A edição de hoje (domingo) da
Folha da Manhã abre letras em manchete principal, sugerindo que a insistência de alguns correligionários do PMDB local em defesa da antecipação do resultado final do pleito municipal em curso - com a definição a partir da impugnação da candidatura do PDT, tornando desnecessário o 2º turno - resulta de uma insegurança relacionada aos rersultados nos pleitos de 2004 e 2006.
De fato, havia, às vésperas do 1º turno uma ofensiva ansiosa aqui na blogosfera de simpatizantes da candidatura de Rosinha que, de forma até intolerante, insistiam em defender uma espécie de "voto útil" para definir a parada no 1º turno.
Contudo, observamos a conjuntura atual como algo bem diferente do que se verificou em 2004 e, sobretudo, em 2006. Naqueles momentos, de fato, havia uma forte tendência de rejeição ao Governador Garotinho, que então se manifestava como um voto contra o PMDB, algo usual numa disputa em 2º turno. Assim, Campista se beneficiou sobremaneira das adesões no 2º turno, e Mocaiber já no 1º, numa espécie de voto útil. Grande fluxo de votos se deslocou pra ambas as candidaturas nas segundas rodadas de votação.
Contudo, creio eu, os episódios do
Telhado de Vidro devem mudar esta realidade. Com métodos de campanha que o tornam escravo da máquina administrativa, Arnaldo Vianna teve de absorver o desgaste de ter Mocaiber em sua campanha. Assim, herda também a revolta e indignação contra a gestão do Prefeito.
Com uma diferença de cerca de 10 mil votos para Rosinha no 1º turno, a pergunta que se faz é: De onde sairão os votos que Arnaldo precisaria para virar o jogo?
Os votos de
Odete não devem se mover em bloco. Boa parte deles deve migrar para abstenções e nulos. Num universo de cerca de 30 mil votos - Odete, Feijó e Vivório - Arnaldo não
dá de braçada como fizeram seus então candidatos, que cresceram em uma faixa mais larga e simpática do eleitorado. Vai ser difícil reverter aí a vantagem da Governadora. O Deputado vai precisar virar votos de Rosinha - tarefa que não é impossível mas hoje me parece difícil - para sair vitorioso do pleito. Ademais, com todo o respeito, Rosinha me parece um quadro eleitoral mais consistente que o Deputado Pudim, que venceu o primeiro turno nas recentes eleições mas ficou retido em uma "laje" imposta pela opinião pública, que dificultava o crescimento da candidatura do PMDB em ambas as ocasiões.