Na última sexta-feira mais uma mega operação policial – desta feita protagonizada pela polícia civil fluminense – expôs traços lamentáveis da política em Campos ao longo das últimas décadas. A operação
Alta tensão revela, em diversas evidências apontadas pelas investigações, práticas já indicadas pelas operações
Telhado de Vidro e, mais recentemente,
Cinquentinha, da polícia federal.
Independentemente de imputar
a priori responsabilidades aos chefes do Executivo – recentes e atuais, que são, no mínimo, ineptos por permitirem e fortalecerem em suas gestões a presença de notáveis “quadros políticos” indiciados por práticas nada republicanas – cabe constatar que – ao contrário do que se depreende da mais recente opção eleitoral dos cidadãos campistas – não há “mudança” alguma no
modus operandi que viceja há vinte anos na política local. Isto fica latente se observarmos o dinâmico deslocamento político de indiciados nas operações citadas entre os grupos que se enfrentaram no segundo turno de 2008.
Assim, considerando a presença de uma mesma gênese nos grupos políticos que polarizam a disputa recente pelo poder local, o título do artigo – que poderia ser também uma clássica indicação bibliográfica, aliás sempre oportuna – quer provocar uma séria e complexa reflexão, voltada para a ação efetivamente republicana e transformadora na política local.
Decerto boa parte da sociedade verá este texto com desconfiança, ainda que muitas frentes eleitorais construídas recentemente por aqui recorram à idéia de “mudança”: Mudar de Verdade, Verdadeira mudança, Muda Campos 2. Ao fim e ao cabo, criadores e criaturas se alternam no poder e trocam acusações mútuas que se revelam consistentes a partir de operações e manchetes policiais.
Ao PT, partido que conduz experiência transformadora e bem sucedida na gestão da República, e que retomou neste ano a presença no parlamento local – historicamente relevante e combativa, a partir dos mandatos de Antonio Carlos Rangel e da saudosa Ivete Marins – não cabe o papel de linha auxiliar de qualquer um destes grupos. A renovação da direção partidária prevista para novembro cria momento oportuno para um debate estratégico sobre como afirmar o partido enquanto protagonista na difícil tarefa de implantar aqui um outro modelo de gestão, comprometido com a ética, a democracia e o desenvolvimento para todos os cidadãos.
Artigo publicado na edição de hoje da
Folha da Manhã.
Obs. O título do artigo, uma referência sutil a obra de Lênin, foi ligeiramente alterado na edição do matutino.