Um samba sobre o infinito"

    Um abraço.

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