domingo, 8 de novembro de 2009

"Caminhando contra o vento"

Caetano Veloso - que já foi classificado por José Guilherme Merquior conforme título do post do Gustavo Carvalho, logo abaixo - na sanha de acirrar polêmicas com o propósito promocional identificado pelo Wagner Tiso, ou de agradar a simpática Marina Silva, pode ter atentado contra seus interesses políticos ou no mercado cultural.
É que ao agredir gratuitamente LULA, incorpora um de seus mais famosos versos: "caminha contra o vento", ou seja, contra a opinião pública, incluída aí, certamente, grande parcela de seus fãs.

8 comentários:

Merquior disse...

Professor Fábio Siqueira, não precisa ser fã do Caetano para perceber que "Caminhando contra o vento", ser contra a unanimidade e o consenso pré-estabelecido é uma extrema VIRTUDE que tem fundamentos na CONTRACULTURA ("Sem lenço e sem documento"). Portanto, se a meta é para criticar Caetas o foco está errado!

FÁBIO SIQUEIRA disse...

Caro "médium",

O êxito de popularidade de LULA não representa qualquer "consenso pré-estabelecido", mas sim é resultado espontâneo e significativo de um juízo autônomo de amplos segmentos sociais, sobretudo das bases populares, aquelas que eram manipuladas pela mídia e pelas clases médias até este século. A expressão autônoma de opinião política pela maioria da sociedade, com evidentes reflexos eleitorais, representou o fim do que Franklin Martins chamou de "efeito pedra no lago".
Ademais, partimos do pressuposto apontado por Wagner Tiso - que a Caetano interessa mais mídia e promoção para seu album "ZieZie" (?) que sinceras polêmicas sobre virtudes na gestão pública, erudição dos governantes ou sobre contracultura. Assim, consideramos que para quem quer mercado e popularidade, criticar LULA não é uma postura muito "popular". Nem deve vender muito disco, rs,rs,rs...
Concluindo, esse cabloco deve tá de truta... Merquior não iria fazer essa mea defesa de Caetas "jamé"!
E fui, que hoje tô por conta é do jogão de logo mais.

Caetano Veloso disse...

Quanto pragmatismo rasteiro e desqualificado. Vocês "não entenderam nada"! Um artista genial como EU é o único homem livre da face da terra, estou acima das mesquinharias da disputa de poder dos homens médios. Como diria Nietzsche, Eu sou o "super-homem" que não pode tolerar esse discurso feito por e para "fracos" como vocês. Como diz o eterno presidente e elegante intelectual Fernando Henrique Cardoso vocês são os portadores do DNA do "autoritarismo popular", os arautos da "ditadura da maioria", os defensores dessa "república sindicalista" de mesaleiros! Eu sou Deus!

FÁBIO SIQUEIRA disse...

Rs,rs,rs,rs...
Estes comentários estão "ótimos"...
Impagável.

Marcelo Bessa Cabral disse...

Caetano só manifestou a opinião dele.

FÁBIO SIQUEIRA disse...

Caro Marcelo,

A liberdade de expressão e a diversidade de opiniões é algo que nos é caro.
Mas, convenhamos, chamar alguém de "analfabeto" e outras formas de desqualificação do interlocutor não constituem expressão mais adequada para argumentação e o debate.
Abs.

Anônimo disse...

Interessante a maneira como o Bessa apresenta a idéia de "liberdade de opinião".

A manifestação do que chama de "opinião", no banheiro da casa do Caetano ou entre amigos intimos é uma coisa. Outra coisa bem diferente é a manifestação de opinião no espaço público. Na lógica de Bessa o que chama de "expressar opinião" é simplesmente o sinônimo covarde de recusa ao debate e nada mais do que isso.

Claro Bessa.. Os neonazistas "expressam sua opinião" sobre as minorias e sob este direito, ao qual vc opera de forma como se fosse um sacramento, isto exime sequer de pensarmos sobre o que está sendo dito. Afinal, são só "opiniões".

Adorno disse...

Lembro um comentário de Jose Guilherme Merquior sobre o super- homem nietzschiniano "Caetano é um sub-intelectual de miolo mole".