segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Em defesa da liberdade de EXPRESSÃO

Na pauta da “blogosfera” campista o principal assunto das últimas semanas é a ameaça que demandas judiciais podem representar para os blogs locais, mídias que ao longo dos últimos anos, e, sobretudo, a partir das eleições de 2008, passaram a interessar uma parcela da sociedade campista e a influenciar o debate sobre vários temas de interesse local. A internet representa uma novidade capaz de dar extrema agilidade à publicação de textos de opinião e ao debate público sobre estes temas, passando a dividir com mídias tradicionais, principalmente com os jornais, o interesse de uma fatia considerável de leitores.
Inegável a legitimidade do recurso à Justiça por parte de quem se sente de alguma forma atingido por determinada manifestação pública. Não cabe a este articulista avaliar as razões de quem se sente amparado pela lei. Contudo, nos preocupa a hipótese de que tal recurso legítimo possa representar de alguma forma intimidação ou constrangimento não apenas aos blogueiros, mas também aos comentaristas que garantem um dos aspectos mais ricos e inovadores destes espaços: a interatividade. Não resta dúvida que esta capacidade dinâmica de propor uma discussão e poder colher, imediatamente, repercussão sobre a opinião emitida ou a informação publicada – muitas vezes em primeira mão – determina a nós, blogueiros, a adoção de critérios e de sensatez para arbitrar a liberação do que é enviado aos blogs a guisa de comentário. Aqui é necessário combinar ao espírito democrático uma avaliação, sobre a pertinência, a coerência, a oportunidade e a veracidade do que se pretende publicar. Entretanto, quando um comentário crítico, ainda que duro, é confundido com ofensa ou leviandade, seja por equívoco ou deliberadamente, precisamos nos posicionar em defesa da pluralidade e da liberdade de opinião na rede.
A responsabilidade e o bom senso que devem pautar a nossa conduta na moderação e publicação destas manifestações participativas dos leitores também deve se estender a advogados e seus clientes quando representam em juízo contra domínios que promovem a expressão e o debate de opiniões na internet. A imprensa campista, que sempre empunhou as justas bandeiras da liberdade caras ao bom jornalismo não deve promover qualquer ameaça à liberdade de expressão ou propor a censura prévia como forma de defender seus direitos e interesses.

Artigo publicado na edição de hoje da Folha da Manhã.

7 comentários:

Xacal disse...

bom texto...

o problema é que ele funciona como um cereja colocada em cima de um bostalhão de merda...

nada contra o articulista, que fique óbvio...

Flávio Mussa Tavares disse...

Fábio. Bom senso e prudência. Seu artigo está impecável.Parabéns!

Anônimo disse...

uma forma de protesto,seria não escrever nesse jornal, mas fazer o que, fica dificil abrir mão, né....
"você não vale nada, mas eu...

FÁBIO SIQUEIRA disse...

Caro anônimo(a),

Caso vc fosse identificável, poderia considerar a conveniência da hipótese de esclarecer para vc, reservadamente, alguns aspectos da questão por vc proposta que não seria oportuno abordar aqui...
Talvez vc vislumbrasse algumas nuances que justificam minha postura.
Se quiser propor o diálogo, envie e-mail para fabiovsiqueira@gmail.com
Ademais, devo admitir que o jornal tem mantido comigo o acordo de escrever com liberdade e independência de sua linha editorial - como vc pode observar nos últimos artigos.

George Gomes Coutinho disse...

Honrada posição defendida no texto Fábio. Sobretudo lúcida!

Tadeu360 disse...

Valeu Fábio, ótimo texto, hei babaca anônimo das 13:07h, sabes como se extermina um formigueiro? Com veneno em forma de isca que são carregadas para o centro do mesmo. Outros métodos são paliativos.

Anônimo disse...

Muito bom o texto, ainda mais por ter sido onde foi...
Abraço
Paulo Sérgio