E mais, fiquei impressionado com o discurso afiado e habilidoso do pré-candidato petista. Serenidade e cautela contra o discurso falso e leviano que tenta indispor o candidato mais viável da seção fluminense do partido com a direção nacional e a nossa pré-candidata a sucessão de LULA, Dilma Roussef; precisão e firmeza no diagnóstico das limitaçãoes do governo do aliado Sérgio Cabral (PMDB), composto inclusive por quadros do PT.
O fato é que, como destacou o Deputado Chico D'Angelo (PT-RJ) em sua intervenção no debate, táticas, estratégias e composições à parte, o PT nesse momento não abre mão da hipótese de candidaturas próprias em vários Estados onde não tem tanta tradição de potencial eleitoral. É claro que só as convenções eleitorais definem o quadro, lá em 2010. Mas seria incompreensível a precipitação do governador do RJ no sentido de buscar uma reserva antecipada do apoio petista no Estado, não fosse claro seu desespero pelos modestos índices de popularidade de sua gestão.
Ora, na Bahia a situação é inversa. E frente aos ataques do Ministro Geddel ao nosso governador Jaques Wagner ninguém diz que ele quer desagregar a aliança governista no plano nacional, tampouco ele parece perder prestígio no governo federal. Por que nós, entusiastas da candidatura própria do PT fluminense aceitariamos essa pecha?
A apresentação de uma alternativa viável à Cabral ameaça interesses da direção nacional e da pré-candidatura Dilma, ou de setores hegemônicos no Diretório Regional que participam do governo e tem interesses eleitorais imediatos que podem ser facilitados pela máquina do mesmo?
Lindberg ponderou que não quer ser embaraço para a manutenção do projeto nacional em curso, mas, assim como eu, não acredita que sua candidatura será um constrangimento para Dilma. Se a candidata é boa - e é - natural e positivo que tenha mais de um palanque em alguns Estados.
Com prudência e moderação, Lindberg evitou em sua intervenção atacar o governo Cabral, reconhecendo, assim como também fez Godofredo Pinto, algumas parcerias do pemdebista com Prefeitos do PT. Contudo, não deixou de mencionar suas limitações, sobretudo em dois aspectos: segurança pública e educação!
Com relação ao último aspecto, remeteu à bem sucedida experiência do programa bairro-escola em, N. Iguaçu e destacou a prioridade para o ensino integral.
Criticou o abandono dos CIEPs e os salários dos professores da rede estadual, após dois anos de governo Cabral.
Ao final do evento, ao cumprimentar o companheiro, falamos sobre a possibilidade de agendar uma visita sua a Campos no próximo mês. Ele ficou animado. Tenho certeza que seu discurso há de entusiasmar quadros relevantes que, oportunamente, estão retomando a militância partidária no PT local.

FOTO: Tiago Cortes