quinta-feira, 24 de setembro de 2009

No centenário do IFs mais uma marca histórica


A Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica completa cem anos em 2009 com a maior expansão de sua história. São 214 novas escolas previstas até 2010, várias delas já entregues.
O número é superior ao total dos 93 anos anteriores, entre 1909 e 2002, quando foram construídas 140 escolas. A programação do centenário da rede, comemorado na última quarta-feira (23), inclui eventos como exposições, semanas comemorativas nas instituições de todo o País e o lançamento de um selo comemorativo.
Segundo o Ministério da Educação, todas as escolas em obras serão entregues até o final do próximo ano. Com a expansão, o Brasil terá, em 2010, 500 mil vagas em mais de 354 escolas de educação profissional e tecnológica em todo país. O investimento na expansão é de R$1,1 bilhão.
A rede nasceu há cem anos, por iniciativa do então Presidente Nilo Peçanha, com a criação das Escolas de Aprendizes e Artífices (1909) que, mais tarde, deram origem aos centros federais de educação profissional e tecnológica (Cefets). Em dezembro de 2008, Cefets, e outras instituições de educação profissional se transformaram nos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia.
Atualmente, há 38 institutos federais, que oferecem ensino médio integrado, cursos superiores de tecnologia e licenciaturas. Além deles, a rede conta com dois Cefets, 25 escolas técnicas vinculadas a universidades federais e uma Universidade Tecnológica Federal.
No caso do Instituto Federal Fluminense, antigo Cefet-Campos, as informações são ótimas:
Pelo segundo ano consecutivo, o IFF fica entre as melhores instituições de ensino do país em exame do Ministério da Educação. O MEC divulgou os Índices Gerais de Cursos das Instituições (IGC) referentes a todas as universidades, centros universitários e faculdades do país. O IF Fluminense obteve a quinta melhor nota entre os Centros Universitários. O IGC 2008 torna públicos os indicadores de qualidade de duas mil instituições. O índice tem como base dois exames, o Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) e o Conceito Preliminar de Curso (CPC) que avalia infraestrutura e organização didático-pedagógica. Na pósgraduação, o IGC utiliza a Nota Capes, que avalia a qualidade da pósgraduação numa escala de 1 a 5. Divulgado anualmente, o resultado final do IGC é expresso em valores contínuos (que vão de 0 a 500) e em faixas (de 1 a 5). Com 275 pontos, o IF Fluminense garantiu nota 3.

No mundo sombrio de Chomsky só a América Latina se salva

Na última entrevista concedida por Noam Chomsky (La Jornada/Carta Maior 23/09/09), grande pesquisador da linguagem humana e intelectual dissidente, encontramos o reiterado diagnóstico apocalíptico sobre a ordem mundial e a situação dos EUA (os compromissos de Obama com seus "donos" inviabilizam qualquer reforma do sistema). Contudo, somos surpreendidos pela seguinte declaração: "A América Latina é hoje o lugar mais estimulante do mundo"! Confira abaixo alguns momentos do seu discurso:

"A América Latina é hoje o lugar mais estimulante do mundo. Pela primeira vez em 500 anos há movimentos rumo a uma verdadeira independência e separação do mundo imperial. Países que historicamente estiveram separados estão começando a se integrar. Esta integração é um pré-requisito para a independência. Historicamente, os EUA derrubaram um governo após outro; agora já não podem fazê-lo. (...)
Outra mudança, ainda que acidentada, é a superação da patologia na América Latina, provavelmente a região mais desigual do mundo. É uma região muito rica, sempre governada por uma pequena elite europeizada, que não assume nenhuma responsabilidade com o resto de seus respectivos países.
[Nos EUA sob governo Obama] O setor financeiro está o mesmo que antes; as seguradoras de saúde ganharam com a reforma de saúde, as empresas de energia ganharam com a reforma do setor, os sindicatos perderam com a reforma trabalhista e, certamente, a população dos EUA e do mundo perde porque a destruição da economia é grave por si mesma. Se o meio ambiente é destruído, os que mais sofrerão serão os pobres. Os ricos sobreviverão aos efeitos do aquecimento global.
Por isso a América Latina é um dos lugares no mundo hoje verdadeiramente interessantes. É um dos lugares onde há uma verdadeira resistência a tudo isso. Até onde chegará? Não se sabe. Não me surpreenderia com um giro à direita nas próximas eleições na América Latina. Mesmo assim, terá se conseguido um avanço que assenta as bases para algo mais. Não há muitos lugares no mundo dos quais se possa dizer o mesmo."

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

PELÉ E TOSTÃO

O PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio) do IBGE comprova, entre 2003 e 2008, 31,9 milhões de brasileiros ascenderam socialmente e ingressaram nas classes A, B e C. Enquanto o "potencial do produtor" cresceu por volta de 28,32%, o "potencial de consumo" cresceu 14,98%. Nesse período, os 10% mais pobres da população tiveram aumento de renda de 72,45%, enquanto para os 10% mais ricos o crescimento foi de 11,37%. O pesquisador da FGV Marcelo Neri afirma: "Tudo aponta mudanças na sociedade brasileira, no sentido que o valor do trabalho está aumentando. (...) O Pelé é o mercado consumidor interno e o Tostão é o Bolsa-Família."

O PED, o PT e uma alternativa para a política local.

Na última semana comentamos aqui nossa expectativa com relação ao processo de eleições para a escolha das novas direções do Partido dos Trabalhadores no Diretório Municipal de Campos.
Em síntese, reproduzimos a idéia de que a unidade partidária na composição do novo Diretório seria um primeiro passo no sentido de potencializar a oportunidade histórica que se apresenta ao partido. Minimizar divergências e ressentimentos e dividir atribuições institucionais da vida partidária seriam prova de maturidade e generosidade capaz de alavancar nossa ação política na cidade – inclusive a partir do mandato reconquistado na Câmara local – consolidando-nos como única alternativa concreta e viável de um novo modelo de gestão democrática, popular e participativa para o município.
Esse foi sempre o horizonte de um grupo composto por este articulista nos últimos meses. Após aglutinar alguns bravos militantes dispostos a retomar a militância orgânica e instituir uma rotina sistemática neste sentido, abrimos o diálogo com as forças hoje hegemônicas na composição do Diretório – que, diga-se de passagem, após nove tentativas em nove meses ainda não conseguiu êxito na tarefa de reunir-se com quorum deliberativo em 2009.
Apesar de termos mantido entendimentos frequentes com algumas destas lideranças ao longo deste período, chegamos a esta semana, limite para as inscrições das chapas para as direções partidárias locais, com a expectativa de que há uma opção destes setores por manter o status quo atual, tentando restringir no futuro Diretório a participação dos grupos que se opuseram à malfadada aliança local com o PDT em 2008. Não era nossa intenção retomar tal debate agora, e a unidade partidária permanece em nosso horizonte como meta para a futura gestão. Mas não é possível deixar de afirmar com clareza nos debates que antecedem o PED que o partido precisa romper com a fórmula de fazer política que vem sendo reproduzida há vinte anos na cidade, por todos os grupos que passaram pelo governo. Minha candidatura à presidência do PT de Campos tem o propósito de credenciar o partido como alternativa para a política municipal.

Artigo publicado na edição de segunda-feira (21/09) da Folha da Manhã.

Pesar

O sítio noticioso Ururau informa que foi confirmada a notícia do acidente fatal envolvendo o Vereador do PT de Campos Renato Barbosa na manhã de hoje, na BR 101, próximo ao trevo de Macaé, para onde o Vereador, petroleiro, se dirigia para trabalhar.
O blog lamenta profundamente o ocorrido e destaca que Renato - uma liderança entre seus companheiros de classe - é mais um trabalhador vítima da BR 101. Mais uma vítima dentre centenas de trabalhadores que diariamente trafegam pela rodovia para o labor na cidade vizinha. Até quando as autoridades responsáveis pela concessão da estrada e a concessionária Autopista fluminense vão negligenciar a necessidade de reformulações profundas neste trecho da BR?
Neste momento triste, o blog se solidariza com a família de Renato e com todos os trabalhadores que diariamente se arriscam para trabalhar.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

AVE CAMPOS !

Uma novidade para os interessados na História da nossa Cidade de Campos dos Goytacazes, especialmente, para os professores de História e Geografia.
Está na rede o blog Historiando a Cidade, fruto de projeto de extensão homônimo desenvolvido no IFF Centro e Guarus. Eis a declaração de intenções:


"O nosso objetivo é desenvolver e apoiar ações de Educação Histórica e Geográfica relativas à História da cidade de Campos dos Goytacazes.
Queremos exercitar e fortalecer perspectivas históricas para tratar o local/regional. Para isso, serão disponibilizados para download algumas obras e roteiros de atividades sobre a História da cidade."

Uma das primeiras obras disponíveis para baixar é essa aí acima. A partir do texto serão sugeridas algumas atividades para serem realizadas nas escolas de ensino médio e fundamental.
Trata-se de um espaço de troca de sugestões e experiências educativas em torno da História da nossa cidade.

Passem por lá e levem convidados.

Bom programa!

Desde o dia 06, quando tive o prazer de asistir a essa peça no Teatro de Bolso, os compromissos e uma certa indolência na edição dessa página - e aqui peço desculpas aos mais assíduos leitores prometendo mais uma vez melhorar a dinâmica das postagens - impediram esse registro que planejei assim que saí do espetáculo.
Quis o "destino" - certamente há uma razão que este blogueiro ignora, na expectativa que seja o merecido sucesso! - me dar mais uma oportunidade de elogiar a montagem e indica-la a quem ainda não conferiu, especialmente os profissionais da educação! A temporada foi prorrogada e segue nesta semana.
Adriano Moura mais uma vez acerta a mão a registrar com humor bem dosado a nem tão engraçada realidade da nossa categoria. Mas não o faz de forma a sugerir um professor/educador "coitadinho". Nosso papel não é só o de vítima, ou melhor, não somos as únicas vítimas. E assim o protagonista do monólogo, a pedagoga também incorporada por Yve Carvalho, e outros personagens que aparecem no texto revelam facetas que por vício ou em legítima defesa também acabamos por manifaestar, e que compõem o grande e tragicômico drama da educação - que é bom que se diga, não se restringe à rede pública, muito pelo contrário! Realidade também presente no texto.
Tudo isso sob a direção do craque Kapi.
Se você é profissional da educação, imperdível!
Pra se divertir, refletir e...
Até domingo, no TB. Hoje às 20:00, no fim-de-semana às 21:00.

A guerra que não sai de nós

O homem é um animal que faz guerra, somente nos últimos três mil anos foram cerca de quinze mil conflitos segundo relatório da UNESCO. O International Crisis Group é uma organização independente que monitora conflitos em todo o mundo e informa no seu relatório deste mês que há pelo menos setenta regiões no mundo onde há conflitos correntes ou potencial para seu desenvolvimento. Não aprendemos com os desastres de ontem a dissuadir o ímpeto belicista de hoje.

Completamos neste setembro setenta anos do início da segunda guerra mundial o mais intenso destrutivo e traumático conflito que a humanidade produziu, seus efeitos e fantasmas ainda estão nos assombrando. O gigantesco volume de páginas que já foram escritas sobre o tema torna qualquer abordagem muito suscetível a redundância. Dos aspectos militares até as interpretações psicanalistas dos líderes envolvidos, passando pelas polêmicas teóricas sobre a natureza da guerra existe muito para ler sobre os anos que incendiaram o mundo. Naturalmente uma guerra dessas proporções foi travada em várias arenas, sendo uma delas a disputa entre os criptografos e criptoanalistas.

O Livro dos códigos de Simon Sigh lançado no Brasil pela Record relata com detalhes um dos episódios mais emocionantes desta disputa envolvendo os esforços dos ingleses para decifrar as mensagens alemãs que eram codificadas com uma máquina chamada enigma. A intrincada engenhoca dava aos alemães condições de alterar constantemente os códigos que produziam diferentes alfabetos cifrados permitindo que a cada dia as mensagens tivessem seus códigos alterados. Os ingleses tinham então, que codificar um alfabeto por dia, tarefa impossível de ser realizada.

Mas os ingleses contavam com a genialidade de Alan Turing, um jovem matemático que trabalhava na decifração de mensagens criptografadas, com um exemplar da máquina alemã - conseguida com os poloneses - Turing desvendou o código e contribuiu de modo fundamental para a vitória dos aliados no conflito. Seu trabalho teórico forneceu a base para a moderna teoria do computador e fizeram dele um dos pais da cibernética.

No entanto, o pálido Turing não desfrutou do prestígio que merecia, após a guerra tornou-se professor assistente em Cambridge e teve uma vida absolutamente anônima na Inglaterra. Em 1952 foi à polícia denunciar um namorado que havia roubado seu apartamento, no depoimento revela seu homosexualismo sem se dar conta das implicações legais que esta atitude produzia. Foi preso acusado de alta indecência contrária a uma lei de 1885. Os jornais noticiaram o fato e Turing foi duplamente punido: banido dos projetos de pesquisa relacionados ao computador e obrigado a passar por um traumático tratamento, ele não suportou e se suicidou em 1954.

No último dia dez o primeiro ministro inglês Gordon Brown pediu desculpas formais pelo episódio, diz o texto final da declaração: “em nome do governo britânico, e todos aqueles que vivem em liberdade graças ao trabalho de Alan, tenho muito orgulho de dizer: Desculpe-nos, você merecia algo muito melhor.”

É muito bom ver instituições reconhecendo seus erros, é muito importante que ajustem contas com seu passado, pois ao proclamarem em alto e bom som: erramos, sinalizam para o futuro e assumem publicamente o compromisso de não cometer os mesmos equívocos. A Igreja Católica tem realizado algumas movimentações neste sentido, em 1994 pediu desculpas pela condenação de Galileu Galilei. No Brasil em 2000 se desculpou com os índios e com os negros pela sua atitude diante da escravização no período colonial. Com uma história de mais de dois mil anos ainda há muito trabalho neste sentido. Como dizia um dos mais influentes cientistas sociais brasileiros Vitor Nunes Leal: “as instituições só são respeitáveis quando se humanizam, pois elas só existem em função dos homens.”

Artigo publicado no Monitor Campista.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Não procede

A informação publicada na coluna Painel Político, assinada pelo Saulo Pessanha, na edição de ontem da Folha da Manhã, sobre minha participação na disputa pela presidência do Diretório local do PT no próximo PED.
A minha candidatura - que nunca esteve colocada como um projeto pessoal ou personalista - está mantida e não deve ser prematuramente descartada, não obstante será submetida um grupo de militantes do PT que desde o fim de 2008 tem se reunido sistematicamente com vistas a retomada de sua participação orgânica na vida do partido.
Este grupo - que reúne quadros como Luciano D'Angelo, Roberto Moraes, Adilson Sarmet, Ana Maria Almeida; os companheiros do Núcleo de Base Lenilson Chaves, por mim coordenado e do qual participam o cientista político Renato Barreto e o professor Gustavo Gomes; além de outros militantes do movimento social como o líder estudantil Marcel Cardoso e o companheiro Davi do MST - ao longo dos últimos meses defendeu a construção de um projeto de unidade partidária, capaz de credenciar o PT como única e viável alternativa no sentido de um novo modelo político nesta cidade e se reúne no próximo sábado para definir sua participação na disputa pelo Diretório Municipal do partido.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Fim da greve

DO SÍTIO DO SEPE/RJ:

"Profissionais das escolas estaduais decidem suspender greve

Os profissionais de educação das escolas estaduais decidiram há pouco, em assembleia no auditório da ABI, no centro do Rio, suspender a greve iniciada no dia 8 de setembro e voltar às aulas amanhã. A categoria entrou em greve para reivindicar o pagamento da gratificação do Nova Escola em um parcelamento menor que aquele aprovado pela Alerj na semana passada e sancionado pelo governador Sérgio Cabral (parcelamento que terminará somente em outubro de 2015), além da inclusão dos profissionais de 40 horas no plano de carreira.

Outra decisão da assembleia foi entrar em “estado de greve”, o que significa que, se as negociações com o governo não avançarem, a greve poderá recomeçar. O secretário estadual de Planejamento (Seplag), Sérgio Ruy Barbosa, agendou uma audiência com o Sepe no dia 5 de outubro (segunda-feira). O secretário já antecipou à imprensa que discutirá a situação dos professores de 40 horas nessa reunião. Hoje, a assembleia também decidiu que, no dia da audiência, as escolas estaduais farão uma paralisação de 24 horas, com uma vigília em frente à sede da Seplag, na Rua Erasmo Braga (Centro), a partir das 11h, quando terá início a reunião. Às 14h, ocorrerá assembleia em local a confirmar.

Hoje foi realizado um ato público em frente à Alerj e dessa vez os tristes incidentes proporcionados pela PM na semana passada, reprimindo a categoria com violência, não se repetiram. Logo após o ato público, ocorreu uma passeata da Alerj até a Cinelândia, passando por toda a Avenida Rio Branco. Na marcha, professores e funcionários cantaram diversas músicas contra o governador Sérgio Cabral (que está em Paris). Após a passeata, a categoria se dirigiu para o auditório da ABI, onde foi realizada a assembleia.

Vamos manter a mobilização e garantir a inclusão dos profissionais de 40 horas no plano de carreira, a incorporação do Nova Escola ainda nesse governo e o abono dos dias parados!

PARALISAÇÃO DE 24 HORAS DIA 5 DE OUTUBRO!"

"Carta de candidato"

O blog recebeu por e-mail a seguinte carta, onde o Dr. Claudio Andrade apresenta os motivos pelos quais se apresenta como candidato à Presidência da OAB de Campos:

POR QUE SOU CANDIDATO?
A persistência depende de uma perspectiva mais ampla. Sempre acreditei que a maioria das coisas que desejamos não aparecem do dia para a noite. Acredito que as pessoas persistentes fortalecem-se com a crença de que o que elas querem pode ser feito.
Faço esta introdução para reconhecer publicamente o meu maior desejo profissional: ser Presidente da OAB; presidir a minha classe que tanto amo e respeito.A minha decisão de concorrer ao próximo pleito da Ordem não surgiu de um mero deleite. Encontra raízes fortes na minha adoração pela profissão, na militância diária, no magistério que exerço com carinho e também na minha família.A profissão de advogado espelhada no grande Evaristo de Moraes; na militância traduzida na labuta forense, no magistério representado pela minha responsabilidade em transferir conhecimentos aos futuros operadores do Direito e, com certeza, na minha família: 'trincheira' de resistência nos momentos de desânimo.
Desejo ser Presidente da OAB de Campos, pois acredito que não deve haver mudança e sim, uma alavanca delas. Tenho certeza de que a verdadeira mudança começa de dentro para fora, ou seja, temos que amar o que fazemos. Um Presidente não deve silenciar-se no vazio de seu gabinete.Vejo que a minha classe passa por momentos muito difíceis. Vários profissionais fora do mercado de trabalho, prerrogativas sendo desrespeitadas diariamente, alguns magistrados dotados de soberba, custas judiciais exorbitantes, Núcleos de Atendimento Gratuito que tiram o 'ganha pão' do advogado, dentre outras dificuldades que tornaram a profissão de advogado difícil de ser seguida pelos jovens e mantida pelos mais experientes.Um ponto que deve ser abordado é a minha renúncia ao cargo que ocupei na atual gestão da OAB de Campos. Foram quase dois anos de dedicação ao grupo, à Comissão da OAB Jovem, ao atual Presidente, aos sonhos e às promessas que fizemos juntos de construirmos algo diferente.Poderia estar até hoje fazendo parte do atual grupo, mas entendi que os ideais que nos conduziram à vitória perderam o foco central: o advogado.Concordo que muitos avanços devem ser feitos no campo acadêmico. Entretanto, o advogado não vive somente de congressos e seminários. Os advogados 'respiram' Forum, vivem da labuta diária, das audiências, de mandados e de clientes.
O advogado precisa voltar a 'encher o peito' e a orgulhar-se de ser integrante da uma nobre e imprescindível classe. Para isso, ele precisa ser respeitado no exercício profissional. Necessita de um Presidente que se faça presente no gabinete do juiz ou nas serventias quando um advogado for desrespeitado.Quero deixar claro aos meus pares que não serei um candidato revanchista. Tenho profundo respeito pelos atuais integrantes da OAB, mas não ficarei em silêncio quando a Ordem que eu tanto amo não se postar ao lado de um advogado quando ele precisar de sua entidade.Serei incansável na próxima eleição. Disputarei os votos dos senhores com muito afinco; feliz pelos votos conquistados no decorrer da caminhada e respeitoso por aqueles que serão direcionados ao(s) meu(s) concorrente(s).A bandeira de meu grupo serão as prerrogativas profissionais, tão maltratadas nos dias de hoje. Ofereço aos nobres advogados uma chapa independente formada por advogados que desejam dividir comigo esse grande ideal.
Advogados que nunca se abstiveram de atender um cliente e que nunca se esqueceram da importância que representam no cenário social e jurídico de nossa nação.
Sou candidato porque desejo aos meus amigos de profissão exatamente o que almejo para mim: uma militância digna, ética, célere e com as prerrogativas respeitadas em conformidade com a lei.
Pensando assim que lutarei pelo seu voto.
Que Deus nos abençoe.

Cláudio Andrade.

O PED e o novo na política local

Daqui a pouco mais de sessenta dias o Partido dos Trabalhadores estará escolhendo mais uma vez em processo de eleições diretas suas direções em todas as seções previstas na legislação e nos seus estatutos, aí incluídos os diretórios municipais. Em Campos não será diferente, e o cenário que se avizinha é o ideal para discutir o papel que caberá a este partido na política local nos próximos anos.
Não que eu tenha ilusão quanto à força do modelo político vigente há vinte anos por aqui. Apesar de sua constante desmoralização em função dos desastres administrativos das sucessivas gestões dos dois grupos em que se subdividiu a entourage original de Garotinho, tal modelo – sustentado em vícios e num misto de apatia de muitos e na conveniência dissimulada de alguns – parece ainda sólido o bastante para disputar com chances mais um mandato. Inclusive favorecido pelo instituto da reeleição.
O fato é que, até 2008, o PT – mesmo quando seus melhores quadros históricos defenderam o Muda Campos original, num momento em que isto significava boas perspectivas para a cidade – sempre se apresentou como alternativa de poder local. E tem agora oportunidade histórica de retomar este papel na medida em que as votações atribuídas nos últimos pleitos a candidatos como Makhoul e Feijó em 2004 e Odete em 2008 apontam potencial razoável de um desejo de renovação no eleitorado. A própria prefeita soube manipular bem sua campanha de forma a adaptar sua imagem a tal expectativa, com razoável êxito.
Todos sabemos da importância das alianças para o exercício do poder. Em nome disso, temos nos sujeitado a riscos e equívocos. Logo, não é razoável imaginar que a unidade interna vá prescindir da lógica de contemplar a todos os atores relevantes, seja na máquina partidária ou eleitoralmente. Nos próximos dias, veremos se há realmente vontade política para construir este caminho, ou se cobranças cotidianas feitas a destacados quadros partidários no sentido de uma maior organicidade na vida partidária são gestos cínicos que sucumbirão frente ao sectarismo ou a interesses escusos e inconfessáveis.
A unidade partidária na composição do novo Diretório seria um primeiro passo no sentido de potencializar a oportunidade histórica que se apresenta ao partido. Minimizar divergências e ressentimentos e dividir atribuições institucionais da vida partidária seriam prova de maturidade e generosidade capaz de alavancar nossa ação política na cidade – inclusive a partir do mandato reconquistado na Câmara local – consolidando-nos como única alternativa concreta e viável de um novo modelo de gestão democrática, popular e participativa para o município.

Adaptação de artigo publicado na edição de ontem (14/09) da Folha da Manhã.

sábado, 12 de setembro de 2009

"Olha ele aí, o Samba..."

Achei o Samba na Gamboa na grade de sábado da Rede Brasil.
A espera da petizada, que acompanhou a priminha Malu num passeio à casa de Tia Carla - zapeando após o chocolate que a Portuguesa impôs ao Bahia, triste destino deste grande clube brasileiro - descobri que o excelente programa comandado pelo Diogo Nogueira também é exibido às 18:30 deste dia.
Como não poderia sair pra ver o "Show do Imperador" em algum boteco, aproveitei a oprtunidade para sair do banzo em que fiquei nos últimos dois dias curtindo os bambas de patente - sargentos - Martinho da Vila e Nelson Sargento.
Registro aqui esta pérola do Nelson Sargento - a quem pude assitir ao vivo há uns dois anos no SESC Campos - um dos grandes sambas deste bamba, em parceria com Cartola e com seu padrasto, Alfredo Português.
Enfim, além do futebol, não há só porcaria na TV aberta...
Parabéns Diogo Nogueira!
Viva Mangueira!
A benção Nelson Sargento!

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Surfando na marolinha: PIB nacional cresce 1,9%

O IBGE acaba de informar que PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil cresceu 1,9 no 2º trimestre em relação ao 1º trimestre de 2009. Esse dado marcante é a prova definitiva da correção das medidas anti-cíclicas adotadas pelo Governo Lula em reação à crise financeira internacional (como as medidas de incentivo ao consumo, fundamentais para a retomada do crescimento da produção industrial), além de significar o término do ciclo de retração econômica denominado "recessão técnica". Alguns dados pinçados da pesquisa são significativos para dimensionar o poder de reação da nossa economia: o consumo das famílias cresceu 2,1%; os gastos do governo caíram 0,1%; as exportações cresceram 14,1%; as importações subiram 1,5%; o rendimento real dos salários cresceu 3,3%; e as operações de crédito para pessoa física cresceram 20,3% no período. Comparado com os países mais desenvolvidos que continuam com os respectivos PIBs em queda (EUA -1,0%; Espanha -1,1%; Canadá -3,2%; países da zona do euro -0,1%, etc.), o Brasil demonstrou ser um dos poucos países a sair rapidamente do quadro recessivo global. E, apesar do acumulado do PIB do ano de 2009 indicar ausência de crescimento, as projeções para 2010 giram entorno de 4,0% a 5,0%. O resultado ficou mais próximo de uma marolinha do que de uma devastadora tsunami.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Lula é o Plano B

As últimas pesquisas de intenção de voto para a sucessão de 2010 (a CNT/Sensus e a Ibope) devem colocar em alerta o núcleo político do Governo Federal, o presidente Lula e, especialmente, o PT. Todos sabem que pesquisas de opinião não estabelecem resultados definitivos, são representativas de conjunturas pontuais e indicadoras de tendências. Contudo, a série histórica de pesquisas para presidente (iniciadas desde de 2008 visando o pleito de 2010) já permite compreender padrões, verificar hipóteses, ao mesmo tempo que fez recrudecer incertezas. Com a desmontagem do modelo plebiscitário de disputa para 2010 (seja por dissensões na base, projetos pessoais-messiânicos ou reacomodação natural de forças políticas), a candidatura palaciana e lulista de Dilma Roussef passou a correr sérios riscos de viabilidade. Some-se a isso, alguns dados paradoxais e de difícil explicação das pesquisas: Dilma possui a maior taxa de desconhecimento (entorno de 20%) e o mais grave índice de rejeição (por volta de 40%). Nesse exato momento, a desidratação da candidatura Dilma e o esvaziamento progressivo da expectativa de poder do projeto lulista são inversamente proporcionais ao "repaginamento" de Ciro Gomes (a última pesquisa Ibope já indicaria a sua ultrapassagem sobre Dilma!). Entretanto, cabe perguntar: a quem interessa essa candidatura pós-lulista de Ciro Gomes? Certamente não ao projeto de transformação social do Brasil construído sob hegemonia do Partido dos trabalhadores. Ciro é o candidato ideal da direita, pois além de tentar desconstruir o Governo Lula com seu messianismo autoritário, ele representa a candidatura pronta para perder para Serra num eventual 2º turno. Como sempre, para o bem ou para o mal, a bola está com Lula!

Ironia?

Surreal. No mesmo dia em que a imprensa divulga detalhes da confissão do empresário Gianpaolo Tarantini à Justiça italiana, sobre a participação do premier Silvio Berlusconi em festas com prostitutas regadas a cocaína financiadas por ele, a "Justiça" brasileira, por meio de sua corte suprema, sinaliza intenção de oferecer a extradição de Cesare Battisti como um mimo para o facista cavaliere.
Este blog manifesta sua indignação com a tendência reacionária e cruel manifestada pelo STF em votação parcial na sessão suspensa na noite de ontem por um pedido de vistas do Ministro Marco Aurelio de Mello e felicita publicamente os Ministros Eros Grau, Cármen Lúcia e Joaquim Barbosa que até aqui votaram com espírito democrático e justo contra a extradição de Battisti, condenado na Itália à revelia, em processo eivado de falhas, e perseguido pelo governo de direita daquele país.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

O efeito 46

A primeira eleição democrática para presidência do Brasil ocorreu em 1946, isto por que as eleições realizadas durante a República Velha (1891 – 1930) não merecem ser chamadas de democráticas em virtude da exclusão eleitoral, apenas 5% da população votava e a fraude era a regra em uma época em que as eleições eram despudoradamente manipuladas. Na era Vargas (1930 – 45), não houve nenhuma eleição direta para presidência e foi justamente a renúncia forçada de Getúlio, produto direto da nova conjuntura mundial que desmoralizava os regimes anti-liberais, que abriu caminho para a democratização do país.

O pleito de 1946 teve como marca mais contundente o enfrentamento de chefes militares: o PSD lançava o general Eurico Gaspar Dutra e a UDN concorria com o Brigadeiro Eduardo Gomes. Correndo por fora sem nenhuma chance o PCB apenas marcava posição lançando Iedo Fiúza ex-prefeito de Petrópolis. Durante a disputa a vitória udenista parecia inevitável, principalmente para quem viva nos grandes centros urbanos e lia os principais jornais. Magoado com a inércia de Dutra frente ao movimento que forçara sua renúncia Vargas se exila no sul e acompanha as eleições sem muito interesse. Graças às articulações do Deputado João Neves da Fontoura do PSD, Getúlio finalmente de posicionou diante das eleições: faltavam poucos dias para o pleito e o manifesto do ex-presidente determinou o rumo da eleição fazendo com que o material de campanha de Dutra fosse mudado adotando o slogan: “Ele disse”, uma referência ao apoio de Vargas.

Foi um dos mais espetaculares movimentos eleitorais da história do Brasil, a massa trabalhista capitaneada pelo PTB se levantou e aliada às poderosas bases estaduais pedesistas promoveram uma grande onda eleitoral que fez de Dutra o presidente mais votado da história do Brasil com 55 % dos votos. O Brigadeiro Eduardo Gomes amargava uma acachapante derrota e ficava com apenas 35%, enquanto o candidato dos comunistas obtinha 10% das preferências do eleitorado nacional.

A derrota de 1946 foi muito marcante para a história da UDN, o trauma foi reforçado pelos fracassos seguintes de 1951 e 1956, as famosas “derrotas gloriosas”, fazendo com que candidatos udenistas nunca vencessem eleições presidenciais. Neste clima surgia no partido uma desconfiança crônica em relação à capacidade da população “votar certo”, ou seja, nos candidatos da própria UDN ou por ela apoiados. Os discursos udenistas referiam – se de modo crescente a expressões como “erro do povo”, “massa ignorante”, “vítimas de demagogos”. Nada muito novo, era o velho réquiem liberal conservador que considerava um erro entregar as decisões políticas a uma massa de iletrados que eram incapazes de escolher o melhor rumo para atender suas próprias reivindicações. Como efeito direto dessas premissas o partido passava a questionar as eleições e apelava para saídas de força. Se a democracia não podia ser instrumentalizada para viabilizar seu projeto político, então se abandonava a democracia, e isto em tempos onde a maioria do povo brasileiro não votava devido a exclusão dos analfabetos.

Hoje, diante dos índices de popularidade do presidente Lula e conseqüentes chances de viabilizar a vitória de sua candidata em 2010, há setores muito influentes nos meios de comunicação de massa que reproduzem as mesmas insanidades dos udenistas derrotados. Em recente coluna no jornal Folha de São Paulo Cláudio Guimarães dos Santos se refere aos eleitores brasileiros com as seguintes expressões: “eleitores de curral”, “quase cidadãos”, “vaquinhas de presépio”. Não se trata de um caso isolado e quem acompanha a imprensa tupiniquim já leu opiniões semelhantes, os mesmos detratores se “esquecem” de considerar que o mesmo povo que consagra Lula, elege governadores, senadores, deputados e prefeitos do DEM e do PSDB. Para eles vale uma frase do pensador liberal inglês John Stuart Mill: “cada um é o único guardião seguro de seus próprios direitos e interesses”.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

PM de Cabral reprime profissionais da educação na ALERJ

Era o que faltava. O governador Cabral - cujos aliados costumam tanto criticar os atos de violência de Rosinha contra os profissionais da educação - parece ter ficado com inveja da Prefeita e protagonizou hoje mais um vergonhoso ataque a esta categoria.
Não bastasse a proposta indecente para incorporação da gratificação Nova Escola - promessa de campanha há três anos atrás - em seis anos, o comando da PM no local autorizou que a polícia aplicasse o bate-pau contra os trabalhadores. Onze manifestantes ficaram feridos pela truculência da polícia que utilizou balas de borracha e bombas de efeito moral contra os grevistas.
Resta saber se agora ainda há no PT quem defenda um governo que não cumpre promessa de campanha, não investe em educação e ainda usa de violência contra sindicalistas e trabalhadores em defesa de seus direitos...
Ao menos o sacrifício dos companheiros parece ter surtido algum efeito. Segundo O DIA Online, o governo apresentou uma contra-proposta recuando da redução no percentual inter-níveis do PCCS de 12% para 7,5%.Na foto os Deputados Paulo Ramos (PDT), Marcelo Freixo (PSol) e Alessandro Molon (PT) tentam mediar o conflito entre PM e grevistas.

ATUALIZAÇÃO às 21:06
A agressão da PM de cabral aos servidores da educação foi destaque no Jornal Nacional agora há pouco.

FOTO: Felipe O'Neill/Agencia O DIA

Entrevista com Claudio Andrade

Semana passada estive mais uma vez no programa O Direito de saber direito da UNITV, comandado pelo jovem advogado Claudio Andrade, meu amigo de infância, que após se desligar da atual gestão da OAB local - que ajudou a eleger - lidera o movimento Ordem para todos com vistas as eleições para a nova direção da entidade, previstas para novembro.
O blog aproveitou a oportunidade para ouvir o Dr. Claudio sobre seus projetos para dirigir esta importante instituição da sociedade civil.

Você foi membro atuante da OAB, coordenando a OAB jovem até romper com a atual gestão da subseção local e articular sua candidatura. Quais as suas principais discordâncias com a atual gestão?

Querido Fábio, a atual gestão da OAB de Campos perdeu-se quando optou por uma gestão acadêmica e ignorou os reclames da classe, no que diz respeito às prerrogativas. Até o presente momento não houve uma ação sequer.
Processos sem sentença há mais de dois anos, antecipação de tutela que são apreciadas quase no dia da ação de instrução e o estacionamento com 27 vagas apenas, são exemplos claros da inércia da atual gestão.
Queremos implantar um plantão de conselheiros no fórum e reunião bimestral com os magistrados. Temos que voltar a ter a entidade dentro do Fórum e perto dos advogados.


Quais as propostas prioritárias da sua candidatura à presidência da subseção local da OAB?

Prerrogativas, inserção do advogado no mercado de trabalho e fiscalização conjunta com os núcleos de prática jurídica, no que tange a assistência judiciária. Ao meu sentir, a Lei 1.060/50 está sendo utilizada de forma equivocada.
Estamos em contato com empresários para discutirmos a mudança cultural das contratações dos serviços advocatícios. Hoje, em nossa cidade, um cliente prefere pagar 10 mil em indenizações, do que contratar um advogado por um ano, com contrato de prestação de serviços preventivos, pagando 2 mil.


Ouvi de alguns amigos comuns e de outros advogados que acompanham sua campanha que você tem conduzido a candidatura com fôlego e organização invejável. Como tem sido a abordagem aos advogados? E a receptividade às propostas?

Obrigado pelo comentário. Realmente não estamos a passeio, logo precisamos sempre estar um passo à frente. Acreditamos muito na visitação e hoje podemos nos orgulhar de termos visitado mais de 500 advogados. Acho isso muito importante e a classe tem correspondido. Hoje recebemos convites para visitas e o clamor geral é pela defesa da classe. Nunca na história das eleições da OAB, um candidato visitou seus pares.

Campos vive um momento onde instituições da sociedade civil se rearticulam para acompanhar a gestão pública. A partir de um projeto de extensão coordenado pelo professor Hamilton Garcia, da UENF, discute-se um observatório social sobre a gestão municipal. Em sua opinião a OAB deve participar desta mobilização?

Claro que sim. A OAB possui a sua importância social e não deve ficar inerte com se encontra atual gestão. A OAB de Campos é fechada para os problemas sociais em que a sociedade passa. Vou mais adiante. Devemos discutir a sociedade como um todo. Mais de 150 homicídios, morosidade processual, denúncias de maus tratos em penitenciárias, de trabalho escravo nas Usinas e a OAB em silêncio. Isso é muito triste.

Você tem o apoio de grandes juristas campistas como Marcos Bruno, Luis Carlos Manhães, Elmar Martins, entre outros. Você pode antecipar alguns nomes cotados para o Conselho da OAB em caso de vitória do movimento Ordem para todos.

Para o Conselho estadual o nome natural é o Marcos Bruno que já foi presidente da Ordem e concorre a reeleição. Na chapa de Campos além dos que você já citou, posso adiantar o Rodrigo Magalhães, Dacione Nunes e Everaldo Lemos.

Você é um jovem que se movimenta bem utilizando diversas mídias: rádio, TV, blog. Comente o manejo destas ferramentas na sua campanha, que tem um nível de visibilidade grande para uma disputa de classe.

Acho que o blog foi fundamental. Fiz uma repaginada nele e busquei inseri-lo no contexto eleitoral classista. Fiz isso, mas mantive o seu caráter informativo, logo não deixei de discutir assuntos de pertinência nos cenário jurídico, social e político.
Hoje todos acompanham a eleição da Ordem pelo meu blog. Até os adversários políticos reconhecem o êxito de nosso trabalho.
A eleição da Ordem ganhou as ruas, bares, universidades e o Fórum e isso já é uma grande vitória nossa.


Em uma ocasião, quando da implantação do serviço, destaquei aqui o fato da OAB haver disponibilizado um ônibus para o transporte dos advogados num itinerário que compreende os principais pontos onde a classe desenvolve suas atividades.
Observo sempre este ônibus circulando na Praça São Salvador e ele parece atender uma demanda real, mas ouço também comentários irônicos no sentido de que o serviço seria "a única ação positiva feita pela atual gestão". Comente a relevância deste serviço na sua opinião.

Caro Fábio, o ônibus é maravilhoso e não restam dúvidas a sua utilidade. Entretanto, o atual Presidente não teve participação direta na aquisição. O Presidente Estadual foi quem ofereceu, contratou uma empresa particular que forneceu o microônibus e paga por mês um valor alto de aluguel. Eu te pergunto: de quem foi o mérito? Em Campos o atual presidente disse que foi dele.

Entreouvido por aí que além do seu desligamento do grupo há outras defecções no grupo da atual gestão. Existe racha no atual grupo que comanda a OAB?

Fábio, eu já ouvi de tudo, inclusive em renúncia de cargo de Presidente. Não acredito em nada e espero que seja o atual Presidente o meu adversário nas urnas. Agora, uma coisa é fato. A OAB hoje possui como Presidente um conselheiro que dita às regras a serem seguidas pelo Presidente eleito. Uma pena.

Uma mensagem para os advogados.

Espero que em Novembro os meus nobres colegas de profissão façam uma reflexão. Entregar mais três anos de inoperância ao atual grupo ou escolher uma chapa que está disposta a enfrentar com firmeza os problemas da classe e seus causadores.
Nós somos a única alternativa viável para a classe. Não temos interesses partidários como possui o atual Presidente. Eleger a atual gestão e correr o risco de sermos administrados pelo vice. Isso é muito sério.
Dr. Claudio Andrade com o atual Presidente da OAB-RJ, Dr. Wadih Damous, candidato a reeleição apoiado pelo Movimento Ordem para todos.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Com o perdão do “pedagogês”

Confesso que não fui um aluno brilhante nas cadeiras da licenciatura, cursadas na Faculdade de Educação da Universidade Federal Fluminense, em Niterói. Contudo, de volta a esta planície, ao me ocupar com o exercício do magistério, me considero um educador dedicado, atuando ao longo da última década no ensino básico em escolas da rede pública e privada do município – na verdade, cabe a algumas centenas de ex-alunos que já acumulo a melhor avaliação sobre o desempenho desse mestre.
É com essa modesta experiência que me arrisco a entrar num debate onde minhas colegas pedagogas têm muito mais propriedade para opinar. Não obstante, todos nós, professores, independente da disciplina que lecionamos, começamos agora a sentir na pele os efeitos da polêmica que este artigo quer abordar: as alterações no calendário letivo a partir da suspensão das aulas, determinada pela epidemia de gripe suína.
Muitos “sábados letivos” estão previstos para cumprir a intransigente norma determinada pela LDB de 1996 que prevê 200 dias letivos. Advogo aqui a necessidade de alterar esse aspecto da Legislação, flexibilizando esse numero de dias letivos em situações excepcionais como essa, verificada no ano em curso. E creio haver bons argumentos nesse sentido. Ou haverá tanta hipocrisia a ponto de negar que a frequência às aulas nos sábados provavelmente será inferior a das aulas que tivessem sido ministradas no período regular, onde aulas foram suspensas?
Não quero transgredir a ética, mas é fato que em função de dinâmicas, planejamentos e realidades distintas, que caracterizem professores e escolas diversas, alunos de uma mesma série podem ter desempenhos distintos cursando o mesmo número de dias letivos. Também poderia questionar se, passados quase quinze anos da aprovação deste quantitativo de dias letivos, a qualidade do ensino melhorou sensivelmente no Brasil? Particularmente, creio que a desejada melhora da educação no Brasil – e as conseqüências benéficas desse fato pra nossa sociedade – temas priorizados pelo Senador Cristóvão Buarque na ultima eleição presidencial, depende muito mais de investimentos em infra-estrutura e valorização do magistério do que da quantidade de dias letivos.
Sei que o assunto é polêmico e que essa provocação elementar pode ser contestada por autoridades em educação. A intenção é apenas suscitar o debate para que a questão possa ser discutida as claras, e que em circunstância semelhante, outras alternativas sejam previstas para a garantia do aproveitamento do ano letivo, ao invés de um calendário de “reposições” que significa um “castigo” sem razão de ser para alunos e professores.

Artigo publicado na edição de hoje da Folha da Manhã.