segunda-feira, 20 de julho de 2009

Lindberg e o PED

O blog do Roberto Moraes já registrou em seus aspectos fundamentais a reunião dos petistas e simpatizantes do prefeito de Nova Iguaçu em Campos com ele, para tratar de sua pré-candidatura ao governo do Estado, no último sábado, na ACIC.
Vale contudo registrar ainda um importante aspecto que indica o peso da pré-candidatura de Lindberg no interior do PT fluminense. Estiveram por aqui pra participar do evento dois dos três principais nomes colocados para ocupar a presidência do partido no Estado a partir do próximo PED. O atual vice-presidente, Lourival Casula, e Bismarck Alcântara.

Essa merenda cheira mal!

Ainda sem dar respostas efetivas à antiga pauta de reivindicações dos profissionais da educação da rede municipal – em que pese o diálogo em curso, compromissos e possibilidades manifestadas – a Prefeitura sinaliza com um retrocesso no que se refere à merenda escolar. Muito embora o malfadado edital que prevê a terceirização da merenda a ser servida em 83 grandes escolas da rede não aponte para a distribuição de “quentinhas” às nossas crianças, há de se lembrar que esse tipo de serviço e produto está gravado na memória desse articulista – e certamente da sociedade – bem como registrado nos arquivos da imprensa, como referência de superfaturamento e malversação do dinheiro público em vários episódios. Quem não se lembra dos processos licitatórios que favoreceram o “Rei das Quentinhas”, empresário que atuou por aqui no setor de limpeza pública? Pois bem, não importa se a terceirização em curso vai manter as cozinhas das escolas. O resultado tende a “azedar”, tal qual comida deteriorada, e já cheira mal.
Um dos principais cernes da questão está na pergunta repetida à exaustão, sem resposta, nas edições dos últimos dias 15, 16 e 17 deste jornal: quanto vai custar esta terceirização para os cofres públicos? A resposta a tal questão deve ser ainda confrontada com os custos atuais da merenda servida nas escolas da rede. Muito provavelmente a equação deve ser desfavorável aos cofres públicos. Foi assim há meses atrás quando o SEPE conseguiu constranger o governador Sérgio Cabral – tão criticado por Garotinho – a desistir de processo semelhante na rede estadual, aumentando os custos da merenda em mais de 500%.
Mas esse não é o único aspecto a ser lamentado. A terceirização diminui o controle sobre a qualidade nutricional da merenda oferecida aos estudantes – por mais indicações que haja nesse sentido no edital – e ataca o serviço público, ameaçando o emprego das merendeiras.
O argumento apresentado para justificar esse grave equívoco da gestão municipal – maior agilidade no processo burocrático, evitando interrupções na oferta da merenda por atrasos no fornecimento ocasionados por entraves nas licitações – não se sustenta. Há outras formas de se enfrentar o problema, como a concessão de autonomia financeira, descentralizando as compras que passariam a ser feitas pelas diretamente pelas escolas – sistema que funciona bem há anos na rede estadual. O governo poderia ainda orientar a compra junto a pequenos produtores rurais do município, fomentando a agricultura familiar local. São formas viáveis de garantir a racionalidade nas finanças públicas e a qualidade na dieta de nossas crianças.

Artigo publicado na edição de hoje da Folha da Manhã.

Boladas

"Equilíbrio"
Vivo ouvindo de alguém muito querida que o segredo do acerto é buisca pelo "equilíbrio". Pode não ser uma fórmula mágica, nem original, mas é uma mensagem útil, que deveria servir tanto pra diretoria do Flamengo quanto pra mim!
No início da temporada o time foi mais uma vez campeão carioca sem que seus atacantes marcassem com a regularidade mínima que se espera de jogadores do setor. Mas com Fabio Luciano esbanjando lucidez no comando de uma defesa consistente.
Pois bem, agora que a dupla formada por Emerson e pelo Imperador atinge uma média satisfatória - juntos, marcaram quatro gols nas últimas três partidas, dentre cinco apontados pelo rubro-negro - a defesa entrega o ouro, sofrendo seis gols nas mesmas parttidas!
É preciso arrumar urgentemente um companheiro de zaga pra Angelim, antes que se encerre a "janela" de transferência. Na próxima partida, quando todos os fracos beques que tem se revezado como seus companheiros de linha estarão suspensos, é capaz de ele se sair melhor sozinho! Já sabe de antemão que não tem cobertura decente.

Piada
O blog até tem evitado tripudiar da má fase tricolor. Mas, com todo respeito, hoje não dá pra resistir!
Repatriar o Renato Gaúcho como solução pra crise em curso parece piada - que eu consideraria de mau gosto se fosse pó-de-arroz.
A ausência de vitórias decisivas contra o Fla nos últimos anos parecem ter criado uma "mística da barrigada", que confere ao protagonista do último trauma que vivemos diante do decadente clube das Laranjeiras um status de messias que há de conduzir o Fluminense às glórias que o dinheiro do plano médico não tem conseguido comprar. Essa crença já custou ao clube uma Libertadores no ano passado.
Parreira é muito melhor treinador que Gaúcho. E creio que já está provado que sua recente saída do comando do Flu não foi a melhor solução para a crise, pois a responsabilidade pelos fracasos não pode a ele ser creditada.
Vale lembrar, embora seja ainda muito cedo pra isso, que um eventual rebaixamento retornará o tradicional clube ao estágio onde se encontrava quando foi "encaixado" na Taça João Havelange sem passar pela série B, após conquistar a série C, sob o comando de Parreira - o mesmo que agora foi escolhido como bode expiatório da incompetência dos presidentes do clube e do patrocinador. A direção do Flu - a de fato e a de direito - além de adorar Renato, parece também ser adepta da ingratidão.

Em débito
Informamos ainda aos adeptos da cruz de malta que o sub-editor desse espaço virtual, Monsieur Gustavo Carvalho vem sendo seguidamente instado a registrar aqui os últimos bravos resultados da nau vascaína - que segundo suas próprias palavras andou à deriva - na épica campanha de retorno à série A.
Depois não venham dizer que o blog é parcial!

Dá-lhe Goyta!
Como vocês já devem saber, o Goyta venceu mais uma ontem - 1x2 de virada sobre o Miguel Couto, fora - e lidera seu grupo na Segundona. Sábado o Arizão vai ferver.

sábado, 18 de julho de 2009

Lindberg em campos hoje.

O Prefeito de Nova Iguaçu - na foto com este blogueiro e com Luciano D'Angelo - pré-candidato ao governo do RJ fala hoje às 14:30 sobre os caminhos do PT fluminense e sobre sua pretensão de ser a nova liderança da política fluminense no auditório da ACIC. O evento é aberto a simpatizantes do PT e do ex-líder dos cara-pintadas.

Acusando o golpe...

A falta de tempo parece ser uma epidemia na blogosfera local...
Este modesto blog não foge a regra, e paga o preço!
A caixa de comentários está cheia de referências à infeliz idéia da Prefeitura, anunciada na quarta-feira pela SMEC, de terceirizar a merenda escolar em Campos. Como são quase todos coments anônimos, liberamos os que continham simples provocações ao blogueiro ou textos assinados sobre o assunto, que, de fato, refere-se a um grave equívoco. Reproduções de textos sobre experiências concretas de terceirização de merenda, sem identificação da fonte, foram moderadas.
Voltarei ao assunto...

ATUALIZADO em 18/07 às 11:20, para correções no texto original, escrito por um blogueiro exausto.

Nota triste

Que me desculpe o simpático Elmar e outros cruzeirenses, mas para este blog o principal mico da semana no esporte bretão foi a derrota do Mengão para o Palmeiras em pleno Maraca.
Pior de tudo foi levar gol marcado pelo reserva do Obina! Em rápida pesquisa na internet pude constatar que este blogueiro não foi o único a perceber a semelhança entre o centroavante "falsificado" do porco e o legítimo e lendáro Coalhada, do Chico Anísio. Era melhor deixar o Anjo negro jogar.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Do Arizão

Sou um eterno otimista, mas, como disse ontem pro gente boa Vitor Hugo ao final do Show do Moraes Moreira no SESI, já vi coisa muito pior numa estréia em Segundona no Arizão!
O time azul esteve bem contra o certinho Aperibeense. A defesa formada por João Carlos e Max me pareceu sólida e bem protegida pelo sério Flávio Pinto, os laterais apoiam bem sem que isso comprometa a postura defensiva e Rondinelli, outro velho conhecido da torcido azul, comanda o meio-campo a contento. Boa estréia contra um adversário que podia complicar mas, a rigor, só ameaçou realmente em uma bola na trave, chutada de fora da área aos 14' do segundo tempo. Apesar da redonda ter sido maltratada em alguns momentos por ambos os escretes, o Goyta esteve bem, venceu (1X0) e podia ter feito mais um ou dois gols. A expectativa agora é para que o time possa evoluir ainda mais com o entrosamento, a sequencia de jogos e as estréias de Herivelton, Flavio Medina e Valdiran.
Dá-lhe Goyta!

Da Conferência Municipal de Educação

Enfim o PCCS

Destaque na cerimônia de abertura da Conferência Municipal de Educação, na manhã de ontem, no Trianon, foi o anúncio feito pela Secretária Municipal de Educação, Professora Maria Auxiliadora Freitas, de que, finalmente, vai ser convocado o grupo de trabalho responsável por sugerir mudanças no PCCS do magistério com vistas à efetiva implementação do mesmo, conforme acordado em audiência com o SEPE em 12 de maio. Segundo Auxiliadora, a Prefeita Rosinha decidiu que vai começar pela Educação o tão esperado enquadramento dos servidores municipais no PCCS aprovado em 2002.

Valorização salarial e democracia

Também merece destaque a palestra inicial da Conferência, onde o Professor Helio Coelho - pra quem não sabe fundador e ex-dirigente do SEPE - enfatizou a importância de temas tão antigos - na pauta há mais de 40 anos - como valorização salarial e democracia nas escolas para o desenvolvimento efetivo das políticas públicas voltadas para o setor em Campos hoje. As bandeiras da greve de 79 continuam na pauta atual do SEPE, apesar da rede municipal ter praticamente triplicado de tamanho, conforme constatou o veterano companheiro, do alto de seus 42 de experiência no chão da escola.

Monlevade discute com conferencistas
Os participantes da Conferência vão ter hoje a oportunidade de debater os eixos do CONAE com o experiente educador João Monlevade. Ele, que é um dos principais articuladores da Grande conferência nacional de Educação que acontecerá no próximo ano, circulará por todos os grupos de trabalho e deve participar ainda da plenária final.

A escola entre a multidão criança e ursos dançarinos

Existem alguns temas que por serem tão exaustivamente abordados se convertem em verdadeiras armadilhas para quem se aventura por suas searas, o risco de escrever mais do mesmo e desabar em redundâncias é uma ameaça constante. Entre tantos temas capturados por esta lógica identificamos os debates sobre as relações entre democracia e educação. Incontáveis ângulos analíticos, perspectivas teóricas e referenciais ideológicos já produziram pilhas de livros, teses e artigos que tornaram o estudo uma tarefa para uma vida inteira. Todos os teóricos que abordaram o tema da democracia se referiram de alguma forma ao papel que a educação deve desempenhar na construção de sistemas democráticos.

O resultado foi um amplo leque de expectativas a cerca das potencialidades da educação que nos permitem navegar entre um ceticismo terminante e um otimismo onipotente. O economista e cientista político Tcheco, Joseph Schumpeter sustentou que a educação era incapaz de dotar o homem de meios para fazê-lo pensar por si mesmo em questões políticas: “o cidadão típico cai para um nível mais baixo de desempenho mental assim que entra no campo político. Argumenta e analisa de maneira infantil.” Na direção oposta o filosofo iluminista francês Helvétius acreditava que a educação tinha a capacidade ilimitada de moldar o homem e chegou mesmo a escrever no seu famoso livro “Do homem” que a “educação faz o que somos, nada é impossível para a educação: ela faz um urso dançar.”

No Brasil o estado realizou várias iniciativas no sentido de utilizar a educação como meio de influenciar a formação do cidadão, já em 1890 a Reforma de Instrução Pública de Benjamin Constant instituía a disciplina “Moral e cívica”, sob a influência positivista visava difundir os valores cívicos e “preparar” os cidadãos para as novas obrigações políticas que a recém proclamada república prometia oferecer. Vieram outras reformas que alteraram os enfoques e acrescentaram propósitos aos objetivos da disciplina, mas certamente a mais ambiciosa foi patrocinada pelo regime militar que transformou a disciplina em uma correia de transmissão dos ditames da segurança nacional.

Em 1993 durante o Governo Itamar Franco foi sancionada a lei que extinguia as disciplinas de Educação Moral e Cívica, de Organização Social e Política do Brasil e Estudos dos Problemas Brasileiros, nos currículos do ensino fundamental, médio e superior. A lei estabelecia que a carga horária respectiva e as funções daquelas disciplinas deveriam ser incorporadas, sob critério das instituições de ensino, às disciplinas de Ciências Humanas.

Existem hoje no congresso nacional pelo menos treze propostas de parlamentares, procurando reintroduzir nas escolas o estudo da educação moral e civismo, ou disciplina que contemple a ética e cidadania. Lembremos que a ética é um dos chamados temas transversais dos Parâmetros Curriculares Nacionais, mas não é uma disciplina obrigatória e sim parte de um conjunto de temas que devem ser abordados por diversas disciplinas.

A escola é hoje uma instituição soterrada de funções, houve uma enorme ampliação de suas atribuições e ao mesmo tempo não se realizou um investimento concreto na preparação dos professores para o exercício destes novos desafios. Entretanto é muito importante que a escola não se ausente desta tarefa tão urgente para o aprimoramento da democracia Brasileira. Já seria muito proveitoso um empenho no sentido de informar os estudantes a cerca da organização do Estado brasileiro; da Constituição; dos poderes da República e suas funções; dos processos democráticos e principalmente dos direitos políticos. Sempre me causou angústia assistir alunos concluindo o ensino médio e se espantando diante da descrição de seus direitos constitucionais. Não precisamos de novas disciplinas, a tarefa pode perfeitamente ser executada pela sociologia recentemente introduzida nos currículos escolares, afinal como afirmou o filósofo francês Rousseau: “formar cidadãos não é questão de dias, e para tê-los adultos é preciso educá-los desde crianças.”


Artigo publicado quarta feira, 15 de julho no Jornal Monitor Campista.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Democracia X Nepotismo

Matéria publicada na edição de ontem da Folha da Manhã destaca que 14 diretoras e vice-diretoras de escolas da rede municipal foram exoneradas por nepotismo.
Não as conheço e não posso avaliar a competência e o envolvimento comunitário de cada uma delas, tampouco sei se toda são professoras efetivas e concursadas para a rede e se preenchem os critérios legais para ocupar tais cargos. Mas se a gestão democrática já vigorasse em Campos, regulamentada por Lei própria - tramita na Câmara projeto do vereador Renato Barbosa (PT) neste sentido - elas poderiam estar amparadas pela democracia para exercerem tais cargos, desde que respaldadas pelas comunidades escolares. Devem estar lamentando agora a ausência deste critério na rede!

Moraes Moreira hoje no SESI

A boa de hoje é o show do baiano Moraes Moreira no SESI, às 20:00.
Ele apresenta o show A HISTÓRIA DOS NOVOS BAIANOS E OUTROS VERSOS, que integra a programação do Circuito cultural do SESI-RJ, coordenado por aqui pelo Fernando Rossi, o do teatro.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Sem consistência

Este blog entra num debate que está bombando na blogosfera local: as possibilidades da sucessão no governo do RJ.
Além de repercutir nota da coluna Panorama Político, d'O GLOBO, publicada na edição de hoje, o professor Roberto Moraes apresenta números de recente pesquisa do Instituto Mapear que indicam a inconsistência do governo Cabral à partir da avaliação de sua gestão pela opinião pública, muito aquém do que se esperaria de quem controla a máquina e tenta o tempo todo pegar carona na popularidade do presidente, a quem não se cansa de bajular. Pois bem, os números do Mapear - veja aqui - confirmam o seguinte: o governador tem a metade da popularidade (avaliação positiva) de LULA, enquanto sua avaliação negativa é o dobro da do presidente!
Por isso, apesar de o jornalista Ilimar Franco ainda afirmar que o PT nacional insiste no apoio a Cabral - o que é questionável se considerarmos a acolhida autorizada de Garotinho no PR, partido da base governista - ele já considera a hipótese de Dilma ter três palanques no Rio, também destacada por outro pré-candidato, o ex-Prefeito do Rio César Maia em seu ex-blog.

A propósito

LINDBERG EM CAMPOS

Está confirmado o encontro político do próximo sábado, com o pré-candidato do PT ao governo do Estado, Lindberg Farias.
A organização da reunião - que se realizará às 14:30 no auditório da ACIC - inicialmente articulada por este blogueiro, pelo professor Luciano D'Angelo e pelo mandato do Vereador Renato Barbosa, ganhou ontem a chancela do Diretório local do partido, representado por seu Presidente Hugo Diniz.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Apocalypse Now

O jornal O Globo de hoje (terça-feira, 14 de julho de 2009) noticia de maneira bombástica: Colapso Climático da Civilização. Tal afirmativa catastrófica vem respaldada naquele que é considerado o "maior relatório individual já feito sobre o futuro do planeta": State of the future 2009. Esse monumental trabalho de pesquisa, além de contar com a participação de 2700 especialistas, tem o apoio institucional de Unesco, Bird, Fundação Rockfeller, etc. Um dos aspectos centrais dessa investigação é a estreita relação entre os aspectos climático, econômico e político. O que só reforça a necessidade de responsabilização planetária e de uma tomada de atitude drástica por parte dos líderes políticos e econômicos do mundo. Nas palavras do relatório: "O escopo e a escala dos efeitos futuros das mudanças climáticas _ de alterações nos padrões climáticos à perda de rebanhos e ao desaparecimento de estados _ têm implicações sem precedentes para a estabilidade social e política. (...) Muitos vêem o atual desastre econômico como uma oportunidade para investir em novas gerações de tecnologias verdes, repensar a economia e nossas premissas sobre o desenvolvimento e colocar o mundo num caminho para um futuro melhor." Como diz Valentina: "Temos que cuidar do mundinho!"

Rumo à gestão democrática

Como anunciei aqui na última semana, na quarta-feira participei de audiência pública convocada pela Comissão de Educação da Câmara Municipal – presidida pela Vereadora D. Penha (PPS) – a partir de solicitação do SEPE Campos, para discutir prioritariamente a questão das eleições diretas para direção das escolas da rede municipal. Tal debate está pautado naquela Casa de Leis desde que o Vereador Renato Barbosa (PT) apresentou Projeto nesse sentido.
A audiência – que contou com a efetiva participação do Presidente da Câmara, Vereador Nelson Nahin (PMDB), responsável pela condução dos trabalhos – foi prestigiada por sete vereadores no total, que foram unânimes quanto ao apoio à proposta.
A representante da SMEC ponderou no sentido da sua disposição de, enquanto representante da Secretária, ouvir as considerações dos representantes da categoria dos profissionais da educação e dos Vereadores e esclarecer sobre as ações preliminares no sentido da reivindicação em curso na SMEC, qual sejam, estudos e discussões. Salientou ainda preocupações com o aspecto legal da implementação da gestão democrática sem contrariar a Constituição, e com a hipótese de “abuso de poder” por parte de gestoras eleitas. Nesse ponto, foi aparteada pelo Presidente da Casa que afirmou que tal comportamento, mesmo em caso de indicação, justifica a exoneração do cargo.
Esse articulista insistiu na tese de que, antes de possibilitar tais “abusos” – efetiva e constantemente verificados nos últimos anos em pleno vigor da prática das nomeações por indicações políticas – as eleições criam um envolvimento com as comunidades que, para além dos nossos interesses corporativos, gera compromissos fundamentais para o bom desenvolvimento das políticas públicas de Educação em Campos. Todos ganham com isso; além dos trabalhadores, a própria gestão da SMEC e, sobretudo, as crianças matriculadas na rede.
O tom dos discursos me deixou animado. O compromisso manifestado pelos membros do Legislativo presentes – incluindo a hipótese de transformar o projeto de Lei em trâmite em uma indicação autorizativa, agilizando a iniciativa da prefeita – fortalece nossa luta e inclui definitivamente o poder legislativo no debate. O modelo sugerido na oportunidade para avançar rumo as “diretas já”, evitando problemas relativos à legislação ou à gestão, converge com os entendimentos prévios entre SEPE Campos e SMEC. Ele orienta a constituição de um grupo de trabalho, envolvendo poder público e sociedade civil, para encaminhar de forma responsável o processo. A tarefa da nova direção do SEPE Campos é ampliar a mobilização nesse sentido.

Artigo publicado na edição de ontem (13/07) da Folha da Manhã.

ATUALIZAÇÃO às 07:47
Retificando: a audiência pública comentada no artigo reproduzido neste post foi realizada na última quinta-feira (09/02).

Manual de jornalismo

A agência Britânica Reuters disponibilizou seu manual de jornalismo na internet, aqui, o editor mundial de inovações e padrões de notícias, Dean Wright afirmou que o objetivo da divulgação é adotar uma atitude mais transparente com o leitor. É a primeira vez que a agência oferece gratuitamente este serviço.

O manual em inglês possui seis seções, entre elas: “padrões e valores”, “os dez mandamentos do jornalismo” e “orientação especializada”, que aborda questões como a atribuição de fontes, perigos legais, o uso da internet em reportagens, como lidar com free-lancers, e como agir diante de ameaças e reclamações.

Vale conferir...

sábado, 11 de julho de 2009

Agenda cultural

Se você já se cansou da 50ª Expo Agro, que praticamente monopoliza a programação dos campistas neste período, vai aqui uma boa pedida.
A Adriana Medeiros manda avisar que quem ainda não viu tem excelente oportunidade de conferir o excelente espetáculo O Auto do Ururau, e quem já viu pode rever a montagem, no palco do Trianon, hoje às 20:00 e amanhã às 19:00.
Sob a direção do craque Sisneiros, a peça foi contemplada em 2005 pelo conceituado Prêmio Shell, na categoria música, e conta com excelente elenco, onde pontificam a própria Adriana, Lucia Talabi, Toninho Ferreira e Alexandre Ferram, dentre outros talentos campistas.
Vale conferir!

Comemoração, samba e política

O blog recebeu e-mail do Vogner Moreira registrando que hoje quem "apaga as velinhas" é o combativo vereador macaense Danilo Funke - na foto com os prefeitos de Nova Iguaçu, Lindberg Farias, e de Maricá, Washington Quá Quá, e com o Deputado Chico D'Angelo (PT).Parabéns para o jovem parlamentar petista, que reúne amigos e companheiros de luta na AABB macaense com promessa de samba e bom papo ao longo do sábado.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Ser de direita

Angeli







Clique sobre a imagem para ver em tamanho maior.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Verear, pero no mucho - parte 3

No último artigo que apresentamos neste espaço escrevemos sobre as razões que podem ser apontadas a fim de explicar a ampla maioria que os executivos desfrutam nos Legislativos locais em todo o Brasil, afirmamos que um conjunto de fatores institucionais e sociais devem ser considerados se quisermos avançar na compreensão de fenômenos políticos como este, sem nos rendermos a uma atitude simplista de condenar os atores políticos a priori.

Pretendermos hoje, refletir sobre a natureza da relação que se estabelece entre os parlamentares locais e seus eleitores, nosso interesse é buscar entender que tipo de vínculos são celebrados e de que modo tais vínculos devem ser interpretados tendo em vista as formulações que alicerçam o sistema democrático brasileiro.

Uma relação ideal presume um eleitor consciente e informado que vota de acordo com suas preferências programáticas e faz do voto um instrumento de aprovação e punição dos líderes políticos que são julgados de acordo com sua coerência e capacidade de cumprir compromissos. Na outra ponta representantes que são capazes de formular um leque de pacotes programáticos que concorrem entre si oferecendo ao eleitor diferentes opções políticas.

Este modelo teórico orienta estudos e discursos desde a década de 1950 e é conhecido como “Responsible party goverment”, sua viabilização prática prescinde de cinco condições primeiro: é preciso que eleitores possuam preferências a respeito da alocação dos recursos do estado; segundo candidatos e partidos devem apresentar seus programas e estes podem ser comparados e distribuídos em uma escala de preferências; terceiro eleitores devem escolhem os programas mais compatíveis com suas prioridades levando em conta a credibilidade dos postulantes; quarto; partidos eleitos colocam em prática promessas de campanha e por fim na eleição subseqüente eleitores são capazes de julgar retrospectivamente o desempenho dos representantes eleitos.

Devemos reconhecer que o mundo real está muito distante disso. O cientista político alemão radicado no EUA Herbert Kitschelt publicou em 2007 um interessante livro chamado “Patrons, clients end policies”, segundo ele, este modelo teórico de democracia representativa não dá conta - mesmo em países de democracia avançada - de compreender as ligações que se estabelecem entre eleitores e representantes.

Responsabilizar eleitos segue sendo um desafio ciclópico, primeiro porque isto implica em alto custo de informação, segundo porque muitos eleitores não se recordam dos candidatos que elegeram e terceiro porque no caso de eleições legislativas a maioria dos eleitores não elege seus candidatos. Para se ter uma idéia mais de 70% dos campistas que votaram em 2008 não elegeram seus vereadores.

Por outro lado é crescente o fenômeno da indiferenciação de candidatos, campanhas eleitorais estão ficando cada vez mais parecidas tornado ainda mais caótica a escolha dos eleitores. Em Campos, especialmente nas campanhas para a Câmara, o debate eleitoral é muito frágil e pouco ou nada contribui para o amadurecimento político do eleitorado que se vê envolto em um emaranhado de nomes e siglas que muitas vezes mais confundem que esclarecem, a política se despolitiza.

A despolitização da política produz, entre outras, duas graves conseqüências: primeiro eleva o favor a condição de principal elo entre eleitores e candidatos. Favores são, quase sempre, obtidos no balcão do governo, em decorrência produzem-se compromissos adesistas geradores de mandatos acríticos. O segundo efeito é mais dramático e avançou ameaçadoramente em Campos, trata-se da compra de votos. Ato criminoso de difícil apuração, mas que notoriamente se amplia na cidade em eleições recentes. Quem acompanha os bastidores da política sabe que é comum se avaliar o potencial de um candidato a partir da quantidade de dinheiro que presumivelmente ele dispõe. O risco para a democracia é grave, nos ronda o perigo da plutocracia, como afirmou o filósofo italiano Norberto Bobbio: “...é cada vez mais decisivo o papel do dinheiro na política, ele se transformou de fato em um dos fatores essenciais para se vencer eleições, o dinheiro pode corromper a república.”

Artigo publicado no Monitor Campista quarta feira, 8 de junho.