
Esse foi o comentário irônico que algum dos meus leitores anônimos deixou na noite de ontem no post abaixo.
Imaginava coisa pior. Por isso, resolvi esfriar a cabeça e só retornar aqui hoje. Sofro muito com as derrotas do Fla. Acho que nem mesmo uma dor de corno literal me faria tão mal quanto uma derrota nas circunstâncias de ontem! Quando o time perde na bola, ou melhor, na falta dela, sofro calado. Mas quando ocorre algum fenômeno como o de ontem, viro um
Bagá, o famoso personagem de Renato Maurício Prado. Irracionalidade pura, raiva, lágrimas e
instintos mais primitivos. Quem me conhece um pouco não acreditaria no que veria se privasse de minha intimidade nesses momentos. O tranquilo Professor Fábio é capaz de dar uma cabeçada na parede, como fiz no lance do inesquecível gol de barriga do Renato Gaúcho. É uma paixão incontrolável, e uma raiva e uma tristeza sem fim. Ontem segurei um pouco a onda por estar com os babies sob meus cuidados; do contrário a fúria teria resultado numa ressaca sob os efeitos da qual certamente ainda estaria.
Mas feito esse desabafo, justificando a demora em fazer os comentários que seguem, vamos a eles.
O Flamengo pagou o preço por sua postura no primeiro tempo - além da má-fé, da incompetência ou da cegueira de Simon. A vantagem de um gol premiou o diferencial entre os times na primeira etapa do jogo: a postura. O Fla buscou o jogo apenas nos 15 primeiros minutos e nos dez subsequentes ao gol do time estrelado (dos 33' aos 43'). No finzinho, administrou o escore mínimo e abriu mão de pressionar em busca de um providencial empate antes do intervalo.
No segundo tempo o time foi outro. Partiu pra cima e equilibrou o jogo, chegando aos gols e, por duas vezes, ao empate, apesar das seguidas falhas de marcação - inadmissíveis em um time com três zagueiros e três volantes!
Com boa atuação dos meias Ibson e Kléberson, de Marcelinho, de Obina e de Tardelli, que entrou muito bem em seu retorno aos gramados, o Mengo fez por merecer o empate. Que seria sim um bom resultado e esteve a mão num lance onde Juan desequilibrou-se e perdeu um gol incrível embaixo das traves, num belo chute de Tardelli milagrosamente defendido pelo goleiro do Cruzeiro e no penalti clamoroso não marcado pelo inominável Simon.
Na verdade, o trio manifestou-se "caseiro" desde o início do jogo. Num lance absurdo nos primeiros minutos de partida o bandeira Bandeira - esse é o nome do elemento - marcou recuo de bola para Bruno onde obviamente não houve essa intenção. Mais tarde, já na metade do segundo tempo, ele voltou a prejudicar o Flamengo, que agora atacava pelo seu setor, marcando impedimentos inexistentes. O Ibson, de volta a boa forma, foi comedido e feliz ao fim do jogo: Que punição há para um larápio como Simon? Que direito esse rato tem de prejudicar o trabalho de um grupo e seguir arrogante e incólume como candidato a participar de mais uma Copa do Mundo? Há nisso um certo sentido, pois ele tem a cara da arbitragem brasileira - uma merda! - mas não é justo. Se atletas são punidos por indisciplina, os ganchos contra os árbitros que protagonizam erros grosseiros - com indícios de má-fé - devem ser bem mais rigorosos.
O Flamengo agora não depende mais só de si mesmo, caminha para um melancólico fim de campeonato onde pode ficar de fora da Libertadores por um mísero ponto. O mais triste é que, no confronto direto com os adversários pelas vagas, só leva desvantagem contra São Paulo e Cruzeiro. Contra Palmeiras e Grêmio não. Nesse caso, terá perdido a vaga por um dos muitos pontos perdidos no Maracanã frente a Portuguesa, Atlético-MG e Vitória (8 pontos)!