sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Podia ter sido mais bonito...

Um dia iria acontecer... Como fatalmente há de acontecer na Copa do Mundo de profissionais. Depois de ganhar torneios olímpicos e Copas sub-17, o impetuoso e irreverente futebol africano acaba de frustar a nação e conquistar pela primeira vez uma edição da Copa do Mundo sub-20.
Sempre caracterizados como ofensivos, habilidosos, ingênuos e irresponsáveis, os bons times africanos costumam pregar peças contra gigantes do esporte bretão. O Brasil, assim como os hermanos, já foram vítimas deste estilo alegre e pra frente em Jogos Olímpicos.
Quis o destino que a Copa sub-20 conquistada agora há pouco por Gana fugisse a esta característica. O time campeão, até então o mais ofensivo do certame, foi campeão se abstendo de agredir o Brasil, que não foi ameaçado em nenhum momento do jogo no tempo normal. A partida ficou mais equilibrada na prorrogação, ainda assim o Brasil teve as chances mais efetivas de resolver a parada com bola rolando.
O campeão se limitou a marcar e esperar o Brasil, que abusou de cadenciar o jogo, achou que venceria a qualquer momento e ainda desperdiçou as chances de gol que teve - não foram muitas. O enfim campeão africano mais parecia a Itália, ou a Grécia. Marcando, esperando, buscando os penaltis. Nada de ousadia ou alegria irresponsável. Podem ter aprendido conosco em 1994 que campeões devem ter disciplina tática. Podem ter sentido a expulsão de um jogador aos 36' do 1º tempo - mas até então também não incomodaram o adversário - ou respeitado o Brasil e admitido a superioridade do time de Rogério Lourenço...
E vieram os penaltis, e, ao contrário do que faria supor a bela cobrança de Alan Kardec, faltou equilíbrio aos meninos do Brasil. E veio o título de Gana. Parabéns a um time que fez uma campanha correta. Mas na final ficaram devendo. Podia ter tido mais mérito, podia ter sido mais bonito.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Amanhã nas bancas

Canções do Rei numa hora dessas...

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Viva os Blogs

O tradicional jornal inglês The Guardian anunciou, aqui, que vai contratar blogueiros para fazer a cobertura de notícias importantes em nível local. O título de jonalista é “desejável” embora não seja obrigatório, a experiência começa ano que vem e contemplará as cidades de Leeds, Cardiff e Edimburgo. A editora de temas locais, Sarah Hartley, afirmou:

“Ao pesquisar a evolução do jornalismo comunitário, eu tenho ficado impressionada com a variedade e a profundidade da cobertura local realizada por websites e blogs. Este projeto experimental reflete a natureza mutável do jornalismo...”

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Esclarecimento

Com relação aos debates envolvendo o próximo PED do PT local, não será esse blog que irá deteriorar as perspectivas de um grande entendimento no próximo Diretório, voltado para qualificar o partido como principal alternativa para os eleitores cansados do modelo vigente há vinte anos no município. Reconhecemos a importância do mandato da Vereadora Odisséia Carvalho nesse sentido.
Não obstante, somos forçados a esclarecer a sociedade que não manifestei apoio a nenhuma das candidaturas envolvidas no segundo turno em 2008. Não declarei voto algum neste momento do pleito. Nosso apoio público se restringiu a manifestação de voto na professora Odete (PCdoB) no primeiro turno. Logo, muito fraternamente, não entendo o que a cara companheira Vereadora identificou como "indicativo de apoio" a prefeita, na edição de domingo de O Diário.

Política habitacional tucana:

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Não é sério.

Recebemoa aqui um atencioso comentário da SECOM da prefeitura na última vez que tratamos do assunto. Mas este não respondia as críticas centrais daquele post.
Na manhã de hoje, ao cruzar a cidade do Parque Esplanada até o Parque Rosário, utilizei dois ônibus. Em ambas as linhas - Pecuária, Viação Tamandaré e Capão, Viação Siqueira - circulavam os malditos microônibus e voltei a observar - e a me indignar! - com a situação dos idosos.
Só na linha Pecuária, três idosos pagaram a passagem integral (R$ 1,60), já que os dois assentos destinados à gratuidade nos famigerados micro já estavam ocupados por outros dois senhores. Eles eram portadores do "cartão cidadão" (?) classificado como "isenção". Na prática esse cartão é inócuo, pois deixa os idosos isentos de qualquer benefício, mesmo do desconto oferecido aos portadores do cartão "redução". O acesso aos dois lugares reservados nos micro é garantido apenas com o documento de identidade! Um absurdo!
Como já dissemos aqui, a utilização indiscriminada dos microônibus na maioria das linhas, sem critérios que preservem os usuários, além do desconforto proporcionado ao universo dos passageiros é, na prática, um artifício que vem sendo utilizado pelas empresas subsidiadas para burlar o direito dos idosos!
Cabe ao poder concedente, com a autoridade de quem irriga mensalmente os cofres das empresas concessionárias, preservar este direito. Ou os idosos são menos "cidadãos" que os outros?

Pet na seleção...

Da Sérvia!
Após a empolgante atuação contra os bambi no sábado, Petkovic comemorou a classificação do selecionado de seu país para a Copa da África do Sul - obtida num contundente 5X0 sobre a Romênia. "Foi cinco a zero? Chocolate" - disse, sorridente.
O nosso craque, modesto, desconversou sobre a hipótese de jogar o Mundial - "Estou muito velho já, né? Se tivesse dez anos menos dava para enganar" - e, apesar do seu histórico de desentendimentos com ex-treinadores daquela seleção, fato que explica suas poucas convocações, elogiou o técnico atual, Radomir Antic.
Sei não, mas apesar da qualidade da equipe - que deixou a França na repescagem - não deve haver no escrete tantos meias experientes jogando o fino como o nosso gringo no momento. Mr. Antic deveria abrir o olho e conferir DVDs dos últimos jogos do Mengão, bem como acompanhar as próximas partidas do rubro-negro! Alguém se lembra de como o camaronês Milla, com quatro anos a mais que Pet hoje estraçalhou na Copa de 1990?
Alô internautas da Sérvia, alô Mr. Antic, o blog lança aqui a campanha pela convocação do Pet para a Copa 2010!!!

Cazuza numa hora dessas...

Sobre capitalismo e brinquedos

Minha querida mãe considera uma heresia, mas a Padroeira há de me perdoar. Para mim, a maior referência do feriado de hoje é e será sempre o “Dia das crianças”! A ansiedade do menino que fui para que chegasse anualmente o 12 de outubro, e com ele os tão esperados presentes – que invariavelmente também marcavam o natal e o meu aniversário – fez com que tal data se associasse eternamente a brinquedos.
Pois esta semana me vi de novo meio menino ao buscar um presente pedido insistentemente por meu petiz, um desses brinquedos da moda. Quase acrescentei ao pedido alguns outros pequenos bonecos, que pouco mudaram se comparados aos quais este articulista colecionava há mais de vinte e cinco anos atrás e cujo interesse parece ter sido herdado por meu filho. Mas havia uma diferença: o preço. Não que eles fossem baratos nos anos 80, mas então, muitas vezes eram vendidos em conjunto, o que reduzia o preço unitário. Agora são quase sempre vendidos separadamente. Alguns personagens da DC comics também estão mais bonitos e articulados. Já os soldados articulados que compunham minha coleção favorita sempre foram vendidos de forma unitária e mudaram muito pouco. Revitalizados por recente lançamento cinematográfico que os recolocaram nos holofotes do mercado, estão caríssimos! Hesitei ainda frente a um pequeno Wolverine com o qual nós dois, pai e filho, certamente gostaríamos muito de brincar juntos. O preço também estava proibitivo. Minhas compras ficaram restritas aos itens encomendados!
Essa pequena crônica de um pai nostálgico numa loja de brinquedos introduz uma triste conclusão no dia dedicado aos pequenos. Enquanto a maioria dos brasileiros estão sendo incluídos no consumo dos mais diversos produtos, muitos brinquedos continuam apenas na fantasia de crianças de diversas classes sociais, sobretudo das mais baixas. Para isso concorre a indústria cultural, que ao mesmo tempo em que massifica certos personagens, impõe pesados royalties sobre produtos associados a suas imagens. Recentemente, ao adquirir uma bicicleta para minha filha, economizei cerca de R$ 100,00 graças ao fato de que a ela interessava mais uma pequena cadeirinha para carregar suas bonecas do que imagens de personagens famosas adesivadas no quadro. O atencioso vendedor, com pinta de gerente ou lojista, confirmou sereno: “a diferença refere-se apenas aos royalties das imagens.” Soldadinhos made in China, similares aos tais que eu colecionava em minha infância, podem ser encontrados atualmente no mercado por preços que variam de 10% a 20% do valor das réplicas licenciadas dos personagens da antiga série de aventura.
Vivemos num novo Brasil, sob as bênçãos da padroeira. Que nos próximos anos, mais crianças possam ter acesso aos brinquedos que a mídia insiste em transformar em objetos de desejo até mesmo de marmanjos.

Adaptação de artigo publicado na edição de hoje da Folha da Manhã.

domingo, 11 de outubro de 2009

A Consolidação das Leis Sociais

O Governo Lula tem na questão social o centro de seu projeto político. Portanto, além de formular e implementar uma série de programas de inclusão social e distribuição de renda (vitais para justiça distributiva e funcionais para o fortalecimento do mercado interno), a gestão federal do PT se articula para garantir a manutenção dessas iniciativas como políticas de estado. Esse é o espírito das propostas da Lei Geral de Segurança e Proteção Social e da Consolidação das Leis Sociais. Veja abaixo a entrevista do Ministro da Justiça Tarso Genro sobre o assunto:

- O que pretende o governo?
O presidente Lula tem uma preocupação. Receia que alguns programas sociais do governo, ainda não fundamentados em lei, possam deixar de ser vistos como programas de Estado porque não tem a garantia de permanência. Então, ele fala em consolidação das leis sociais.
- Como será feito o trabalho?
Primeiro, estamos fazendo levantamento para identificar todos os programas sociais. Do nosso governo ou não, desde a Constituição de 88.
- Mas esses programas já não estão previstos em lei?
Alguns deles já são previstos em lei. Por exemplo: ProJovem, ProUni, Bolsa Familía, Minha Casa, Minha Vida, Pronasci e outros. Como já constam de leis, são programas de Estado, não de governo. Mas há outros que se baseiam em decretos ou portarias.
- Quais?
Nós ainda estamos fazendo o levantamento. Não tenmos a lista completa. Mas são programas criados por decreto ou portaria. Para esses casos, vamos propor iniciativas legislativas. Projetos que vão transformar esses programas sociais em obrigação legal para os próximos governos.
- É esse conjunto de leis que o presidente chama de CSL?
Não. Esse é outro estágio do nosso trabalho. Estamos verificando se há a possibilidade de constituirmos uma lei geral, para abrigar todos os programas sociais. A idéia é configurar um sistema de proteção social para as classes menos favorecidas. Não estamos tratando de trabalhadores formais, já protegidos pela CLT (Consolidação das Leis do Trabalho).
- Essa consolidação vai ao Congresso quando?
Esse é um estudo de fôlego, de mais longo prazo. Exige consultas à academia e a juristas das mais diversas formações.
- É coisa que possa ser feita antes do término do governo Lula?
Na minha avaliação, não. Vamos cumprir etapas, sem a preocupação de prestigiar qualquer governo. Vamos iniciar um processo, fixar um roteiro de consolidação de leis sociais que, em ultima análise, foram conquistas obtidas a partir da Constituição de 88. Deixaremos um roteiro.
- Não se está chovendo no molhado, uma vez que as leis já existem?
Não. Esse trabalho de longo prazo envolve a compatibilização das leis existentes, integrando-as numa visão de sistema de proteção social ampliado. Seria um plano infra-constitucional de tudo o que já foi produzido até agora. É uma iniciativa complementar, que não exclui as outras.
- Os senhores tem prazo para concluir o trabalho?
Sim. Em 45 dias apresentaremos um diagnóstico ao presidente. Estamos encarregados, eu e o Dulci, de consultar os outros ministérios. O Ipea vai trabalhar conosco. Nesse prazo, levaremos ao presidente o conjunto de iniciativas legislativas que se destinam a transformar em lei os programas hoje previstos em decretos e portarias. Caberá ao presidente decidir sobre a oportunidade de submetê-las à deliberação soberana do Congresso.
- Por que a CSL, mais abrangente, ficará só no esboço?
Essa parte do trabalho é de médio e longo prazo porque envolve uma proposta de maior abrangência. Note que a gênese da CLT começou em leis de 1930 e terminou com a edição da Consolidação das Leis do Trabalho, já na década de 40. Avançaremos no estudo. É um degrau que não exclui os outros. Vamos propor ao presidente que determine, por meio de decreto, desde logo, a publicação de um volume em que estejam contidas as leis sociais mais importantes, inclusive as que precedem a Constituição de 88.
- Será uma cartilha?
Na verdade, será uma publicação de conscientização de direitos. Um compêndio, um vade mecum das leis sociais do Brasil. Serão publicadas como fundamentação dos direitos da cidadania. Algo que servirá para dar visibilidade às conquistas que vieram da Constituição de 88 e antes dela. O segundo movimento, que não exclui o primeiro, é conjunto de projetos de lei que teriam o objetivo de fundamentar legalmetne programas sociais que são de iniciativas de vários governos e que ainda não ainda estão abrigados em lei. E a terceira iniciativa, mais complexa, é a análise da consolidação das leis sociais, que, na formulação do presidente, visa dar um sentido de permanência às conquistas sociais que ocorreram no país, evitando-se eventuais retrocessos.
- Há um cheiro de getulismo nessas iniciativas, não acha?
Olha, não creio. A época é outra. A CLT foi produto de um projeto não democrático, ditatorial, que deu uma enorme força pessoal ao presidente. Isso numa época em que não precisava fazer consultas à sociedade ou articulações com os meios juridico e parlamentar. As leis sociais que resultaram na CLT começaram a surgir antes da Revolução de 30. Não acho que estejamos agora incorrendo em nenhum tipo de getulismo. O que move o presidente Lula é uma preocupação social-democrata moderna de fazer essa consolidação das leis sociais. Transformar políticas de governo em políticas de Estado. É essa a preocupação do presidente.
- É final de governo. Estamos na ante-sala da sucessão. Não receia que o movimento seja interpretado como algo meramente eleitoral?
Não receio isso porque estamos lidando com conquistas universais. Não são conquistas do presidente Lula ou do PT. Cito o exemplo do Pronasci. Foi aprovado por unanimidade na Câmara e no Senado. Portanto, é uma conquista de todos os partidos. Seria difícil vincular isso a um partido ou a um governante. Não creio que seja sensata uma análise que reduza tudo a um pretenso objetivo eleitoral.

Josias de Souza in: blogdojosias (folhaonline)

sábado, 10 de outubro de 2009

Lindberg no ataque

Nessa última sexta-feira (09/10), ao término de uma semana repleta de movimentos táticos com vistas às eleições de 2010, o prefeito de Nova Iguaçu e pré-candidato do PT ao Governo do estado Lindberg Farias voltou a se posicionar de modo enfático na defesa da candidatura própria do partido no estado do Rio. Alguns dias após as ("deselegantes") declarações da ex-prefeita Marta Suplicy repudiando a hipotética candidatura de Ciro Gomes e reafirmando a necessidade de uma candidatura majoritária do PT em S.P. (na ocasião ela chegou a afirmar que Ciro "não tem nada a ver com S.P."), Lindberg partiu para o ataque: "Agora, um fato chama atenção. Depois de percorrerem o país falando em alianças amplas, em o PT abrir mão de candidaturas a governador em nome de um projeto nacional, importantes dirigentes nacionais do PT se calam e acham que em São Paulo não dá para abrir mão de candidatura nenhuma. Fazem uma análise pragmática. Sabem que sem candidato a governador, a chapa de deputados é prejudicada. Não ouvi nenhuma declaração do presidente do partido e deputado federal por São Paulo, Ricardo Berzoini. Agora, ele vem ao Rio falar que o PT tem que retirar a candidatura no Estado. Nós, do PT-RJ, não aceitamos."
Além disso, em face aos problemas enfrentados pela população com o precário e degradante serviço de trens no Rio, como também com a elitista conivência do Governo Cabral com os interesses da empresa SuperVia, ele declarou: "Há anos a população da Baixada sofre com os péssimos serviços prestados pela SuperVia. São atrasos nas viagens, desrespeito aos trabalhadores, falta de segurança e acidentes. Aqui estamos na Idade da Pedra, o sistema de transporte é totalmente ultrapassado." Num "mano a mano" direto com Cabral ele cobra: "E aí, governador? Ontem foi na Baixada; hoje, na Central do Brasil. É mais uma ação de vândalos, vagabundos?É hora do Governo do Estado assumir sua responsabilidade e tomar uma posição dura em relação à Supervia."
Segundo Lindberg (lindbergfarias.blogspot.com), não só por razões político-eleitorais mas em reação às prioridades da atual gestão, "Vamos ter candidato a governador, até mesmo porque essa é uma necessidade do povo trabalhador do Rio que precisa, novamente, unificar as forças que defendam seus interesses. A minha candidatura a governador deu mais um passo a frente porque, com esse fato, muitos que articulavam contra ela perderam a coerência e legitimidade de seus discursos.".

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Desandou

Após quatro partidas invicta, a defesa do Goyta volta a deixar apreensiva a esperançosa galera alvi-anil. Sem levar gol neste período - quatro vitórias do Azul da rua do gás - e na primeira etapa da partida em que foi derrotado agora há pouco no estádio luso-brasileiro, a zaga do Goytacaz permitiu ao ataque da Portuguesa ir às suas redes quatro vezes em apenas quarenta e cinco minutos.
Com a derrota, o Goyta, que já havia jogado mal na vitória contra o Bonsucesso sábado, no Arizão, perde a liderança e acende a luz amarela na difícil disputa por uma vaga na primeira divisão em 2010.
Tá certo que há equilíbrio na disputa, que o jogo era fora de casa, que a arbitragem mais uma vez agiu de forma "estranha", marcando um penalti inexistente quando a partida estava empatada. Ou seja, não é o fim da linha... Mas tomar uma virada de quatro vencendo por 2X0, numa disputa marcada pelo equilíbrio... É perder ótima oportunidade de construir o objetivo. E a Portuguesa vai virando um fantasma na vida do Goyta. Agora sábado, contra o Nova Iguaçu é vencer ou vencer para permanecer nas primeiras posições. Vamos lotar o Arizão!!! Apesar do vexame, dá-lhe Goyta!

Conseguimos conquistar com braço forte

Uma boa nova que merece ser anunciada é a abertura dos arquivos de importantes veículos de comunicação que estão disponibilizando on-line suas edições. O New York Times saiu na frente e a revista Life fez o mesmo, em associação com o google permite a visualização de dez milhões de fotos e vários textos. A revista foi uma das mais influentes publicações dos EUA e chegou a vender treze milhões e meio de exemplares por semana.

Vasculhar os números da revista é uma experiência muito interessante e revela importantes aspectos da sociedade americana e do mundo no século XX. Examinando a edição de dezembro de 1936 encontrei uma fotoreportagem do Brasil com um texto que espelhava bem a visão que o mundo desenvolvido tinha do nosso país. Em meio a várias imagens do Rio de Janeiro e da floresta amazônica lê-se: “Os conquistadores portugueses não trouxeram suas esposas e casaram-se com as índias, seus descendentes se juntaram aos negros escravos. A mistura não deu certo”. “Brasileiros são pessoas encantadoras, mas são incuravelmente preguiçosos... é uma colossal falha da humanidade”.

Era assim que o mundo via o Brasil: um país bonito, exótico e até simpático, mas irremediavelmente condenado ao fracasso em virtude de seu povo mestiço. Tais concepções eram amparadas nos trabalhos de escritores como Gobineau, Le bon e Taine que procuravam mostrar uma relação entre os atributos físicos e morais fazendo da “raça” um elemento definidor do futuro das nações. Gobineau que viveu no Rio de Janeiro por quinze meses chegou a escrever: "Trata-se de uma população totalmente mulata, viciada no sangue e no espírito e assustadoramente feia”. O pior é que essa leitura do Brasil era obedientemente repetida por nossos intelectuais, figuras como Nina Rodrigues, Silvio Romero e João Batista Lacerda não se cansavam de trombetear “as mazelas da miscigenação”, os males das “misturas das raças”, adotando uma visão colonizada do país que condenava nosso futuro.

O mundo mudou muito no século XX e as doutrinas que reivindicam superioridade “racial” foram fragorosamente desmoralizadas tanto pela realidade quanto pela genética. O Brasil também é outro país e não foi por acaso que fomos escolhidos para sediar as olimpíadas. Em 1980, os jogos de Moscou reconheciam a URSS como superpotência global que liderava o bloco comunista. Em Seul era a vez de reconhecer o avanço econômico de um país que em trinta anos se reergueu da guerra e se tornou uma potência regional. Em 1992 foi a vez de celebrar a nova Espanha democrática e desenvolvida. A oportunidade da Grécia veio em 2004, um reconhecimento ao seu progresso e estabilidade. As Olimpíadas de 2008 na China homologaram o status de potência econômica do século 21.

A escolha do Rio de Janeiro simboliza o prestígio do novo Brasil que surge com o governo Lula, representa uma mudança da percepção que o mundo todo tem do país e coroa os êxitos de um governo que projeta o Brasil a uma posição inédita no cenário global. Os jornais estrangeiros foram bastante enfáticos no registro de nossa nova imagem perante o mundo: o inglês The Guardian sentenciou que o Brasil será “superpotência global”, o Financial Times reconhece a emergência do país afirmando que o Brasil é decisivo nas rodadas de negociações internacionais, o americano The Christian Science Monitor cobra nossa entrada no conselho de segurança da ONU. O Wall Street Journal lembra que a escolha cristaliza nossa ascensão política e econômica. Enfim o planeta reconhece a nova condição internacional que só pode ser entendida como decorrência das mudanças que o país atravessa e como resultado de uma política externa que não se apequena diante do mundo.

O comovente e histórico discurso do presidente Lula em Copenhague sintetizou em pouco mais de seis minutos todas estas mudanças e o novo orgulho de ser brasileiro: “Olhando para os cinco aros do símbolo olímpico vejo neles o meu país, um Brasil de homens e mulheres de todos os continentes: Americanos, europeus, africanos, asiáticos todos orgulhosos de suas origens e mais orgulhosos de se sentirem brasileiros. Não só somos um povo misturado, mas um povo que gosta muito de ser misturado. É o que faz nossa identidade, digo com toda a franqueza chegou nossa hora.”

Artigo publicado no Monitor Campista

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Bicicleta: uma alternativa viável e correta

No ultimo dia 19 de setembro, em São Paulo, realizou-se mais uma versão do “desafio intermodal”. Tendo como referência a proposta de ambientalistas e urbanistas de se instituir anualmente o “Dia mundial sem carro” na data de 22 de setembro, o tal desafio se realiza há alguns anos e consiste em comparar o tempo gasto por usuários de diferentes meios de transporte para percorrer um mesmo trajeto. Na versão deste ano, o primeiro participante a chegar ao fim do trajeto pedalava uma bicicleta! O ciclista chegou ao fim do percurso antes de um motociclista e de um helicóptero.
Prova de que a bicicleta está na vanguarda de um planejamento urbano que considere a crise em curso no mundo contemporâneo, que não é apenas econômica, é também – e talvez seja sobretudo – uma crise ambiental. Vivemos numa conjuntura onde o excesso no consumo faz com que mesmo pessoas mais sensíveis a causa ambiental extrapolem o limite do que seria razoável consumir num contexto de desenvolvimento sustentável. Há um descompasso entre a produção capitalista demandada e o desejável em termos de equilíbrio ambiental. Muitos dos ativistas que partem desta premissa apontam o transporte urbano como um dos principais fatores de poluição ligados a esta lógica.
O carro, símbolo de ascensão social e de “independência”, utilizado cada vez mais de forma individualista, é o principal vilão entre os veículos poluidores, além de o aumento do volume da frota em circulação trazer transtornos a ordem e ao planejamento de cidades grandes e de médio porte.
A realidade de Campos se adequa bem a este debate. Aqui, pela cultura e topografia local, parece pertinente inserir uma tendência em voga na Europa, onde o uso a bicicleta tem sido recuperado como alternativa aos veículos poluidores. Tal debate aliás já existe entre amantes da bicicleta, urbanistas e empresários que, apoiados por instituições como IFF, UCAM, FAFIC e ISECENSA, planejam para breve um seminário onde essa discussão seja travada considerando a perspectiva local. Espero que governo local possa estar atento a esta iniciativa. A questão do transporte urbano vai além da passagem a R$ 1,00.

Artigo publicado na edição de hoje da Folha da Manhã.

Boladas

Arerê!
Além de inúmeras atividades militantes, paternas, profissionais e particulares que impedem a dinâmica regular deste blog, confesso que uma certa desconfiança fez com que esse assunto tenha ficado fora da pauta há tempos.
Mas agora, no momento em que, depois da leitura do Lance - durante exercício na ergométrica - volto a vestir minha "papagaio-de-vintém" carinhosamente guardada no armário há semanas após um belo banho matinal, sinto a alegria e o orgulho habitual para voltar a sorrir e crer na classificação do rubro-negro para a libertadores 2010, e há boas razões para isso:

1- A defesa se arrumou. A companhia de Alvaro fez muito bem ao bom Angelim e, bem protegido, Bruno, voltou a boa fase e há seis jogos não vai bsucar a bola nas redes.
Ontem, mesmo sem a segurança da zaga titular, o time não teve problemas nesse setor e manteve a invencibilidade e a sequencia de jogos sem sofrer gol;
2- O Imperador! E aqui não há muito o que comentar. Artilheiro do campeonato e solução para o incômodo problema de falta de gols dos atacantes que marcou o time no carioca, apesar do título;
3- A melhora no desmpenho de jogadores como Petkovic - bem melhor no Fla do que nos tempos de Flu, Atlético e Goiás - Leo Moura, Zé Roberto, Fierro e Evérton. E a expectativa do retorno de Juan a forma, voltando a ser mais uma excelente opção do mengão para atacar pelas alas;
4- A campanha do segundo turno. Lembra muito a campanha do segundo turno de 2007, comandada por papai Joel. Mérito do Andrade. Com seu jeito manso e sua habitual elegância e inteligência, o craque, que fazia o simples de forma genial e eficiente nas quatros linhas, mostra que amadureceu muito com as experiências treinando equipes de base e como auxiliar técnico. É uma realidade. Um treinador maduro que mantém a tradição do Mengo em buscar boas soluções "caseiras" para o sucesso, como já foi com Zagalo e Carlinhos em outras ocasiões.

Por tudo isso a nação - que protagonizou ontem o maior publico do Brasileirão - voltou a sorrir. Os próximos jogos com Vitória e São Paulo envolvem grande expectativa. O Fla precisa vencer para alcançar o G-4, mas não terá Adriano, a serviço da seleção. Espero que o discreto Tromba tire mais um coelho da cartola.

Azul
No sábado o Goyta, mesmo jogando mal conseguiu mais três pontos e segue na ponta - ao lado do Sendas - da fase final da segundona carioca.
Quarta o jogo é fora, conta a Portuguesa, tradicional adversário e um dos concorrentes às duas vagas em disputa. Um empate já está de bom tamanho. Se beliscar uma vitória como contra o América melhor. Dá-lhe Goyta!

Ansiedade?
O Gustavo Carvalho também há tempos não escreve aqui sobre o Vasco. Nas ultimas rodadas o time caiu de rendimento segundo o professor Luciano D'Angelo, outro ilustre vascaíno.
Conversei rapidamente esta semana sobre a derrota para o Figueirense com o Professor Ricardo Antonio - também apaixonado cruzmaltino. Ele concordou comigo que a ansiedade deve estar atrapalhando. O Vasco, a nove pontos do acesso matemático, caiu de produção. No sábado a chuva atrapalhou - lembrei do jogo do Mengão contra o Inter - contudo, o Vila Nova ajudou segurando um empate com o guarani no Brinco de Ouro.
Xô vice
Agora, oito pontos separam o Vascão da série A. Dorival precisa acalmar e organizar o time rumo a este objetivo já. Mas o professor Ricardo me fez a mesma observação do taxista Pingo - destacada aqui há meses. Não basta o acesso. Os vascaínos querem o título. Nada de vice.

Relicário...

Get this widget | Track details | eSnips Social DNA

Cultura, literatura e idéias...

Amanhã em Niterói!Abraço e sucesso para o meu irmão e colaborador Gustavo Carvalho, para o querido Guilherme "Lery" Carvalho e para o gente boa Cícero nesse empreendimento!

O brasileiro e seu duplo

Nesse último domingo (04/10/09) o jornal Folha de S. Paulo dedicou um caderno Mais inteiro para divulgar e debater uma intrigante pesquisa de opinião nacional (Datafolha realizada entre 4 e 6 de agosto). Dois padrões opinativos surpreendentes são destados da análise dos dados brutos: a homogeneização de opinião dos brasileiros (independentemente de renda, escolaridade, religião, sexo, etc) e a desconfiança pública e generalizada com relação ao "outro" (compatibilizado com o elevado padrão moral da auto-avaliação dos indivíduos)! Ou seja, corrupção é um assunto do "outro", uma espécie de duplo criado pelo sado-masoquismo nacional e que emerge naquelas frases do senso comum que iniciam por "O brasileiro é assim ... ". Para a maioria da população entrevistada o ordenamento de suas respostas sobre o fenômeno da corrupção tem como resultado: trata-se de algo que ocorre no setor público, no governo (43%), é identificado como falta de ética (21%), com roubo de dinheiro (19%), etc. O emérito professor-pesquisador Wanderley G. dos Santos argumenta: "O principal objeto de interpretação consiste na variação de frequência nas respostas dentro de cada e entre as variáveis (sexo, renda, escolaridade etc.). (...) Mas precisamente aí é que sobressai a convergência normalizadora, antes da divergência derivada da autonomia individual." Na questão da assimetria entre a auto-percepção ética e condenação moral do "outro" na vida pública (discutidos pelo pensador Renato Lessa), nos posicionamos como um monstro filosófico: na consciência pessoal somos kantianos rigoristas morais, na consciência pública somos hobbesianos (no estado natural de nossa vida pública, eles, os brasileiros, são "lobos" que se devoram). W. G. dos Santos finaliza sua reflexão com um questionamento: "Duas questões decorrem da interpretação que ofereci. 1ª: quais são os grandes normalizadores da sociedade democrática brasileira contemporânea? (...) 2ª: em uma democracia, quais são as consequências políticas de uma sociedade sociologicamente normalizada? Tribuna livre."

domingo, 4 de outubro de 2009

Adios a "La Negra"