sábado, 31 de outubro de 2009

Só pra descontrair...

PENALTI DE FATO TAMBÉM NÃO ENTRA!

MST: a SS dos trópicos

Há textos que a gente lê e precisa reler para acreditar, para ter certeza que não se confundiu com a interpretação ou coisa semelhante. No jornal O globo de hoje – aqui - o ator Carlos Vereza, ex-militante do Partido Comunista, escreve um artigo tão crítico em relação ao governo Lula que a gente fica pensando se o ator está realmente falando sério ou se aquilo é algum tipo de brincadeira.Vejamos:

1- Lula aparece como um autoritário militarista que não merece ser o Nobel da paz

2- Sua eleição em 2006 esteve articulada com os bandidos do PCC de São Paulo.

3- O MST, bom sobre o movimento dos sem terra é melhor fazer a citação literal:

Lula, muito antes do ditador Hugo Chávez, organizou com outros objetivos sua tropa de choque, o MST — as SS dos trópicos, financiadas pelo governo federal.

Esses facínoras depredaram o Congresso Nacional, invadem propriedades privadas, cometem assassinatos, sempre sob a leniência do Grande Timoneiro.”

É isso que a oposição tem para dizer? Esse é o nível do debate que querem estabelecer? Foi para escrever isso que o Sr. Carlos Vereza tanto lutou por democracia contra o regime militar? Se este for o tom do debate das eleições presidenciais do ano que vem teremos um show de horror que desperdiçará uma grande oportunidade para qualificar o debate político no país e apresentar os diferentes projetos políticos nacionais.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

O SINPRO-Campos de volta para os professores(as)!

Foi publicado na última segunda-feira o edital para a eleição que vai escolher a próxima direção do Sindicato dos professores de Campos e São João da Barra, a se realizar nos dias 09, 10 e 11 de dezembro.
Este sindicato, infelizmente, vem há anos se afastando da categoria e além de não ter vida orgânica, não promover os interesses da categoria e não se articular com o movimento social local, há dois anos não consegue fechar acordo coletivo com o sindicato patronal. Assim, os professores das escolas particulares de Campos não tiveram reajuste na data-base, ao contrário dos professores do Noroeste e de Macaé, onde os sindicatos locais fecharam acordo com o mesmo SINEPE (patronal) da região. São 12% de reajuste nos dois últimos anos onde o SINPRO-Campos não fechou acordo coletivo! O SAE, sindicato dos funcionários das escolas particulares, também fechou acordo de 6,25% de reajuste em 2009, com o mesmo SINEPE.
Após mais um Dia do professor onde a atual diretoria do SINPRO-Campos não disse a que veio, um conjunto de professores campistas resolveu organizar um movimento para reconstruir nosso sindicato, que um dia já foi representativo e referência de luta para a categoria. Além disso, promovia eventos culturais e pedagógicos que atendiam as expectativas da categoria.
O Movimento de Reconstrução do SINPRO-Campos, do qual faz parte este blogueiro, vai construir uma chapa para disputar a direção do SINPRO, com a proposta de promover o reencontro do sindicato com a luta e as expectativas dos professores campistas. Todos os professores estão convidados a participar desta caminhada e reconstruir conosco nosso sindicato.

O triunfo da vontade

O futebol ("o velho e viril esporte bretão") não é uma trivial modalidade esportiva. Ele é o esporte/jogo/arte mais popular da face da terra, e isso, por si só, já o tornaria um um fenômeno extra-ordinário. Contudo, o que torna o "jogo do povo" especial é, sem dúvida nenhuma, sua capacidade de "fazer ver" o drama humano (da atuitude mesquinha mais atávica ao gesto de humanidade mais sublime). Nesse sentido, alguns personagens são emblemáticos e especialmente representativos. E esse é o caso do centro-avante Obina, que mesmo não sendo melhor do que Êto é capaz de tornar a sua versão palmeirense melhor do que seu folclórico personagem rubro-negro. Pois, ontem à noite no jogão Palmeiras x Goiás, o Obina se reencontrou com sua lenda pessoal e destino manifesto dos centro-avantes: o gol. Para ser fiel aos fatos, o "homem acarajé" fez três e passou de calcanhar para outro marcar. Não, Obina não é um clássico, nem é um centro-avante brilhante, ele se aproxima mais de um trabalhador esforçado ou homem comum em seu dia de herói. Em poucos minutos, o futebol proporcionou a experiência de radical metamorfose de um homem: de "humilhado e ofendido" operário para o portador da "vontade de poder" de um artista genial. É por essas e outras que o poeta e vascaíno Carlos Drummond de Andrade presta essa homenagem:

FUTEBOL

Futebol se joga no estádio?
Futebol se joga na praia,
Futebol se joga na rua,
Futebol se joga na alma.
A bola é a mesma: forma sacra
para craques e pernas-de-pau.
Mesma volúpia de chutar
na delirante copa-mundo
ou no árido espaço do morro.
São vôos de estátuas súbitas,
desenhos feéricos, bailados
de pés e troncos entrançados.
Instantes lúdicos: flutua
o jogador, gravado no ar
_afinal, o corpo triunfante
da triste lei da gravidade.

Traíra

O professor de Harvard e intelectual renomado Roberto Mangabeira Unger é um personagem problemático. Ele teve o mérito de ousar romper os limites canônicos entre as esferas da Ciência e da Política estabelecidos por Max Weber. De acordo o sociólogo alemão, o conhecimento e a ação política seriam definitivamente separados por duas éticas irreconciliáveis: a convicção sobre conceitos e valores explicativo-normativos seria essencialmente distinta da responsabilidade dos compromissos e acordos da esfera pública. Pois bem, ao tentar flexibilizar esses limites, Mangabeira se entregou a uma mistura de ativismo delirante e messianismo intelectual sem compromisso coletivo: a "solução final" para os dilemas estruturais da sociedade brasileira já dependeu da liderança carismática de Brizola, passou por Ciro Gomes, e agora encontra no velho PMDB de guerra o protagonista de ocasião. O engano e o erro são direitos fundamentais do homem e do cidadão, e se o sujeito quer queimar a sua reputação intelectual anglo-saxã com aventuras tropicais o problema é dele. Contudo, o caso do Mangabeira parece um típico caso de transtorno psiquiátrico de personalidade ou simples desvio de caráter: afinal de contas como ser intelectualmente consistente e politicamente coerente sendo nomeado ministro-formulador estratégico de um governo que se considera "o mais corrupto da História"? Mas a obsessiva "ética da malandragem" de Mangabeira não para: a jornalista Mônica Bérgamo acaba de revelar na edição de hoje (30/10/09) da F. de S. Paulo a trairagem de Mangabeira Unger que, enquanto ministro do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, articulava com o PMDB para atrapalhar a aliança do partido com Dilma Rousseff, candidata petista à Presidência. Segundo a reportagem, entre outras coisas, ele se reuniu discretamente com Orestes Quércia (PMDB-SP), que apoia José Serra (PSDB-SP), para apresentar uma "proposta de desenvolvimento do país". Quércia foi taxativo na resposta. "Podemos avaliar isso, mas não estou dizendo aqui que te apoio como candidato à Presidência pelo PMDB."
Como diz o mestre Bezerra da Silva:
"E malandro é malandro e mané é mané
Podes crer que é
E malandro é malandro e mané é mané
Podes crer que é
Malandro é o cara que sabe das coisas
Malandro é aquele que sabe o que quer
E não se compara com um Zé Mané (...)
Já o Mané ele tem sua meta
Não pode ver nada que ele cagueta
Mané é um homem que moral não tem
Vai pro samba paquera e não ganha ninguém
Está sempre duro é um cara azarado
E também puxa saco pra sobreviver
Mané é um homem desconsiderado
E da vida ele tem muito que aprender"

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Accountability – II

No artigo anterior procuramos apontar para alguns aspectos do problema da responsabilização dos governos, afirmamos que nas democracias modernas o voto é instrumento clássico de “accountability”, mas infelizmente não é suficiente para garantir aos cidadãos condições satisfatórias de punir e controlar seus representantes. Consideramos ainda, que a saída é apostar em medidas de inovação institucional que permitam aproximar eleitores de eleitos.

Defender esta estratégia não significa adotar uma visão institucionalista que negligencie as relações políticas existentes fora das estruturas institucionais, o antropólogo norte americano Clifford Geertz já alertava na década de setenta para a necessidade de pensar os processos políticos como fenômenos “mais amplos e profundos do que as instituições formais destinadas a regumentá-los”. Sem desconsiderar essa perspectiva teórica acreditamos que existe espaço para discutir e implementar medidas de renovação institucional capazes de alargar os espaços interativos entre os atores políticos ampliando a arena decisória com o objetivo de perseguir o incremento da legitimidade dos detentores do mandato público.

Consideramos que é um risco grave manter a inércia diante dos sinais cada vez mais claros de esgaçamento da relação representante – representado, é obrigação dos primeiros assumirem o desafio de enfrentar este obstáculo à efetiva democratização. Enquanto detentores de mandato eletivo estiverem capturados pela estrita lógica da sobrevivência eleitoral sem desprender energias no sentido de refletir sobre as mudanças necessárias para aprimorar institucionalmente a democracia dificilmente sairemos deste marasmo.

O exemplo de reformas recentes pode servir de ponto de partida para reflexões e debates a cerca do futuro da representação política no Brasil. Refiro-me as reformas realizadas nas últimas décadas pela Assembléia Estadual de Minas Gerais. Desde a década de oitenta a ALEMG realiza uma série de mudanças que apresentaram promissores resultados - a partir de um diagnóstico da grave crise que assolava aquela Casa - seus funcionários iniciaram uma série de debates que culminaram com reformas inovadoras no sentido de ampliar a participação e a transparência dos trabalhos legislativos aproximando a sociedade dos seus representantes.

Uma série de mudanças transformou o perfil dos funcionários da ALEMG: recrutados por concursos, permanentemente treinados e submetidos a um plano de carreira criterioso, integram hoje um corpo de profissionais em condições de subsidiar os trabalhos legislativos com informações que não são produzidas pelo Executivo. Com o objetivo de ampliar a interlocução com a sociedade foram criados os “Seminários Legislativos” que permitem a participação de diversos setores organizados cujas contribuições servem de base para formulação de várias iniciativas legislativas. Paralelamente, graças ao uso da informática, foram introduzidas mudanças que visam estabelecer permanente participação e controle sobre o processo decisório garantindo visibilidade para os trabalhos dos deputados. Por último, ressaltamos a inclusão de novas formas de participação política que deram a qualquer cidadão a oportunidade de valer-se da “proposição de lei” para formular e defender projetos que são submetidos ao plenário da Casa.

Reconhecer tais avanços não significa pretender encontrar na ALEMG um modelo ou mesmo negar problemas relativos a permanência de práticas fisiológicas, Minas Gerais não tem o Legislativo mais democrático do mundo, nos parece coerente dizer que estão no caminho certo mas há longa estrada pela frente. É preciso avaliar com atenção as transformações promovidas a fim de orientar nossas perspectivas de mudanças. Faz todo sentido prestar atenção nas palavras do escritor inglês Samuel Johnson: “O exemplo é sempre mais eficaz que o preceito.”

Artigo publicado no Jornal Monitor Campista

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Penalti roubado não entra mesmo!

Chico D'Angelo na UFF hoje

O blog recebeu o seguinte e-mail da professora Ana Maria Almeida, a Aninha:

O Deputado Federal do PT e médico, Chico D’Angelo, estará nesta segunda-feira, 26 de outubro, no Polo da UFF em Campos, para uma palestra sobre as condições da Saúde Pública no Brasil, às 19 horas. Na ocasião o Deputado fará a entrega do ônibus comprado para a UFF Campos com recursos de Emenda Parlamentar do Deputado. O Deputado chegará às 17 horas, quando visitará a área do novo campus; em seguida, às 18 horas, terá uma reunião com os dirigentes da UFF/Campos e, às 19 horas, dará a palestra.
Toda a comunidade campista está convidada a comparecer.
O Deputado Chico D’Angelo teve grande votação em Campos nas últimas eleições e tem sido um aliado e apoiador entusiasta do Projeto de Expansão da UFF em Campos. Ele foi o principal articulador na cessão do terreno da ex-RFFSA para a construção do novo campus da UFF em Campos, num terreno de 22.500m², que abrigará os sete cursos que a UFF oferecerá a partir de 2010. O ônibus obtido com a Emenda Parlamentar possibilitará que os alunos da UFF possam participar de eventos do Movimento Estudantil e de eventos acadêmicos, bem como viabilizará parte importante da formação acadêmica dos alunos, através das visitas e pesquisas de campo, fundamentais em cursos como o Geografia, e outros. Além disso, a Direção da UFF em Campos e o deputado Chico D’Angelo, com a compra do ônibus, buscam atender às demandas dos alunos da UNITI-Universidade da Terceira Idade, da UFF/Campos, para os seus eventos culturais.
Portanto, além de ser brindada com a palestra do brilhante médico e Deputado, a UFF/Campos agradece mais uma vez a parceria de Chico D’Angelo no seu Projeto de Expansão.

domingo, 25 de outubro de 2009

Em defesa da política

O cientista social gramsciano e professor da Unesp Marco Aurélio Nogueira renova, na entrevista abaixo, os argumentos esgrimidos no importante livro Em Defesa da Política (2001):

- Como o senhor define a ideia de política hoje?
- A ideia tem uma bifurcação: de um lado, a conquista, a conservação e o uso do poder; do outro, a construção de laços de convivência entre as pessoas. Esses dois sentidos têm convivido ao longo do tempo. No mundo moderno, prevalece o conceito de política associado ao poder. Mas ganhamos mais ao entender que nenhuma comunidade pode se estruturar no mundo atual, se não praticar as boas normas da política como construção de espaços coletivos.

- Num momento em que atividade política está tão desacreditada, por que ainda defendê-la?
- Se quisermos trabalhar com esse conceito mais ampliado, defender a política é defender as próprias condições de sobrevivência da sociedade brasileira. Se, por um passe de mágica, eliminarmos a política da nossa existência, não ficaremos apenas livres do Congresso, dos partidos e dos políticos, mas também de tudo o que nos dá condições para interagirmos de maneira organizada. Vale a pena defendê-la porque, quando falamos em Política com P, estamos falando também de honestidade e lisura. Defender a política contra eventuais atos de corrupção é defender a recuperação dessa dimensão da idoneidade, que permanece extremamente importante.

- Apesar de todo o otimismo, o senhor mesmo reconhece que “o quadro geral é de descrença e de desilusão”. No caso concreto brasileiro, quais são as consequências imediatas que o senhor observa a partir da crise, em termos de interesse e participação popular?
- A principal consequência é o aumento da desilusão. Os maus exemplos dos políticos funcionam como uma dose adicional de jato frio nos cidadãos que já não estão muito empenhados na atividade política. No Brasil e no mundo, vemos um retrocesso das pessoas em termos de engajamento político. O cidadão típico do século XXI não é mais o cidadão disposto a sacrificar uma parte de seu tempo para defender causas de interesse comum. Os jovens, por exemplo, estão muito afastados da política prática, não só em termos de engajamento como de interesse pelos fatos políticos, ainda que possam ter preocupações sociais.

- O senhor afirma que o mundo atual fez da política “uma espécie de grife”, e que “ser contra os políticos é hoje um esporte mundial”. Por quê?
- Por onde andamos no Brasil, ouvimos as pessoas falarem mal da política e dos políticos. Ser contra os políticos virou indicador de modernidade, como se todos eles fossem sinônimos de atraso, e a própria política fosse inconveniente para a modernização da sociedade. Na verdade, vislumbramos um processo de muita afirmação da economia de mercado e do trabalho produtivo contra a política.

- Um exercício de imaginação: como seria a sociedade se não houvesse mais a política?
- Seria o que Thomas Hobbes (filósofo inglês do século XVII) chamou de “estado de natureza”. Uma sociedade sem regras e padrões de vida civilizada, na qual prevaleceria a lei do mais forte, de cada um por si e de ninguém por ninguém.

Fonte: A Gazeta (Espírito Santo) & Gramsci e o Brasil, Outubro de 2009.

Obama Bolivariano

Barack Obama e seu governo estão em sérias dificuldades: parece que agora é que ele e seus colaboradores perceberam as reais dimensões da "herança maldita" legada por Bush jr. Além de desfrutar dos dissabores da maior crise econômica da história (cujo cuja responsabilidade cabe principalmente ao irracionalismo cínico de mercado da "mão invisível") e suas implicações sociais devastadoras (desindustrialização e desempregos históricos), o presidente americano acabou prisioneiro da agenda político/social/ambiental/militar e ideológica da desastrosa gestão Bush II. Por isso, bastou o Obama querer governar e cumprir a fundamental promessa de campanha de construir um sistema de saúde básico com um mínimo de universalidade (os EUA são o único país desenvolvido sem NENHUMA proteção de saúde para os trabalhadores com baixos salários), para ser acusado histericamente de um mix stalinismo/nazismo. Do ponto de vista da economia real, a sua proposta (tímida) de regulamentação do mercado é de suprema urgência, contudo é tratada como estatismo ultrapassado (qualquer coincidência com a mídia tupiniquim é mera má-fé). Tamanha irracionalidade reacionária não ficou restrita aos guetos da "américa profunda" racista e fundamentalista cristã, pelo contrário, essa é a agenda fixa dos maiores empresários e donos da mídia. Portanto, para sair da defensiva e tentar realizar a agenda para qual foi legitimamente eleito, o presidente Obama mudou sua estratégia: abandonou a proposta de governar respaldado pelo consenso anódino e personalista da campanha vitoriosa, e partiu para o ataque dando "nomes aos bois". Afirmou Obama que as empresas de mídia (especialmente o grupo Fox) serão tratadas tal qual elas tratam o Governo. Por essa atitude de protagonista está sendo acusado de cair na tentação "populista". Tal julgamento de valor militante (travestido de "independência" de opinião) das mídias consiste no velho e atualíssimo controle ideológico dos atores políticos. O presidente Lula está certo: se o objetivo da imprensa é opinar e não informar, quem decide quais opiniões-interesses devem prevalecer na cobertura das empresas de comunicação?