quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Grandes confrontos no Mineirão

Essa partida, pela Libertadores de 1981, não chegou a ser o espetáculo que poderia ser, pois o escrete do Galo apelou, com agressão, reclamações e cai-cai frente as expulsões procedidas por S. Senhoria, José Roberto Wright. Interrompido aos 35' do primeiro tempo, o clássico merece registro por ser um encontro histórico dos grandes clubes em Libertadores - na edição que seria conquistada pelo Mengão - e pela polêmica.

Caça-níqueis medíocre

Alguns podem dizer que esse desdém tem a ver com a precoce eliminação do Mengão - ainda que invicto - frente ao Flu, logo na primeira fase da competição que para mim merece o título acima, a tal "Copa Sul-americana".
Mas o fato é que, após a eliminação do Botafogo e do San Lorenzo da Argentina frente a times ainda mais limitados que eles, fica a certeza do baixíssimo nível técnico do torneio. Francamente, River Plate do Uruguai deve ser algo como Flamengo-PI ou Botafogo-PB! Relevância do clube à parte, o time do River genérico é ruim de doer, assim como o do paraguaio Cerro Porteño - ainda que este seja um clube mais tradicional - que eliminou o Botafogo agora há pouco.
Com todo respeito aos tricolores e à recuperação do time do Flu nas últimas partidas, o momento atual do vice-campeão da Libertadores de 2008 está longe das suas maiores tradições. Seu adversário chileno de logo mais também é muito ruim. Inclusive o Flu perdeu ótima chance de já te-lo eliminado após estar vencendo por 2X0 no Maracanã.
Pela lógica, o campeão do torneio deve sair do confronto de logo mais entre o Vélez -campeão do último Clausura e atualmente na quarta colocação do Apertura no campeonato argentino - e a LDU, campeã da Libertadores 2008, única chave forte das quartas-de-final. Muito pouco para uma competição que, em tese, envolve a nata do futebol sul-americano!

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Paralisia física e cerebral da oposição

Na terça feira da semana passada a colunista Mirian Leitão escreveu no jornal O globo um artigo intitulado “Papel da oposição”. Nele faz duras críticas ao PSDB e ao DEM, chama os opositores de medrosos e omissos afirmando que não cumprem seu papel com receio da popularidade do presidente e em tom de indignação a colunista elabora uma pauta de ataques ao governo terminando seu “pito” exigindo que os opositores saiam das sombras e assumam sua obrigação de comparecer aos combates.

Parece que o apelo deu resultados, no sábado o ator Carlos Vereza, em artigo do mesmo jornal acusou Lula de ser um “autoritário militarista” que estabeleceu relações sombrias com os bandidos do PCC paulista a fim de garantir sua reeleição, além de ter criado uma “SS dos trópicos”- o MST - que não passa de um bando de “facínoras” “assassinos” e “invasores”. Olavo de Carvalho deve ter ficado com inveja desta.

No domingo foi à vez de Fernando Henrique Cardoso, o sociólogo foi ao ataque com o artigo “Para onde vamos?” É um texto pequeno onde apresenta sua leitura do Governo Lula e busca retomar a posição de líder da oposição. O artigo é uma lástima, digo isso por que cabe a ele municiar os aliados com as idéias que devem pautar as estratégias, ações e falas dos setores de oposição. Quem lê o artigo com essa esperança vai se frutar é melhor ler a Mirian Leitão.

O ex-presidente não escreve uma linha comparando seu governo com o atual, sabe que perde em tudo. FHC prefere começar duvidando da inteligência das pessoas de “bom senso” e afirma que “tem dúvidas” se serão capazes de refletir sobre os rumos do país, pois estão “inebriadas” com a propaganda oficial. O ex-presidente escreve sobre “pequenos desvios de conduta”, “pequenos arranhões na lei”, “pequenas transgressões”, fruto de um “DNA do autoritarismo popular” que não é culpa de Lula, mas está em “tudo que o cerca” e que vai “devagarinho”, “mesmo sem conspiração alguma” minando as bases da democracia.

Acusar alguém de ameaçar a democracia é muito grave, trata-se da maior conquista da sociedade brasileira em toda sua história, logo um ataque deste calibre deveria vir acompanhado de um relato circunstanciado dos fatos que comprovam uma acusação desta monta. Mas é justamente aí que o sociólogo se perde apontando para o nada e querendo que se veja lá o que não existe. Para FHC as ameaças ao estado democrático são: a pressa do governo em aprovar os marcos regulatórios do Pré-sal, o sistema de partilha proposto pelo governo para operar estas reservas, a “ingerência” governamental na Vale, o uso eleitoral das obras do PAC, e finalmente “os projetos de impacto” do governo através dos quais “vamos regressando a formas políticas do tempo do autoritarismo militar.” Confesso que li várias vezes para acreditar que era isso mesmo.

Essas são as ameaças à democracia? É isso que o ex-presidente tem para dizer? É com esse discurso que pretende liderar a oposição? Vejamos: o governo negociou com o congresso os prazos para a votação dos marcos do Pré-sal, o modelo de partilha proposto pelo governo para ser votado no congresso é adotado pela maioria dos países produtores, o presidente da Vale reconheceu na TV que o papel de Lula era pressionar mesmo, todos os governos em todas as democracias buscam capitalização eleitoral com suas realizações, inaugurar obras não ameaça a democracia, pode ameaçar os planos do PSDB, mas a democracia não.

Para terminar e mostrar que é mesmo sociólogo tasca um “conceito” novo, para FHC o condomínio governista é formado pelo estado; pelos sindicatos e movimentos sociais; pelos fundos de pensão e por empresários que desmoralizam os partidos e ameaçam - caso Dilma vença - implantar um “subperonismo lulista” cujo projeto é aniquilar a democracia. O jornalista Elio Gaspari tem razão quando diz que o PSDB está dominado por um “estado de paralisia física e cerebral.”

terça-feira, 3 de novembro de 2009

O sambista da hora

É Pedro Miranda. Seu novo disco, Pimenteira, arrancou elogios de Caetano Veloso - que anda rabugento e cujos comentários espinafrando Woody Allen repercutiram hoje na mesma edição do Segundo Caderno d'O GLOBO que destaca o seu novo trabalho!
O disco - seu segundo album - foi bem recebido pela crítica e está sendo lançado em show nesta noite, no Rival, com a especialíssima partticipação de Teresa Cristina.
Ele ainda participou do Samba na Gamboa, do Diogo Nogueira que acabou de ser exibido agora há pouco na Rede Brasil.

Deu no Ancelmo...

Repercutiu no Blog do Roberto Moraes...

O dia todo sem acesso à rede, tô desde a manhã com esta nota na ponta da língua, digo, dos dedos. Mas Mestre Bob, como bom guru, tá sempre atento e, apesar dos seus afazeres, não perde tempo com seu smartphone.
Desde as 09:32 ele cravou lá no seu blog - veja aqui - a referência que o Ancelmo Gois fez hoje a processo instalado no STF, a partir de denúncia de crime eleitoral, que remonta a apreensão de mais de R$ 300 mil no comitê do PMDB, no dia da eleição de 2004. Na ocasião, foi designado fiel depositário da quantia apreendida o atual Secretário de Controle da Prefeitura, Professor Suledil Bernardino, à época presidente do Diretório Municipal do partido.

Grandes confrontos no Mineirão

Para aumentar a expectativa pro grande clássico de domingo. Aqui, registro do Canal 100 da primeira partida da final de 1980, em 28/05. Na partida seguinte, no Maracanã, o Fla venceria - 3X2 - com gols de Nunes (2) e Zico e conquistaria o seu primeiro brasileirão.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Noel numa hora dessas...

A propósito do post "O autoritarismo impopular" do mano Gustavo Carvalho - leia abaixo - um sambinha para FHC:

Get this widget | Track details | eSnips Social DNA

Abu Dhabi e a nossa utopia

Como era de se imaginar, Rubinho Barrichello não conseguiu se credenciar para disputar o campeonato mundial da F-1 ontem, nos Emirados Árabes. Assim, com o título definido desde Interlagos em favor do mediano Jason Button – legítima expressão da escassez de talento na temporada deste ano – as atenções dos amantes da principal categoria do automobilismo ficaram voltadas neste domingo para o suntuoso autódromo Yas Marina, erguido em menos de um ano no deserto dos Emirados Árabes. O autódromo – dos mais modernos e belos do circuito da F-1, expressão da pujança e do desenvolvimento econômico, cultural e urbano da capital federal dos Emirados Árabes Unidos – foi construído em um período de tempo semelhante à duração do governo Rosinha.
A partir da riqueza do petróleo, a mesma que embala o crescimento exponencial do orçamento da nossa Campos – multiplicado por quinze em dez anos – o governo dos emires edificou o desenvolvimento social, com eficientes serviços públicos de saúde, transporte e educação e fez florescer o principal emirado com forte investimento em infra-estrutura. Na orla de Abu Dhabi cidadãos e turistas podem desfrutar de passeios ciclísticos em vias planejadas, assim como seria desejável se imaginar em nossa cidade. A capital dos árabes combina hoje seu papel de referência econômica no mundo globalizado com um apelo turístico em função dos eventos esportivos que promove e da intervenção urbanística que harmonizou a paisagem das áreas do centro histórico com a moderna arquitetura financiada pelo petróleo.
Enquanto isso, por aqui, a Prefeita que se anunciou como a mensageira da “mudança” reproduz o modelo de gestão de seus antecessores. Terceirizações de servidores públicos, educação, “revitalização” do centro urbano... No mesmo intervalo de tempo em que o circuito de Yas Marina se edificou, problemas e projetos que caracterizavam o “planejamento” de Mocaiber seguem como idéias e mazelas no governo “dela”. Mais do mesmo! Quando se prepara para ir esta semana a Brasília com a inglória tarefa de defender a manutenção da legislação dos royalties para a exploração do pré-sal, seria bom para a Prefeita poder levar um portfólio de realizações de sua “inovadora” gestão.

Artigo publicado na edição de hoje da Folha da Manhã.

Eleições OAB

O Dr. Cláudio Andrade nos envia por e-mail a composição da chapa por ele liderada que concorre ao pleito da OAB local sob o número 222:

CHAPA Ordem Para Todos

DIRETORIA

Presidente: CLÁUDIO NOGUEIRA ANDRADE FILHO

Vice-Presidente: LUIS CARLOS MANHÃES RODRIGUES

Secretário Geral: DACIONE NUNES

Secretária Adjunta: KELLY ALVES ANDRADE

Tesoureira: ANA LÚCIA GONÇALVES DA SILVA

CONSELHEIROS

ANDRÉ GUEDES RODRIGUES
ADRIANO JOAB DIAS DUTRA
ATAHYDES DA PAIXÃO FILHO
ALCINO NUNES DE SOUZA
CLEBER GOMES TINOCO
ELMAR RODRIGUES MARTINS
EVERALDO BARRETO LEMOS
EVERALDO ROSA PAES
FAUZE RODRIGUES JASSUS
SANDRA LÚCIA BRITO DE MORAES
GREVI DE SOUZA BÔA MORTE
JOANA DARC SOUZA SILVA
JOSÉ CARLOS FERNANDES DOS SANTOS
KARINA REIS DOS SANTOS
LEILZA DA SILVA AZEREDO
LUIZ FELIPE MUNIZ DE SOUZA
NEILTON AZEVEDO ALVES
RODRIGO MAGALHÃES
RONALDO CARNEIRO JORGE
TATIANA MUNIZ MANHÃES
THAIS DO ROSÁRIO ALMEIDA
VERA COELHO DE FREITAS
OLENKA LINS E SILVA
GIANNI MARIA SANTOS SOSSAI
GIZELA GUALBERTO RAMOS
LUIZ GERSON DA SILVA
MARCO AURÉLIO VIEIRA DOS SANTOS
PAULO CÉSAR ROCHA REBEL
PAULO DE CASTRO PASSOS
POLLYANNA FERNANDES GUEDES
PRYSCILA NUNES RIBEIRO MARINS
TIAGO LISBOA TELLES FERREIRA
VALMIR ALVES
WALMIR RAMOS BRUM
ELIZABETH APARECIDA DA SILVA NUNES

domingo, 1 de novembro de 2009

O autoritarismo impopular

Como foi noticiado hoje (31/10/09) pelo blog do josias (Josias de Souza articulista e blogueiro da F. de S. Paulo), o próximo artigo de FHC para os grandes jornais é o mais virulento ataque ao Governo Lula. Tal reação de inusitada agressividade sanguínea por parte do insípido ex-presidente, parece se justificar como uma reação psicológica ao seu narcisismo ferido pela constatação do óbvio ululante: a maciça impopularidade de seus governos e a definitiva rejeição à sua figura pública (amplamente registrado em todas as pesquisas de opinião). Para seu desespero, essa percepção também parece dominar em seu próprio partido, pois como argumenta Aécio Neves, a sua candidatura presidencial é a mais viável por não re-editar o confronto desfavorável entre as gestões FHC e Lula.
Contudo, abstraindo as razões psicológicas, resta aos homens públicos o peso da responsabilidade de seus posicionamentos. Nesse sentido, o espetáculo que FHC proporciona ao distinto público não é somente patético mas politicamente simbólico. Segundo o ex-sociólogo, o Governo Lula é portador do "DNA do autoritarismo popular" que "pode levar o país [...] a moldar-se a um estilo de política e a uma forma de relacionamento entre Estado, economia e sociedade, que pouco têm a ver com nossos ideais democráticos". Como qualquer cientista social poderíamos tentar investigar os fundamentos objetivos de tal bombástica afirmação. Assim, apontaríamos as rupturas de preceitos constitucionais, o desrespeito às garantias fundamentais e os atentados ao Estado de Direito perpetrados pelo Governo Lula (?). Contudo, perante a parcialidade obscena de um posicionamento tão simploriamente ideológico só nos resta lamentar. Lamentar que um auto-declarado democrata se preste ao papel de líder da direita fantasma do Brasil realizando seu esporte predileto: demofobia.

sábado, 31 de outubro de 2009

Só pra descontrair...

PENALTI DE FATO TAMBÉM NÃO ENTRA!

MST: a SS dos trópicos

Há textos que a gente lê e precisa reler para acreditar, para ter certeza que não se confundiu com a interpretação ou coisa semelhante. No jornal O globo de hoje – aqui - o ator Carlos Vereza, ex-militante do Partido Comunista, escreve um artigo tão crítico em relação ao governo Lula que a gente fica pensando se o ator está realmente falando sério ou se aquilo é algum tipo de brincadeira.Vejamos:

1- Lula aparece como um autoritário militarista que não merece ser o Nobel da paz

2- Sua eleição em 2006 esteve articulada com os bandidos do PCC de São Paulo.

3- O MST, bom sobre o movimento dos sem terra é melhor fazer a citação literal:

“Lula, muito antes do ditador Hugo Chávez, organizou com outros objetivos sua tropa de choque, o MST — as SS dos trópicos, financiadas pelo governo federal.

Esses facínoras depredaram o Congresso Nacional, invadem propriedades privadas, cometem assassinatos, sempre sob a leniência do Grande Timoneiro.”

É isso que a oposição tem para dizer? Esse é o nível do debate que querem estabelecer? Foi para escrever isso que o Sr. Carlos Vereza tanto lutou por democracia contra o regime militar? Se este for o tom do debate das eleições presidenciais do ano que vem teremos um show de horror que desperdiçará uma grande oportunidade para qualificar o debate político no país e apresentar os diferentes projetos políticos nacionais.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

O SINPRO-Campos de volta para os professores(as)!

Foi publicado na última segunda-feira o edital para a eleição que vai escolher a próxima direção do Sindicato dos professores de Campos e São João da Barra, a se realizar nos dias 09, 10 e 11 de dezembro.
Este sindicato, infelizmente, vem há anos se afastando da categoria e além de não ter vida orgânica, não promover os interesses da categoria e não se articular com o movimento social local, há dois anos não consegue fechar acordo coletivo com o sindicato patronal. Assim, os professores das escolas particulares de Campos não tiveram reajuste na data-base, ao contrário dos professores do Noroeste e de Macaé, onde os sindicatos locais fecharam acordo com o mesmo SINEPE (patronal) da região. São 12% de reajuste nos dois últimos anos onde o SINPRO-Campos não fechou acordo coletivo! O SAE, sindicato dos funcionários das escolas particulares, também fechou acordo de 6,25% de reajuste em 2009, com o mesmo SINEPE.
Após mais um Dia do professor onde a atual diretoria do SINPRO-Campos não disse a que veio, um conjunto de professores campistas resolveu organizar um movimento para reconstruir nosso sindicato, que um dia já foi representativo e referência de luta para a categoria. Além disso, promovia eventos culturais e pedagógicos que atendiam as expectativas da categoria.
O Movimento de Reconstrução do SINPRO-Campos, do qual faz parte este blogueiro, vai construir uma chapa para disputar a direção do SINPRO, com a proposta de promover o reencontro do sindicato com a luta e as expectativas dos professores campistas. Todos os professores estão convidados a participar desta caminhada e reconstruir conosco nosso sindicato.

O triunfo da vontade

O futebol ("o velho e viril esporte bretão") não é uma trivial modalidade esportiva. Ele é o esporte/jogo/arte mais popular da face da terra, e isso, por si só, já o tornaria um um fenômeno extra-ordinário. Contudo, o que torna o "jogo do povo" especial é, sem dúvida nenhuma, sua capacidade de "fazer ver" o drama humano (da atuitude mesquinha mais atávica ao gesto de humanidade mais sublime). Nesse sentido, alguns personagens são emblemáticos e especialmente representativos. E esse é o caso do centro-avante Obina, que mesmo não sendo melhor do que Êto é capaz de tornar a sua versão palmeirense melhor do que seu folclórico personagem rubro-negro. Pois, ontem à noite no jogão Palmeiras x Goiás, o Obina se reencontrou com sua lenda pessoal e destino manifesto dos centro-avantes: o gol. Para ser fiel aos fatos, o "homem acarajé" fez três e passou de calcanhar para outro marcar. Não, Obina não é um clássico, nem é um centro-avante brilhante, ele se aproxima mais de um trabalhador esforçado ou homem comum em seu dia de herói. Em poucos minutos, o futebol proporcionou a experiência de radical metamorfose de um homem: de "humilhado e ofendido" operário para o portador da "vontade de poder" de um artista genial. É por essas e outras que o poeta e vascaíno Carlos Drummond de Andrade presta essa homenagem:

FUTEBOL

Futebol se joga no estádio?
Futebol se joga na praia,
Futebol se joga na rua,
Futebol se joga na alma.
A bola é a mesma: forma sacra
para craques e pernas-de-pau.
Mesma volúpia de chutar
na delirante copa-mundo
ou no árido espaço do morro.
São vôos de estátuas súbitas,
desenhos feéricos, bailados
de pés e troncos entrançados.
Instantes lúdicos: flutua
o jogador, gravado no ar
_afinal, o corpo triunfante
da triste lei da gravidade.

Traíra

O professor de Harvard e intelectual renomado Roberto Mangabeira Unger é um personagem problemático. Ele teve o mérito de ousar romper os limites canônicos entre as esferas da Ciência e da Política estabelecidos por Max Weber. De acordo o sociólogo alemão, o conhecimento e a ação política seriam definitivamente separados por duas éticas irreconciliáveis: a convicção sobre conceitos e valores explicativo-normativos seria essencialmente distinta da responsabilidade dos compromissos e acordos da esfera pública. Pois bem, ao tentar flexibilizar esses limites, Mangabeira se entregou a uma mistura de ativismo delirante e messianismo intelectual sem compromisso coletivo: a "solução final" para os dilemas estruturais da sociedade brasileira já dependeu da liderança carismática de Brizola, passou por Ciro Gomes, e agora encontra no velho PMDB de guerra o protagonista de ocasião. O engano e o erro são direitos fundamentais do homem e do cidadão, e se o sujeito quer queimar a sua reputação intelectual anglo-saxã com aventuras tropicais o problema é dele. Contudo, o caso do Mangabeira parece um típico caso de transtorno psiquiátrico de personalidade ou simples desvio de caráter: afinal de contas como ser intelectualmente consistente e politicamente coerente sendo nomeado ministro-formulador estratégico de um governo que se considera "o mais corrupto da História"? Mas a obsessiva "ética da malandragem" de Mangabeira não para: a jornalista Mônica Bérgamo acaba de revelar na edição de hoje (30/10/09) da F. de S. Paulo a trairagem de Mangabeira Unger que, enquanto ministro do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, articulava com o PMDB para atrapalhar a aliança do partido com Dilma Rousseff, candidata petista à Presidência. Segundo a reportagem, entre outras coisas, ele se reuniu discretamente com Orestes Quércia (PMDB-SP), que apoia José Serra (PSDB-SP), para apresentar uma "proposta de desenvolvimento do país". Quércia foi taxativo na resposta. "Podemos avaliar isso, mas não estou dizendo aqui que te apoio como candidato à Presidência pelo PMDB."
Como diz o mestre Bezerra da Silva:
"E malandro é malandro e mané é mané
Podes crer que é
E malandro é malandro e mané é mané
Podes crer que é
Malandro é o cara que sabe das coisas
Malandro é aquele que sabe o que quer
E não se compara com um Zé Mané (...)
Já o Mané ele tem sua meta
Não pode ver nada que ele cagueta
Mané é um homem que moral não tem
Vai pro samba paquera e não ganha ninguém
Está sempre duro é um cara azarado
E também puxa saco pra sobreviver
Mané é um homem desconsiderado
E da vida ele tem muito que aprender"

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Accountability – II

No artigo anterior procuramos apontar para alguns aspectos do problema da responsabilização dos governos, afirmamos que nas democracias modernas o voto é instrumento clássico de “accountability”, mas infelizmente não é suficiente para garantir aos cidadãos condições satisfatórias de punir e controlar seus representantes. Consideramos ainda, que a saída é apostar em medidas de inovação institucional que permitam aproximar eleitores de eleitos.

Defender esta estratégia não significa adotar uma visão institucionalista que negligencie as relações políticas existentes fora das estruturas institucionais, o antropólogo norte americano Clifford Geertz já alertava na década de setenta para a necessidade de pensar os processos políticos como fenômenos “mais amplos e profundos do que as instituições formais destinadas a regumentá-los”. Sem desconsiderar essa perspectiva teórica acreditamos que existe espaço para discutir e implementar medidas de renovação institucional capazes de alargar os espaços interativos entre os atores políticos ampliando a arena decisória com o objetivo de perseguir o incremento da legitimidade dos detentores do mandato público.

Consideramos que é um risco grave manter a inércia diante dos sinais cada vez mais claros de esgaçamento da relação representante – representado, é obrigação dos primeiros assumirem o desafio de enfrentar este obstáculo à efetiva democratização. Enquanto detentores de mandato eletivo estiverem capturados pela estrita lógica da sobrevivência eleitoral sem desprender energias no sentido de refletir sobre as mudanças necessárias para aprimorar institucionalmente a democracia dificilmente sairemos deste marasmo.

O exemplo de reformas recentes pode servir de ponto de partida para reflexões e debates a cerca do futuro da representação política no Brasil. Refiro-me as reformas realizadas nas últimas décadas pela Assembléia Estadual de Minas Gerais. Desde a década de oitenta a ALEMG realiza uma série de mudanças que apresentaram promissores resultados - a partir de um diagnóstico da grave crise que assolava aquela Casa - seus funcionários iniciaram uma série de debates que culminaram com reformas inovadoras no sentido de ampliar a participação e a transparência dos trabalhos legislativos aproximando a sociedade dos seus representantes.

Uma série de mudanças transformou o perfil dos funcionários da ALEMG: recrutados por concursos, permanentemente treinados e submetidos a um plano de carreira criterioso, integram hoje um corpo de profissionais em condições de subsidiar os trabalhos legislativos com informações que não são produzidas pelo Executivo. Com o objetivo de ampliar a interlocução com a sociedade foram criados os “Seminários Legislativos” que permitem a participação de diversos setores organizados cujas contribuições servem de base para formulação de várias iniciativas legislativas. Paralelamente, graças ao uso da informática, foram introduzidas mudanças que visam estabelecer permanente participação e controle sobre o processo decisório garantindo visibilidade para os trabalhos dos deputados. Por último, ressaltamos a inclusão de novas formas de participação política que deram a qualquer cidadão a oportunidade de valer-se da “proposição de lei” para formular e defender projetos que são submetidos ao plenário da Casa.

Reconhecer tais avanços não significa pretender encontrar na ALEMG um modelo ou mesmo negar problemas relativos a permanência de práticas fisiológicas, Minas Gerais não tem o Legislativo mais democrático do mundo, nos parece coerente dizer que estão no caminho certo mas há longa estrada pela frente. É preciso avaliar com atenção as transformações promovidas a fim de orientar nossas perspectivas de mudanças. Faz todo sentido prestar atenção nas palavras do escritor inglês Samuel Johnson: “O exemplo é sempre mais eficaz que o preceito.”

Artigo publicado no Jornal Monitor Campista

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Penalti roubado não entra mesmo!

Chico D'Angelo na UFF hoje

O blog recebeu o seguinte e-mail da professora Ana Maria Almeida, a Aninha:

O Deputado Federal do PT e médico, Chico D’Angelo, estará nesta segunda-feira, 26 de outubro, no Polo da UFF em Campos, para uma palestra sobre as condições da Saúde Pública no Brasil, às 19 horas. Na ocasião o Deputado fará a entrega do ônibus comprado para a UFF Campos com recursos de Emenda Parlamentar do Deputado. O Deputado chegará às 17 horas, quando visitará a área do novo campus; em seguida, às 18 horas, terá uma reunião com os dirigentes da UFF/Campos e, às 19 horas, dará a palestra.
Toda a comunidade campista está convidada a comparecer.
O Deputado Chico D’Angelo teve grande votação em Campos nas últimas eleições e tem sido um aliado e apoiador entusiasta do Projeto de Expansão da UFF em Campos. Ele foi o principal articulador na cessão do terreno da ex-RFFSA para a construção do novo campus da UFF em Campos, num terreno de 22.500m², que abrigará os sete cursos que a UFF oferecerá a partir de 2010. O ônibus obtido com a Emenda Parlamentar possibilitará que os alunos da UFF possam participar de eventos do Movimento Estudantil e de eventos acadêmicos, bem como viabilizará parte importante da formação acadêmica dos alunos, através das visitas e pesquisas de campo, fundamentais em cursos como o Geografia, e outros. Além disso, a Direção da UFF em Campos e o deputado Chico D’Angelo, com a compra do ônibus, buscam atender às demandas dos alunos da UNITI-Universidade da Terceira Idade, da UFF/Campos, para os seus eventos culturais.
Portanto, além de ser brindada com a palestra do brilhante médico e Deputado, a UFF/Campos agradece mais uma vez a parceria de Chico D’Angelo no seu Projeto de Expansão.

domingo, 25 de outubro de 2009

Em defesa da política

O cientista social gramsciano e professor da Unesp Marco Aurélio Nogueira renova, na entrevista abaixo, os argumentos esgrimidos no importante livro Em Defesa da Política (2001):

- Como o senhor define a ideia de política hoje?
- A ideia tem uma bifurcação: de um lado, a conquista, a conservação e o uso do poder; do outro, a construção de laços de convivência entre as pessoas. Esses dois sentidos têm convivido ao longo do tempo. No mundo moderno, prevalece o conceito de política associado ao poder. Mas ganhamos mais ao entender que nenhuma comunidade pode se estruturar no mundo atual, se não praticar as boas normas da política como construção de espaços coletivos.

- Num momento em que atividade política está tão desacreditada, por que ainda defendê-la?
- Se quisermos trabalhar com esse conceito mais ampliado, defender a política é defender as próprias condições de sobrevivência da sociedade brasileira. Se, por um passe de mágica, eliminarmos a política da nossa existência, não ficaremos apenas livres do Congresso, dos partidos e dos políticos, mas também de tudo o que nos dá condições para interagirmos de maneira organizada. Vale a pena defendê-la porque, quando falamos em Política com P, estamos falando também de honestidade e lisura. Defender a política contra eventuais atos de corrupção é defender a recuperação dessa dimensão da idoneidade, que permanece extremamente importante.

- Apesar de todo o otimismo, o senhor mesmo reconhece que “o quadro geral é de descrença e de desilusão”. No caso concreto brasileiro, quais são as consequências imediatas que o senhor observa a partir da crise, em termos de interesse e participação popular?
- A principal consequência é o aumento da desilusão. Os maus exemplos dos políticos funcionam como uma dose adicional de jato frio nos cidadãos que já não estão muito empenhados na atividade política. No Brasil e no mundo, vemos um retrocesso das pessoas em termos de engajamento político. O cidadão típico do século XXI não é mais o cidadão disposto a sacrificar uma parte de seu tempo para defender causas de interesse comum. Os jovens, por exemplo, estão muito afastados da política prática, não só em termos de engajamento como de interesse pelos fatos políticos, ainda que possam ter preocupações sociais.

- O senhor afirma que o mundo atual fez da política “uma espécie de grife”, e que “ser contra os políticos é hoje um esporte mundial”. Por quê?
- Por onde andamos no Brasil, ouvimos as pessoas falarem mal da política e dos políticos. Ser contra os políticos virou indicador de modernidade, como se todos eles fossem sinônimos de atraso, e a própria política fosse inconveniente para a modernização da sociedade. Na verdade, vislumbramos um processo de muita afirmação da economia de mercado e do trabalho produtivo contra a política.

- Um exercício de imaginação: como seria a sociedade se não houvesse mais a política?
- Seria o que Thomas Hobbes (filósofo inglês do século XVII) chamou de “estado de natureza”. Uma sociedade sem regras e padrões de vida civilizada, na qual prevaleceria a lei do mais forte, de cada um por si e de ninguém por ninguém.

Fonte: A Gazeta (Espírito Santo) & Gramsci e o Brasil, Outubro de 2009.

Obama Bolivariano

Barack Obama e seu governo estão em sérias dificuldades: parece que agora é que ele e seus colaboradores perceberam as reais dimensões da "herança maldita" legada por Bush jr. Além de desfrutar dos dissabores da maior crise econômica da história (cujo cuja responsabilidade cabe principalmente ao irracionalismo cínico de mercado da "mão invisível") e suas implicações sociais devastadoras (desindustrialização e desempregos históricos), o presidente americano acabou prisioneiro da agenda político/social/ambiental/militar e ideológica da desastrosa gestão Bush II. Por isso, bastou o Obama querer governar e cumprir a fundamental promessa de campanha de construir um sistema de saúde básico com um mínimo de universalidade (os EUA são o único país desenvolvido sem NENHUMA proteção de saúde para os trabalhadores com baixos salários), para ser acusado histericamente de um mix stalinismo/nazismo. Do ponto de vista da economia real, a sua proposta (tímida) de regulamentação do mercado é de suprema urgência, contudo é tratada como estatismo ultrapassado (qualquer coincidência com a mídia tupiniquim é mera má-fé). Tamanha irracionalidade reacionária não ficou restrita aos guetos da "américa profunda" racista e fundamentalista cristã, pelo contrário, essa é a agenda fixa dos maiores empresários e donos da mídia. Portanto, para sair da defensiva e tentar realizar a agenda para qual foi legitimamente eleito, o presidente Obama mudou sua estratégia: abandonou a proposta de governar respaldado pelo consenso anódino e personalista da campanha vitoriosa, e partiu para o ataque dando "nomes aos bois". Afirmou Obama que as empresas de mídia (especialmente o grupo Fox) serão tratadas tal qual elas tratam o Governo. Por essa atitude de protagonista está sendo acusado de cair na tentação "populista". Tal julgamento de valor militante (travestido de "independência" de opinião) das mídias consiste no velho e atualíssimo controle ideológico dos atores políticos. O presidente Lula está certo: se o objetivo da imprensa é opinar e não informar, quem decide quais opiniões-interesses devem prevalecer na cobertura das empresas de comunicação?