sábado, 1 de agosto de 2009

Idéia interessante

Tramita na Câmara dos Deputados um projeto interessante, é de autoria do Betinho Rosado DEM/RN, aqui. Pretende fazer com a que as urnas eletrônicas emitam sinais sonoros. A justificativa do Deputado é muito frágil: afirma que cerca de 20% dos votos proporcionais não são nominais por que os eleitores, “nervosos”, não conseguem votar no seu candidato e acabam votando nulo, branco ou legenda.

Pela proposta a máquina de votação emitiria sons assim: “vote para deputado estadual” depois do confirma, “vote para deputado federal” e assim por diante.

Resta saber se as máquinas podem sofrer esse tipo de adaptação e quanto isso vai custar, afinal são 350 mil em todo país. Mas a idéia é realmente boa.

"MERENDA INDIGESTA"

Clique aqui e leia n'A TroLha o post do Xacal sobre a decisão do Ministério Público Estadual em instaurar Ação Civil Pública contra a terceirização da merenda escolar na rede municipal, proposta por Rosinha.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Descompasso

Enquanto LULA disse pra quem quisesse ouvir na quarta-feira que em alguns Estados haverá dois ou três palanques - veja abaixo o post "Lula abre o jogo", do Gustavo Carvalho - manchete principal da Folha da Manhã de hoje diz que em declaração feita ontem, em Macaé, o vice-governador "garante Lula com Cabral".
Ora, o próprio texto da matéria diz que Pezão teria afirmado "que a parceria entre o presidente Lula e o governador Sérgio Cabral será mantida em 2010 e que Lula estará no palanque de Cabral a reeleição."
Logo, não há na declaração contradição com a hipótese de candidatura própria do PT ao governo do RJ, considerando que o palanque de Cabral será um dos possíveis palanques de apoio à Dilma em 2010. Isso, contudo, não exclui a priori a presença da Candidata de Lula e dele prório no palanque de seu partido, nem tampouco pode significar garantia prévia de exclusividade deles no palanque do PMDB.

O blog somos nós...

Não poderia deixar de agradecer aos amigos e colaboradores Gustavo Carvalho e Renato Barreto a habitual parceria que manteve este blog pulsando ao longo dos últimos dois dias em que este blogueiro esteve sem acesso à rede. Melhor para os leitores, a quem também agradeço pela parceria e presença neste espaço, que é de todos nós. Abraço a todos.

A propósito, proposta...

Emissoras de rádio - veículo que permanece "campeão de audiência" apesar desta rede e de outras possibilidades comunicacionais contemporâneas - são pródigas em iniciar suas programações matinais, bem cedinho, com canções do Rei - que inclusive ainda não teve aqui homenagem digna de sua grandeza na MPB.
Acordei com esse clássico na cabeça e constatei que, apesar de ser uma das mais belas e conhecidas composições de Roberto, não há muitas versões disponíveis para compartilhar na rede.
A melhor que identifiquei, no You tube, foi esta, antiga, com o Rei ainda bem jovem. Para mim a música é muito atual.

Arerê Andrade!!

Depois de estar por dois dias afastado daqui, este blogueiro retorna nesta noite após um susto - felizmente nada grave! - e uma boa notícia.
Não pude ver o jogo do Fla agora há pouco, mas acompanhei o placar através da empolgação dos torcedores que vibravam a cada gol do Mengo no "Bar Universitário", próximo à FAFIC. Chegando já nos acréscimos no bar do Marcelão, ouvi de meus vizinhos que a vitória sobre o galo foi convincente, e soube que a galera pediu a permanência de Andrade - saudado desde a segunda em bela crônica de Fernando Calazans, após a vitória sobre o peixe. O Tromba sabe tudo de Flamengo e de futebol. Ídolos como ele costumam acertar no comando do time - Carlinhos, Zagalo, Carpegianni. A julgar pelo cartão de visitas apresentado nas duas últimas partidas, onde o grupo além de retomar o bom desempenho demonstrou ainda poder de recuperação, pode dar certo!

quinta-feira, 30 de julho de 2009

A África e a crise

A atual crise das economias capitalistas divide a opinião de analistas em todos os seus aspectos e o debate sobre suas origens, abrangência, profundidade e soluções está aberto produzindo consensos bastante frágeis. Mas pelo menos em um tema as opiniões convergem: a crise deverá piorar muito a situação das nações mais pobres, estimativas divulgadas pela ONU no início deste mês revelam que estarão na extrema pobreza 90 milhões de pessoas a mais do que o previsto antes da crise. Segundo a FAO, como reflexo da recessão mundial o número de pessoas subnutridas deve passar a barreira de um bilhão em 2009.
Entre as nações pobres a situação dos 42 países que se situam abaixo do deserto Saara é muito preocupante, estimativas da ONU divulgadas em março revelam que a crise deve reduzir em U$S 46 a renda dos indivíduos que vivem em extrema pobreza. São países onde mais de dois terços da população vivem em áreas rurais e dependem da agricultura como fonte de renda e subsistência. O setor representa 17% do PIB destas nações e é responsável por mais de 57% do emprego. Mas os limites da produção agrícola são gigantescos: apenas 4% das reservas de água disponíveis são utilizadas para irrigação, além disso, apenas 14% das terras agricultáveis são cultivadas e o uso de fertilizantes é muito precário, enquanto na Ásia são usados 153 quilos de fertilizantes por hectare de terras, na África Subsaariana são utilizados apenas nove.
Por mais paradoxal que possa parecer entre as pessoas mais pobres do mundo estão os pequenos produtores de alimentos, são famílias que cultivam até um hectare de terra e não possuem condições de comprar sementes de alto rendimento, fertilizantes ou equipamentos de irrigação. O resultado é uma produtividade muito baixa e insuficiente para sua subsistência. “A pobreza é causa de baixa produtividade agrícola, e a baixa produtividade agrícola realimenta sua pobreza. É um círculo vicioso”. O economista americano Jeffrey Sachs chamou este círculo de “Armadilha da pobreza.”
A força tarefa contra a fome, do projeto milênio da ONU estudou o problema e recomendou uma ajuda a pequenos agricultores africanos como forma mais eficiente de combater a fome no continente. Foi com base nestes estudos que em 2004 o secretário geral da ONU, Kofi Annam lançou o apelo pela “Revolução verde africana” como forma de acabar com a fome e subnutrição apostando principalmente no desenvolvimento agrícola. A idéia não é nova, já em 1962 o agrônomo francês René Dumont lançava o livro “A África começa mal” ressaltando a importância da agricultura e da integração das populações rurais. Segundo Dumont o subdesenvolvimento da agricultura afeta seriamente toda a economia e “não pode ser separada da falta de indústria e do subdesenvolvimento em geral, o progresso agrícola é indispensável."
A recente reunião do G-8 ocorrida em L’aquila na Itália anunciou uma ajuda de U$S 20 bilhões para pequenos agricultores, a iniciativa está sendo comemorada como um potencial avanço histórico no sentido de combater a fome e a extrema pobreza. Os investimentos podem significar um aumento da produção de alimentos e a interrupção da armadilha da pobreza em muitas regiões. Programas de ajuda internacional produziram efeitos muito diversos no mundo, enquanto o paradigmático Plano Marshall pode ser visto como um caso de sucesso na Europa ocidental, o mesmo valendo para programas nos países do leste asiático, há exemplos de iniciativas muito mal sucedidas. Segundo J. Paul Martin, diretor executivo do Centro de Estudos de Direitos Humanos da Universidade de Columbia um dos principais problemas que afetam negativamente os resultados da ajuda externa nos países em desenvolvimento é a “falta de preparo por parte dos países beneficiados com relação a níveis endógenos de educação.”
Por isso deve ser motivo de celebração a iniciativa do IFF-Campos em desenvolver o Projeto Angola/Brasil. O convênio prevê capacitação de professores e técnicos angolanos, além de orientar a construção, administração e instalação de cinco centros de formação profissional no país africano. Saber que professores da cidade estão cruzando o atlântico para levar conhecimento e experiência educacional a um país como Angola deve ser motivo de orgulho para toda a cidade. Uma prova de que podemos e devemos pensar grande, ousar. Ajudar os angolanos a desenvolver seu sistema educacional é uma evidência de nossa maturidade e de nossas potencialidades além de corroborar com o adágio de Julius Nyerere, líder da independência e primeiro presidente da Tanzânia, "As pessoas não podem ser desenvolvidas; podem apenas se desenvolver."

Artigo publicado no Monitor Campista quarta feira 29 de julho.

LULA ABRE O JOGO

O Presidente Lula, em seu recente périplo pelo Nordeste, visitou (terça-feira, 28/07/09) a cidade de Campina Grande para inaugurar mais um Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia. Nessa ocasião, além de defender uma saída rápida para a crise do Senado, ele reforçou a necessidade de preservar a aliança eleitoral do PT com o PMDB. Em entrevista, Lula afirmou: "É importante esperar o tempo correto para definir o mapa do jogo político. No meu caso, pedi ao Ricardo Berzoini e ao Michel Temer que mapeassem a possibilidade de aliança entre o PT e o PMDB em todo território nacional. Vai ter estado onde não vai ser possível, porque haverá dois ou três candidatos da base do governo. Nós vamos ter que ter maturidade política. Fazer campanha sem interferir no resultado dos estados, para não prejudicar nenhum companheiro."

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Emirados Fluminenses

Matéria publicada hoje no jonal Valor econômico, reproduz a fala do ministro das minas e energia Edison Lobão

"Não haverá mais royalties do pré-sal para os Emirados Fluminenses", disse o ministro, referindo-se às gordas receitas que os municípios produtores do Rio de Janeiro recebem e que nem sempre são investidas em obras necessárias. Tornou-se famoso o caso de Rio das Ostras, que pavimentou o calçadão da praia com porcelanato.

As receitas oriundas da exploração de áreas ainda não licitadas serão integralmente depositadas em um fundo cuja rentabilidade será distribuída para todo o país, via Orçamento da União, e serão usados em políticas sociais, principalmente educação.

O trabalhador e a "tarifa cidadã": vantagens?

No início da semana o Dr. Cléber Tinoco destacou na blogosfera local o fato de que, para expressiva parcela dos trabalhadores que recebem o vale-transporte conforme a Lei, não há diferença no desconto em seus vencimentos, ficando a vantagem do subsídio como favorecimento para o patrão - leia aqui. O post foi inclusive citado pelo Xacal n'A TroLha.

As empresas parecem também ganhar sempre, tendo em vista que continuam recebendo R$1,60 de quem recebe seu vale via RioCard. Quanto a eficiência e qualidade no transporte público...

Agora há pouco, no final da noite de ontem, um colaborador do blog teve de dar uma "carona" a um trabalhador que havia perdido o último ônibus para Travessão, que sai às 22:45. Horário impiedoso para quem trabalha no turno da noite ou estuda após a jornada de trabalho. Ou seja, apesar da "tarifa cidadã" - que vem irrigando os cofres das empresas concessionárias com substanciais repasses de recursos públicos - os horários continuam precários como antes. Quanto aos trabalhadores de Travessão - sem mesmo opção de "transporte alternativo" neste horário - se perder esse último "bonde" resta apenas a alternativa da linha da Auto viação 1001 para Morro do Coco - sem "tarifa cidadã" - com passagem a R$6,00!

terça-feira, 28 de julho de 2009

Águas do Paraíba bate recordes de lucro e trabalhadores reivindicam mudança na PLR

O Fabiano Rangel, do Sindicato dos trabalhadores em saneamento do norte e noroeste fluminense, envia por e-mail para este blog relatório técnico do DIEESE sobre dados econômicos da empresa Águas do Paraíba no exercício de 2008, a partir do balanço apresentado pela empresa.
O STAECNON argumenta "que, com o Lucro Líquido obtido pela empresa no exercício de 2008 de R$ 5.407.458,00 e tendo destinado a título de Dividendos Distribuídos aos seus acionistas R$ 2.934.272,00 (46,5% do seu Lucro Líquido) seria uma falta de respeito com os seus trabalhadores destinar apenas R$ 115.083,17 (2,13% do seu Lucro Líquido) aos trabalhadores, esse montante representa 40% do salário básico de cada trabalhador."
Frente aos números que apresenta o relatório do DIEESE, detalhados pelo Roberto Moraes em seu blog - leia aqui - o sindicato apresentou contra-proposta onde a empresa pagaria 60% do salário para cada trabalhador, com vencimentos de até R$ 1.200,00, que representa 86 % da categoria. Para os trabalhadores que recebem acima de R$ 1.200,00 seria pago 40% de seus salários, mantendo a proposta oferecida pela empresa nesta faixa salarial. Contudo, as negociações ainda não avançaram.
A situação propicia uma reflexão sobre a privatização dos seviços públicos num momento em que o governo municipal insiste na terceirização de serviços fundamentais à sociedade. Melhor faria o poder concedente se exercesse suas responsabilidades sobre a concessionária, não só para grantir a qualidade do serviço público aqui em destaque, questionável, bem como o exercício da responsabilidade social pela referida empresa.

Dividindo com os pobres

Ao passar pela manhã, na hora do almoço ou no fim da tarde pela Rua do Ouvidor, na quadra do Jardim São Benedito, é possível observar uma movimentação constante de cidadãos excluídos da riqueza que caracteriza essa cidade, sem qualquer acesso a oportunidades de vida digna e à proteção social do Estado. Não chega a ser uma aglomeração, mas eles afluem de forma regular – alguns diariamente, outros eventualmente – às portas do casarão que abrigou o antigo Colégio Santa Inês, hoje Mosteiro das Madres Redentoristas em Campos. Todos encontram ali acolhida para suas carências. Pão para sua fome, remédio para sua doença, ouvidos para suas “confissões” e desabafos, auxílio atencioso em momentos marcantes da vida de qualquer pessoa ou família, com a dignidade que costuma ser negada a parcela significativa de nossa sociedade – me emocionei com um caso de uma senhora pobre a quem as Irmãs possibilitaram a felicidade de se vestir e ornamentar com o esmero adequado às bodas de seu filho.
As irmãs redentoristas, que fizeram voto de clausura, seguem sua missão, como um “sinal profético” do Evangelho cristão, mas não ignoram as mazelas dos homens e de sua instituições. E, para além de sua vida contemplativa e monástica, estendem as mãos para os seus irmãos, compartilhando o fruto de seu trabalho com quem precisa. Prática cotidiana da solidariedade, ou da caridade como preferem alguns. Ou ainda, na singela definição da Madre Superiora, rotina de “dividir com os pobres” o pão e os recursos disponíveis.
Curioso que, na cidade onde religiosos de diversas matizes abençoam gestores que adotam a prática nada republicana de concentrar a riqueza privilegiando clientelas, e onde convênios escusos são firmados entre a municipalidade e instituições ditas “filantrópicas”, as irmãs redentoristas não recebam qualquer apoio da “boa sociedade” ou do poder público em seu visível e louvável trabalho social.
Mas é possível para qualquer um de nós apoiar essa ação social cristã. Além de encaminharem para quem realmente precisa doações de roupas, agasalhos e alimentos que podem ser enviadas ao mosteiro, as ativas, simpáticas e piedosas monjas produzem lindas lembranças e velas para cerimônias de primeira eucaristia de jovens cristãos, bordados e quitutes deliciosos – dentre eles um formidável pastelzinho de abacaxi que encantou o paladar deste articulista – tudo convertido na partilha fraterna do pão.

Artigo publicado na edição de segunda-feira (27/07) da Folha da Manhã.

domingo, 26 de julho de 2009

"Nós Somos uma Cultura Muito Complicada!"

Eduardo Coutinho é um dos maiores cineastas e documentaristas brasileiros. Ele é autor de obras instigantes e perturbadoras como: "Cabra Marcado para Morrer" (1964/1984); "Santo Forte" (1999); "Edifício Master" (2002); "Peões" (2004); e, mais recentemente "Moscou" (2009). Esse brasileiro brilhante, será homenageado pelo Museum of Modern Art (MoMA) em Nova York, com um restrospectiva inédita sobre sua obra. Falando sobre sua arte e dos "motivos" que o movem, Coutinho declara (O Globo 21/07/09): "Meu cinema não é heróico e nem tem heróis. Muitos dizem que eu abandonei a política, que não faço cinema político. Eu sempre odiei cinema militante. 'Cabra' não era um flime militante, era um filme sobre seres humanos, sobre a vida de gente humilde que decide fazer teatro. (...) Essa preocupação com os seres humanos, com a solidão, com as formas de comunicação que são tão difíceis no cotidiano _ para mim, cada vez mais, são as coisas pequenas que interessam." Em outra passagem da entrevista, quando perguntado como os americanos poderiam entender sua obra e o Brasil retratado nele, argumenta: "Eles acham que brasileiro só fala de carnaval e de mulata, de bunda, de samba e violência. E ninguém aguenta mais isso. (...) O Brasil parece ser um páís fácil, mas não existe nada fácil no Brasil! Nós somos uma cultura muito complicada, que pega coisas de todas as culturas e mistura, faz mestiçagem de tudo, e poucos entendem o resultado dessa mistura. (...) O Brasil é um país sem direita: ninguém se diz de direita no Brasil! Então é um país complicado, onde as forças políticas são nebulosas. Mesmo depois da eleição do Lula e de um impressionante movimento operário, que foi o tema de 'Peões', você percebe a quantidade de acordos que precisam ser feitos para governar. O Brasil é um país onde não existe a noção de 'público'. As coisas são privadas ou são estatais, não existe diferença entre estatal e público, público no sentido daquilo que é partilhado por todos, no sentido do bem comum. Isso não existe no Brasil, o que é tremendamente triste."

Canção do dia

Adriana Calcanhoto - Cantada (Depois de ter você)

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O x da questão

Pertinente contribuição ao debate que a professora Luciana apresentou sob a forma de comentário ao post Incomodou (logo abaixo):

"Minha maior dúvida quanto à terceirização da merenda escolar é se este processo visa o atendimento das diretrizes do PNAE (Programa nacional de alimentação escolar) que são as seguintes:
1- o emprego da alimentação saudável e adequada compreendendo o uso de alimentos variados;
2- a aplicação da educação aliemntar e nutricional no processo ensino-aprendizagem;
3- a promoção de ações educativas que perpassem transversalmente o currículo escolar;
4- apoio ao desenvolvimento sustentável, com a aquisição de gêneros alimentícios diversificados preferencialmente produzidos e comercializados em âmbito local.
"


Para mim, parecem incompatíveis tais diretrizes e a terceirização!

ATUALIZADO às 13:25.

sábado, 25 de julho de 2009

Ao menos uma boa notícia...

Adeus Kleber, adeus Kleber...
FOTO: Pedro Chiaverini (SRZD)

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Pensamento do dia, ou melhor, da semana...

Caso de auto-identificação com uma das raras assertivas destas afixadas em vidros de automóveis que não me soaram cretinas - desculpem a falta de modéstia:

"Falar mal de mim é fácil, difícil é ser eu!"

Incomodou

Em represália a ação do SEPE em defesa da moralidade e dos princípios republicanos na questão da terceirização da merenda em Campos, a Exma. Prefeita da cidade fez emitir desde a tarde de ontem expediente de seu gabinete anunciando que o SEPE não representaria os profissionais da educação do município. Agora há pouco a chefe do executivo local se dignou a repetir pessoalmente esta cantilena na rádio Diário FM. Teria dito que coloca o cargo da titular da SMEC à disposição de quem provar que a merenda do Estado custa uma per capita de R$ 0,32. Ora, quem já foi Governadora sabe que é exatamente esse o custo da merenda naquela rede. E ao expor dessa forma sua secretária de educação, sugere que o Xacal deve ter mesmo razão ao identificar uma "fritura" da mesma em "fogo amigo". O absurdo da terceirização da merenda está muito mais na conta da própria prefeita e de seus auxiliares da tecnocracia do que na conta da professora Auxiliadora Freitas. A titular da SMEC deve ter atribuições e prioridades específicas no campo pedagógico antes de se responsabilizar por licitações suspeitas envolvendo merenda. Seria o caso cogitar a própria renúncia, ou a dispensa do Dr. Esquef e do Professor Suledil.
Seu discurso sobre a representatividade do SEPE se baseia em comunicado de um sindicato pelego que há anos disputa a base dos profissionais da educação do município do Rio de Janeiro com o SEPE-RJ.
O que a Prefeita ignora - ou finge ignorar; dada a reconhecida competência de sua procuradoria - é que há sentença proferida há dez anos por Magistrado da comarca local, reconhecendo o SEPE como destinatário legal dos descontos compulsórios nos vencimentos dos profissionais da educação da rede municipal relativos a imposto sindical.
Muito embora nosso sindicato - ainda que desfiliado da CUT - siga a tradição cutista de privilegiar contribuições voluntárias dos sindicalizados e criticar o imposto sindical, a sentença - que se encontra a disposição dos interessados - confirma que, a despeito da opinião do SUSEP (Rio) e da Prefeita, o SEPE Campos é - no entendimento do Judiciário - o legítimo representante da categoria, tendo sido a Prefeitura inclusive instada a recolher o imposto sindical de anos recentes em favor deste sindicato.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Espelhos, reflexos e reflexões.

Difícil imaginar um campista ou mesmo um residente na cidade que não tenha ouvido algum comentário depreciativo sobre os habitantes desta planície. Há insultos de diversas modalidades que enfatizam aspectos de nossas tradições socioeconômicas e até mesmo acusações difusas e aleatórias sobre a honestidade de nossa gente. Não acredito que estas manifestações sejam apenas expressões do bom humor e da gaiatice típica do brasileiro. Um exame nada sistemático e muito menos exaustivo de algumas obras da cultura nacional nos coloca diante de incômodas referências que perpassam o século XX e nos alcançam nos dias atuais. Citemos três:

Em 1925 Manuel Bandeira já escrevia em seu poema “Não sei dançar”os seguintes versos:

“A filha do usineiro de Campos

Olha com repugnância

Para a crioula imoral...

Surge Campos representada por uma elite preconceituosa e arrogante incapaz de entender o Brasil, de pensá-lo e aceitá-lo como uma nação que é formada por seu povo. Segundo Raimundo Faoro é uma elite que vê as camadas populares como um vulcão que deve permanecer eternamente adormecido, a mesma elite que sempre quis ser francesa, inglesa ou norte-americana e que sempre rechaçou a arte e as manifestações populares, quando não reprimindo, articulando sua circunscrição aos subúrbios.

No livro FEBEAPÁ 1 – Festival de besteira que assola o país de 1966, Stanislaw Ponte Preta relata o julgamento simulado de Hitler que teria ocorrido na Faculdade de Direito de Campos no qual o líder alemão acaba absolvido. Novamente Campos é citada como exemplo de reacionarismo e irracionalismo.

Mais recentemente, o filme Bezerra de Menezes, que conta a história do médico dos pobres, exibe em uma determinada cena o discurso do doutor em favor da abolição da escravidão. Intempestivamente suas palavras são interrompidas por uma voz irascível que afirma:

- Em Campos não, em Campos não...

Mais do mesmo, desta vez a cidade é a terra que perpetuou tudo que sempre houve de mais atrasado no Brasil, a terra dos vícios, dos reacionários, do retrocesso, das práticas anti-republicanas e berço mais tranqüilo dos conservadores que teimam em frear a modernização se agarram ao passado e pretendem usar sua força para preservar privilégios.

Não se pretende aqui avaliar as acusações ou mesmo pensar em eventuais defesas. É certo que uma cidade é mais que sua “elite” e que podemos buscar no passado e no presente exemplos de personagens e episódios que se contrapõem a essas imagens estereotipadas que apresentamos. Preocupa-nos mais o impacto sobre a construção das identidades coletivas, pensemos como estas visões negativas da cidade podem ter afetado e estar afetando a nossa autoimagem, lembremos que os recentes escândalos políticos só serviram para reforçar aspectos negativos que se vinculam a nossa memória coletiva. Segundo o sociólogo austríaco Michael Pollak a memória coletiva, social e individualmente construída, é um dos alicerces de nossas identidades. Ou seja, a imagem que fazemos de nós, para nós e para os outros.

Há muito que pesquisar sobre este tema, persistem perguntas sem respostas que reivindicam estudos e reflexões. Afinal, existe uma identidade campista? Como ela se apresenta para os distintos grupos sociais que integram a cidade? Quais os discursos produzidos pelo poder público e pelos intelectuais com o propósito de construir nossa identidade? Nossa proposição é correta? Existe mesmo um complexo de inferioridade provinciano que se hospeda muitas vezes no silêncio diante das provocações de outros citadinos? Precisamos enfrentar o espelho e superar o medo descrito assim pelo escritor argentino Jorge Luís Borges: “Uma de minhas insistentes súplicas a Deus e ao meu anjo da guarda era não sonhar com espelhos. Sei que os vigiava com inquietação. Algumas vezes, receei que começassem a divergir da realidade; outras, ver meu rosto neles desfigurado por adversidades estranhas. Soube que esse temor está, outra vez, prodigiosamente no mundo.”

quarta-feira, 22 de julho de 2009

O Ghost Writer de Cabral

Ontem (terça-feira, 21/07/2009), o atual Governador do Rio de Janeiro surpreendeu a opinião pública fluminense com uma inédita manifestação crítica e enfática sobre um tema de relevância coletiva. No caso em questão, "escreveu" um artigo para O Globo com o título A cobiça do pré-sal. Embora tenha chegado tardiamente a esse debate estratégico para nossa economia (é só lembrarmos a relevância dos royalties e participações especiais no nosso orçamento), a participação do maior mandatário regional deve ser valorizada. De acordo com o texto do Governador, na atual conjuntura de descorberta do gigantesco potencial petrolífero do pré-sal, a "cobiça" dos outros entes federados teria se manifestado de modo ilegítimo. Nas palavras de Cabral: "São argumentos que não resistem a uma rápida reflexão. Devemos apenas pôr fim aos royalties que, eventualmente, algum gestor público tenha utilizado mal? (...) Mudar a regra para o pagamento dos royalties e participação especial para a riqueza do pré-sal consistiria em uma segunda agressão aos estados produtores de petróleo [além da regra do pagamento do ICMS no destino], que causaria uma grave quebra do pacto federativo, pois consistiria em uma verdadeira expropriação das riquezas desses estados e municípios, sem qualquer compensação. (...) Como governador do Estado do Rio de Janeiro, liderarei a luta até o fim das nossas forças contra qualquer tentativa de lesão ao patrimônio do nosso Estado." Contudo, tal manifestação vertical em tom de bravata, perde todo seu vigor quando confrontada com o irredutível posicionamento de Dilma Rousseff, ratificado em tom de reprimenda (O Globo de hoje, 22/07/2009): "As regras do pré-sal serão diferentes, e o correto é esperar a divulgação destas propostas para que possamos discuti-las. O pagamento dos royalties está previsto na Constituição e não há como mudar estas regras, então é cedo para se condenar o modelo. Nada vai mudar com relação aos campos existentes e em exploração, mas o pré-sal vai ser diferente." Para um Governador eleito, mesmo em decadência e com baixa aprovação, deve ser deprimente ser desautorizado publicamente!