segunda-feira, 1 de junho de 2009

Questão de método

Na última terça-feira, escrevi neste blog um texto sobre um lamentável incidente registrado em uma escola municipal, quando uma equipe da SMEC impôs a aplicação de uma prova de “avaliação externa” a uma das turmas da unidade sem a autorização da professora - leia aqui.
Pois a tal “avaliação externa” se destina a orientar a intervenção da prefeitura na atual gestão, de forma a superar o péssimo desempenho das escolas da rede municipal nos indicadores do IDEB. Louvável o propósito, considerando que Campos detém o segundo pior índice calculado entre os municípios fluminenses em 2007. Contudo, reitero que a melhoria dos índices do município no IDEB não é um fim em si mesmo, para permitir à atual gestão exibir abruptamente um salto nas estatísticas reivindicando para si uma "melhoria" na educação que pode não corresponder à realidade atualmente verificada nas escolas.
A “avaliação externa” da SMEC não foi precedida por um amplo debate com as comunidades das escolas da rede. Esse fato, para além de significar a possível ausência de uma vocação democrática na gestão, nos permite identificar um procedimento completamente diferente do adotado pelo MEC, inclusive na implementação do próprio IDEB.
Enquanto o MEC desenvolve ao longo da atual gestão um planejamento voltado para a melhoria da educação pública no Brasil – que envolve uma série de ações do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) – dialogando com estados e municípios e buscando a adesão destes às políticas orientadas pelo ministério, aqui as primeiras ações foram definidas em gabinete e “apresentadas” às comunidades escolares no ato da execução de uma avaliação diagnóstica.
A superação do quadro dramático na educação encontrado pela gestão em curso não se dará por uma alteração artificial nos indicadores do IDEB via desempenho dos alunos na prova Brasil, por exemplo. Mas por uma reforma profunda e estrutural nas ações da SMEC – a partir de um amplo diálogo com as comunidades escolares e a sociedade civil – bem como pela ampliação dos investimentos na rede pública municipal.

Artigo publicado na edição de hoje da Folha da Manhã.

Um comentário:

Xacal disse...

Está aí:

o hábito, o ritmo e o círculo...

o tom é esse, o blog do Fábio tomou jeito, só falta agora melhorar esse layout rouge nonsense...

parabéns les-enfants...