
Nesse aniversário de 111 anos do Clube de Regatas Vasco da Gama, celebrados no dia 21/08/09, a melhor homenagem que pode ser feita é colocar a razão a serviço da paixão. Ao contrário da abordagem apologética ou da parcialidade ideológica da perspectiva do torcedor, optei pela explicação objetiva e fundamentada da relevância histórica e social do meu Vascão, relizada por pesquisadores de diferentes áreas do conhecimento. Vamos aos fatos: No clássico
Negro, Macumba e Futebol, o crítico de origem germânica Anatol Rosenfeld nos informa: "No Rio, onde a imigração portuguesa predomina, o Vasco da Gama, seguindo a postura tipicamente portuguesa da democracia racial, foi um dos primeiros clubes que, ainda na época do amadorismo, reforçou seu time com elementos de cor, ao passo que o Flamengo adotava, naquela época, uma política estritamente 'branca'. O Vasco tornou-se uma verdadeira potência."O historiador da USP Hilário Franco JR (
A Dança dos Deuses: futebol, sociedade e cultura) confirma: "No Rio de Janeiro, o Vasco da Gama, clube que já havia elegido um presidente negro em 1904, Cândido Araújo, seria campeão na sua estréia na primeira divisão (em 1923), com jogadores negros e trabalhadores brancos, o que o tornou o clube mais popular na cidade durante as décadas de 1920 e 1930." O professor da UFRJ, idealizador do Laboratório do Tempo Presente, Francisco Carlos Teixeira Da Silva argumenta no belo livro
Memória Social do Esporte: "Ainda nos anos 10 os pobres _ e claro, negros e mestiços _ não podiam participar da vida do futebol,(...). Entretanto, a partir das conquistas do Bangu (1906-1910) e do Vasco (1923-1924), a pressão pela incorporação de negros e mestiços e a conseqüente ruptura com a regra do amadorismo tornaram-se o centro político do futebol brasileiro." O brilhante pesquisador Luís Miguel Wisnik, em
Veneno Remédio _ o Futebol e o Brasil, reflete sobre "a insuspeitada tomada simbólica do campo futebolístico brasileiro por negros e mulatos": "Vale lembrar que em 1923, o Vasco, venceria o campeonato caroca com um time pela primeira vez formado por brancos, negros e mulatos. Pode-se dizer, assim, que os portugueses fundadores do Vasco iniciaram a recolonozação do futebol brasileiro à sua maneira, sob o timbre da mestiçagem, dando condições econômicas para arrancá-lo do modelo anglófilo." É claro que podemos, ainda, encarar toda essa história através os olhos "imparciais" do poeta Aldir Blanc: "O Vasco da Gama soube, como nenhum outro clube, honrar a coragem do Almirante. Representa, em seu pendão, o suor português, a lágrima do índio, o sangue do negro. A história do Vasco confunde-se com a história do Brasil quando se trata de libertar, romper com o passado, quebrar grilhões e substituí-los pela esperança. Avante, Vascão, que, igualzinho ao fado, eu beijo as pedras do chão que pisares no caminho. E por ser o teu caminho o mar, as estrelas da bandeira, no futuro, serão tantas quantas as constelações que iluminaram a epopéia do Gama em direção ao Sonho.
Opa, derrubei o copo. Não faz mal. Em mesa de vascaíno, se não há vinho derramado, não há alegria."