sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

O PROFETA EM SUA TERRA (por Leminski)

Jerusalém, urgente — Na tarde de ontem, alguém que atende pelo nome de Jesus invadiu as dependências do Templo, agredindo e expulsando toda a casta de vendedores que ali exercia seu ofício.


O lunático, galileu pelo sotaque, entrou, subitamente, chutando as mesas dos mercadores de pombas e outros animais destinados ao sacrifício. Na confusão que se seguiu ao incidente, entre as moedas que rolavam pelas escadas, gaiolas quebradas, pombas que voavam, acorreram os guardas, que não conseguiram deitar as mãos no facínora.


O tal Jesus desapareceu no meio da multidão, que o acoberta, porque nele acredita ver um profeta. A reportagem apurou que o referido é natural de Nazaré, na Galiléia, filho de um carpinteiro.


Arrebanhou inúmeros seguidores entre os pescadores do Mar da Galiléia. Dizem que opera milagres. E descende, por linha direta, do rei Davi.


Entre os seus, fala aramaico, dominando, porém, o hebraico dos textos sagrados, que cita com frequência, chegando mesmo a discutir com os doutores da lei, fariseus e saduceus. Muitos vêem nele o Messias. As autoridades estão prontas para fazer frente a qualquer nova alteração da ordem provocada pelo tal Jesus ou por seus seguidores.


5 comentários:

Flávio Mussa Tavares disse...

Fábio,
Essa versão jornalística, verdadeiro furo sobre a chamada "expulsão dos vendilhões do templo" está muito própria.

Cairia muito bem um outro texto jornalístico analisando os fatos que se sucederam.

O possível "terrorista" zelota, de nome Yeshua ben Youssef foi preso e torturado pela Polícia Política de Roma. Após a sessão de tortura, foi exposto a julgamento popular que o condenou à crucificação.

Vale dizer também, poderia acrescentar o jornalista, que o mesmo jovem Yeshua, teve que viver um tempo de sua infância como exilado político no Egito. Isso por que o governo corrupto de Herodes, à época, considerou a possibilidade ( por análises astrológicas) dee o menino tornar-se um rei.

Xacal disse...

Flávio, Flávio,

Esqueceu de dizer alguns detalhes:

dizem que o terrorista, também conhecido como carpinteiro bastardo, tinha sérios problemas com a autoridade, causados pela frustração de não saber bem quem era seu pai...

um romance tórrido, e mal resolvido, com maria madalena também é apontado como uma das causas de sua tendência suicida...

um abraço...rsrsrs....

Anônimo disse...

Já vi muito maluco igual a ele, na hora da chamada para virar caveira pedir que orem em nome dele. Pedir arrego. Há dois mil anos, milhões de pessoas acreditaram e acreditam na história e na mensagem de Jesus. Só você e mais uns que se dizem ateus se acham com o direito de denegrir a história de Jesus. Cara, ainda bem que Deus é só amor e não ouve as merdas que você fala.

Flávio Mussa Tavares disse...

Grande Xacal.
Essa verve psicanalítica sua eu não conhecia. Qual corrente psicanalítica diz que quem não sabe a origem paterna tem problemas com o governo constituído? Ah! E essa de caso com Madalena é coisa do Scorcese e Dan Brown. Muito fraquinha afinal de contas.
Prefiro entender a questão óbvia: Ele se rebelou contra a opulência e o orgulho. Os judeus se queimaram com o orgulho. Os romanso se incomodaram com a opulencia.

FÁBIO SIQUEIRA disse...

O coment anônimo foi liberado em nome da democracia e da liberdade de expressão.
Mas não me parece contribuir muito para o debate, muito embora o Xacal tenha feito mesmo uma provocação, respondida com presença de espírito e bom humor por Dr. Flávio.
Com todo o respeito a fé de todos, não vejo como a popularidade do cristianismo pode ser apresentada como argumento no debate. Se fosse assim, na base dos milhões de fiéis, não haveria mais competição de futebol, os títulos deveriam toods ser enviados para a Gávea, rs,rs,rs...
Ah, e nem todos "que se dizem ateus" - aqui há uma leviandade em chamar a todos esses de cínicos ou hipócritas! - são provocadores como meu amigo. Pedir talvez não seja o caso, mas muitos aceitariam de bom grado orações espontâneas de crentes que os amam, independente do credo. No amor eu acredito, então talvez possamos nos entender...
Mas não afronte meu senso crítico e racional!