sábado, 31 de outubro de 2009
MST: a SS dos trópicos
Há textos que a gente lê e precisa reler para acreditar, para ter certeza que não se confundiu com a interpretação ou coisa semelhante. No jornal O globo de hoje – aqui - o ator Carlos Vereza, ex-militante do Partido Comunista, escreve um artigo tão crítico em relação ao governo Lula que a gente fica pensando se o ator está realmente falando sério ou se aquilo é algum tipo de brincadeira.Vejamos:
1- Lula aparece como um autoritário militarista que não merece ser o Nobel da paz
2- Sua eleição em 2006 esteve articulada com os bandidos do PCC de São Paulo.
3- O MST, bom sobre o movimento dos sem terra é melhor fazer a citação literal:
“Lula, muito antes do ditador Hugo Chávez, organizou com outros objetivos sua tropa de choque, o MST — as SS dos trópicos, financiadas pelo governo federal.
Esses facínoras depredaram o Congresso Nacional, invadem propriedades privadas, cometem assassinatos, sempre sob a leniência do Grande Timoneiro.”
É isso que a oposição tem para dizer? Esse é o nível do debate que querem estabelecer? Foi para escrever isso que o Sr. Carlos Vereza tanto lutou por democracia contra o regime militar? Se este for o tom do debate das eleições presidenciais do ano que vem teremos um show de horror que desperdiçará uma grande oportunidade para qualificar o debate político no país e apresentar os diferentes projetos políticos nacionais.
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
O SINPRO-Campos de volta para os professores(as)!
Este sindicato, infelizmente, vem há anos se afastando da categoria e além de não ter vida orgânica, não promover os interesses da categoria e não se articular com o movimento social local, há dois anos não consegue fechar acordo coletivo com o sindicato patronal. Assim, os professores das escolas particulares de Campos não tiveram reajuste na data-base, ao contrário dos professores do Noroeste e de Macaé, onde os sindicatos locais fecharam acordo com o mesmo SINEPE (patronal) da região. São 12% de reajuste nos dois últimos anos onde o SINPRO-Campos não fechou acordo coletivo! O SAE, sindicato dos funcionários das escolas particulares, também fechou acordo de 6,25% de reajuste em 2009, com o mesmo SINEPE.
Após mais um Dia do professor onde a atual diretoria do SINPRO-Campos não disse a que veio, um conjunto de professores campistas resolveu organizar um movimento para reconstruir nosso sindicato, que um dia já foi representativo e referência de luta para a categoria. Além disso, promovia eventos culturais e pedagógicos que atendiam as expectativas da categoria.
O Movimento de Reconstrução do SINPRO-Campos, do qual faz parte este blogueiro, vai construir uma chapa para disputar a direção do SINPRO, com a proposta de promover o reencontro do sindicato com a luta e as expectativas dos professores campistas. Todos os professores estão convidados a participar desta caminhada e reconstruir conosco nosso sindicato.
O triunfo da vontade
FUTEBOL
Futebol se joga no estádio?
Futebol se joga na praia,
Futebol se joga na rua,
Futebol se joga na alma.
A bola é a mesma: forma sacra
para craques e pernas-de-pau.
Mesma volúpia de chutar
na delirante copa-mundo
ou no árido espaço do morro.
São vôos de estátuas súbitas,
desenhos feéricos, bailados
de pés e troncos entrançados.
Instantes lúdicos: flutua
o jogador, gravado no ar
_afinal, o corpo triunfante
da triste lei da gravidade.
Traíra
Como diz o mestre Bezerra da Silva:
"E malandro é malandro e mané é mané
Podes crer que é
E malandro é malandro e mané é mané
Podes crer que é
Malandro é o cara que sabe das coisas
Malandro é aquele que sabe o que quer
E não se compara com um Zé Mané (...)
Já o Mané ele tem sua meta
Não pode ver nada que ele cagueta
Mané é um homem que moral não tem
Vai pro samba paquera e não ganha ninguém
Está sempre duro é um cara azarado
E também puxa saco pra sobreviver
Mané é um homem desconsiderado
E da vida ele tem muito que aprender"
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
Accountability – II
No artigo anterior procuramos apontar para alguns aspectos do problema da responsabilização dos governos, afirmamos que nas democracias modernas o voto é instrumento clássico de “accountability”, mas infelizmente não é suficiente para garantir aos cidadãos condições satisfatórias de punir e controlar seus representantes. Consideramos ainda, que a saída é apostar em medidas de inovação institucional que permitam aproximar eleitores de eleitos.
Defender esta estratégia não significa adotar uma visão institucionalista que negligencie as relações políticas existentes fora das estruturas institucionais, o antropólogo norte americano Clifford Geertz já alertava na década de setenta para a necessidade de pensar os processos políticos como fenômenos “mais amplos e profundos do que as instituições formais destinadas a regumentá-los”. Sem desconsiderar essa perspectiva teórica acreditamos que existe espaço para discutir e implementar medidas de renovação institucional capazes de alargar os espaços interativos entre os atores políticos ampliando a arena decisória com o objetivo de perseguir o incremento da legitimidade dos detentores do mandato público.
Consideramos que é um risco grave manter a inércia diante dos sinais cada vez mais claros de esgaçamento da relação representante – representado, é obrigação dos primeiros assumirem o desafio de enfrentar este obstáculo à efetiva democratização. Enquanto detentores de mandato eletivo estiverem capturados pela estrita lógica da sobrevivência eleitoral sem desprender energias no sentido de refletir sobre as mudanças necessárias para aprimorar institucionalmente a democracia dificilmente sairemos deste marasmo.
O exemplo de reformas recentes pode servir de ponto de partida para reflexões e debates a cerca do futuro da representação política no Brasil. Refiro-me as reformas realizadas nas últimas décadas pela Assembléia Estadual de Minas Gerais. Desde a década de oitenta a ALEMG realiza uma série de mudanças que apresentaram promissores resultados - a partir de um diagnóstico da grave crise que assolava aquela Casa - seus funcionários iniciaram uma série de debates que culminaram com reformas inovadoras no sentido de ampliar a participação e a transparência dos trabalhos legislativos aproximando a sociedade dos seus representantes.
Uma série de mudanças transformou o perfil dos funcionários da ALEMG: recrutados por concursos, permanentemente treinados e submetidos a um plano de carreira criterioso, integram hoje um corpo de profissionais em condições de subsidiar os trabalhos legislativos com informações que não são produzidas pelo Executivo. Com o objetivo de ampliar a interlocução com a sociedade foram criados os “Seminários Legislativos” que permitem a participação de diversos setores organizados cujas contribuições servem de base para formulação de várias iniciativas legislativas. Paralelamente, graças ao uso da informática, foram introduzidas mudanças que visam estabelecer permanente participação e controle sobre o processo decisório garantindo visibilidade para os trabalhos dos deputados. Por último, ressaltamos a inclusão de novas formas de participação política que deram a qualquer cidadão a oportunidade de valer-se da “proposição de lei” para formular e defender projetos que são submetidos ao plenário da Casa.
Reconhecer tais avanços não significa pretender encontrar na ALEMG um modelo ou mesmo negar problemas relativos a permanência de práticas fisiológicas, Minas Gerais não tem o Legislativo mais democrático do mundo, nos parece coerente dizer que estão no caminho certo mas há longa estrada pela frente. É preciso avaliar com atenção as transformações promovidas a fim de orientar nossas perspectivas de mudanças. Faz todo sentido prestar atenção nas palavras do escritor inglês Samuel Johnson: “O exemplo é sempre mais eficaz que o preceito.”
Artigo publicado no Jornal Monitor Campista
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
Chico D'Angelo na UFF hoje
O Deputado Federal do PT e médico, Chico D’Angelo, estará nesta segunda-feira, 26 de outubro, no Polo da UFF em Campos, para uma palestra sobre as condições da Saúde Pública no Brasil, às 19 horas. Na ocasião o Deputado fará a entrega do ônibus comprado para a UFF Campos com recursos de Emenda Parlamentar do Deputado. O Deputado chegará às 17 horas, quando visitará a área do novo campus; em seguida, às 18 horas, terá uma reunião com os dirigentes da UFF/Campos e, às 19 horas, dará a palestra.
Toda a comunidade campista está convidada a comparecer.
O Deputado Chico D’Angelo teve grande votação em Campos nas últimas eleições e tem sido um aliado e apoiador entusiasta do Projeto de Expansão da UFF em Campos. Ele foi o principal articulador na cessão do terreno da ex-RFFSA para a construção do novo campus da UFF em Campos, num terreno de 22.500m², que abrigará os sete cursos que a UFF oferecerá a partir de 2010. O ônibus obtido com a Emenda Parlamentar possibilitará que os alunos da UFF possam participar de eventos do Movimento Estudantil e de eventos acadêmicos, bem como viabilizará parte importante da formação acadêmica dos alunos, através das visitas e pesquisas de campo, fundamentais em cursos como o Geografia, e outros. Além disso, a Direção da UFF em Campos e o deputado Chico D’Angelo, com a compra do ônibus, buscam atender às demandas dos alunos da UNITI-Universidade da Terceira Idade, da UFF/Campos, para os seus eventos culturais.
Portanto, além de ser brindada com a palestra do brilhante médico e Deputado, a UFF/Campos agradece mais uma vez a parceria de Chico D’Angelo no seu Projeto de Expansão.
domingo, 25 de outubro de 2009
Em defesa da política
- Como o senhor define a ideia de política hoje?
- A ideia tem uma bifurcação: de um lado, a conquista, a conservação e o uso do poder; do outro, a construção de laços de convivência entre as pessoas. Esses dois sentidos têm convivido ao longo do tempo. No mundo moderno, prevalece o conceito de política associado ao poder. Mas ganhamos mais ao entender que nenhuma comunidade pode se estruturar no mundo atual, se não praticar as boas normas da política como construção de espaços coletivos.
- Num momento em que atividade política está tão desacreditada, por que ainda defendê-la?
- Se quisermos trabalhar com esse conceito mais ampliado, defender a política é defender as próprias condições de sobrevivência da sociedade brasileira. Se, por um passe de mágica, eliminarmos a política da nossa existência, não ficaremos apenas livres do Congresso, dos partidos e dos políticos, mas também de tudo o que nos dá condições para interagirmos de maneira organizada. Vale a pena defendê-la porque, quando falamos em Política com P, estamos falando também de honestidade e lisura. Defender a política contra eventuais atos de corrupção é defender a recuperação dessa dimensão da idoneidade, que permanece extremamente importante.
- Apesar de todo o otimismo, o senhor mesmo reconhece que “o quadro geral é de descrença e de desilusão”. No caso concreto brasileiro, quais são as consequências imediatas que o senhor observa a partir da crise, em termos de interesse e participação popular?
- A principal consequência é o aumento da desilusão. Os maus exemplos dos políticos funcionam como uma dose adicional de jato frio nos cidadãos que já não estão muito empenhados na atividade política. No Brasil e no mundo, vemos um retrocesso das pessoas em termos de engajamento político. O cidadão típico do século XXI não é mais o cidadão disposto a sacrificar uma parte de seu tempo para defender causas de interesse comum. Os jovens, por exemplo, estão muito afastados da política prática, não só em termos de engajamento como de interesse pelos fatos políticos, ainda que possam ter preocupações sociais.
- O senhor afirma que o mundo atual fez da política “uma espécie de grife”, e que “ser contra os políticos é hoje um esporte mundial”. Por quê?
- Por onde andamos no Brasil, ouvimos as pessoas falarem mal da política e dos políticos. Ser contra os políticos virou indicador de modernidade, como se todos eles fossem sinônimos de atraso, e a própria política fosse inconveniente para a modernização da sociedade. Na verdade, vislumbramos um processo de muita afirmação da economia de mercado e do trabalho produtivo contra a política.
- Um exercício de imaginação: como seria a sociedade se não houvesse mais a política?
- Seria o que Thomas Hobbes (filósofo inglês do século XVII) chamou de “estado de natureza”. Uma sociedade sem regras e padrões de vida civilizada, na qual prevaleceria a lei do mais forte, de cada um por si e de ninguém por ninguém.
Fonte: A Gazeta (Espírito Santo) & Gramsci e o Brasil, Outubro de 2009.
Obama Bolivariano
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
Accountability - I
Este é um dos conceitos que mais têm atraído atenção dos pesquisadores que se debruçam sobre o tema da democracia, numa tradução literal seria o mesmo que “responsabilidade”, ou seja, trata-se da discussão sobre os meios para tornar governos responsáveis por suas ações, tanto no que se refere a sua legitimidade quanto no que se refere a eficiência de sua ação. O conceito implica em duas dimensões básicas: de um lado refere-se a obrigação dos detentores de mandato público informarem e justificarem e seus atos. De outro lado implica na existência de sanções que garantam perda de poder para quem infringir o interesse público.
O mecanismo central de accountability em ambientes democráticos é o voto, é através dele que manifestamos nossa aprovação ou desaprovação em relação aos eleitos e selecionamos os programas de governo que desejamos ver implementados. No entanto, pesquisadores de distintas matrizes ideológicas e linhas metodológicas têm enfatizado as deficiências do voto como instrumento capaz de oferecer ao cidadão reais condições de responsabilizar os governos por suas iniciativas. Isto porque com um voto o eleitor precisa realizar um julgamento e apostar em uma perspectiva, pois o voto expressa tanto uma avaliação retrospectiva em relação ao desempenho passado do candidato e ou partido e manifesta também, uma expectativa em relação ao desempenho futuro daquele que é selecionado. Além disso, há o problema da informação decorrente da crescente complexificação das decisões de governo tornando várias questões temas de difícil compreensão para maioria. Tais assimetrias de informações vão tornando opacas as ações dos governamentais cujo efeito mais direto é o aumento da dificuldade de controle por parte dos cidadãos e diminuição da legitimidade dos mandatos.
Estudiosos do sistema representativo democrático têm alertado para uma constatação que se tornou consenso entre os pesquisadores: eleições não são instrumentos suficientes para garantir o controle dos governantes pelos cidadãos, seja enquanto mecanismo de seleção de representantes, seja enquanto mecanismo de punição e recompensa da ação dos políticos. Eleições - mesmo quando limpas, democráticas e diretas - não produzem necessariamente governos representativos.
O cientista político norte-americano Douglas Arnold autor do livro The Logic of Congressional Action, estudou as quatro regras básicas de decisão disponíveis para os eleitores selecionarem seus candidatos, suas conclusões são bastante pessimistas e apontam para a constatação de que a eleição é condição necessária, mas não suficiente para garantir accountability.
Não se trata de filigrana teórica ou de beletrismo acadêmico, estamos aludindo a um dos temas mais importantes dos debates e das iniciativas institucionais que visam aperfeiçoar a democracia no sentido de buscar uma relação entre representados e representantes na qual os segundos sejam responsivos aos interesses dos primeiros e estes, por sua vez, possuam instrumentos efetivos e institucionalizados de controle público do exercício do poder.
Manter o sistema representativo neste marasmo institucional só irá reforçar o distanciamento entre representantes e representados que têm sido preenchidos por emendas altamente custosas para democracia. Alguns apostam nas recompensas materiais para o voto, outros mobilizam apelos religiosos, a quem prefira apostar em atributos pessoais como visibilidade pública e apelos emocionais. Perde a política. A saída é mais política, é apostar em medidas de criatividade institucional que sejam capazes de realizar mudanças concretas na relação representante – representado para que os cidadãos percebam seus votos como instrumentos reais de mudanças. É preciso ouvir os conselhos do revolucionário francês Danton: “audácia, mais audácia, sempre audácia”.
Artigo publicado no Jornal Monitor Campista
Emir Sader: os verdadeiros fracassomaníacos
O professor Emir Sader, nas barricadas de resistência de seu blog, usa o "veneno" tucano contra eles mesmos:
Fracassomaníacos
A invenção se deve às ironias com que FHC tentava desqualificar o debate. Conhecedor que era, se dedicou a essa prática, alimentada pelo despeito, o rancor e a inveja de ver seu sucessor se dar muito melhor do que ele. E os tucanos se tornaram os arautos da fracassomania, porque o governo Lula não poderia dar certo. Senão, seria a prova da incompetência, dos que se julgavam o mais competentes.
Lula fracassaria porque não contaria com a expertise (expressão bem tucana) de gente como Pedro Malan, Celso Lafer, Paulo Renato, José Serra, os irmãos Mendonça de Barros, entre tantos outros tucanos. O governo Lula não poderia dar certo, senão a pessoa mais qualificada para dirigir o Brasil – na ótica tucana -, FHC se mostraria muito menos capaz que um operário nordestino.
Por isso o governo Lula teria que fracassar economicamente, com a inflação descontrolada, a fuga de capitais estrangeiros, o “risco Brasil” despencando, a estagnação herdada de FHC prolongada e aprofundada, o descontentamento social se alastrando, as divergências internas ao PT dividindo profundamente ao partido, o governo se isolando social e politicamente no plano interno, além do plano internacional.
A imprensa se encarregou de propagar o fracasso do governo Lula. Ricardo Noblat, apresentando o livro de uma jornalista global, afirmava expressamente, de forma coerente com o livreco de ocasião, que “o governo Lula acabou” (sic). A crise de 2005 do governo era seu funeral, os urubus da mídia privada salivavam na expectativa de voltarem a eleger um dos seus para se reapropriarem do Estado brasileiro.
FHC gritava, no ultimo comício do candidato do seu partido, que havia relegado seu governo, com a camisa para fora da calça, suado, desesperado, “Lula, você morreu”, refletindo seus desejos, em contraposição com a realidade, que viu Lula se reeleger, sob o cadáver político e moral de FHC.
Ter que conviver com o sucesso popular, econômico, social e internacional do governo Lula é insuportável para os fracassomaníacos. Usam todo o tempo de rádio, televisão e internet, todo o espaço de jornal para atacar o governo, e só conseguem 5% de rejeição ao governo, com 80% de apoio. Um resultado penoso, qualquer gerente eficiente mandaria a todos os empregados das empresas midiáticas embora, por baixíssima produtividade.
Como disse, desesperadamente, FHC a Aécio, tentando culpá-lo por uma nova derrota no ano que vem: “Se perdermos, são 16 anos fora do governo...” Terminaria definitivamente uma geração de políticos direitistas, entre eles Tasso, FHC, Serra - os queridinhos do grande empresariado e da mídia mercantil.
"Demodé"?
Isso mesmo. Como dissemos aqui na segunda-feira, enquanto na França o governo estuda liberar 1,4 bilhões de euros como auxílio econômico para os fazendeiros que tiveram prejuízos com a crise mundial, aqui a oposição reacionária quer questionar e "investigar" o repasse de cerca de 160 milhões de reais para ONGs ligadas à agricultura familiar, ao longo de seis anos!
E o Deputado Caiado (DEM-GO) - aquele mesmo que sonhava em ser Presidente em 1989 cavalgando um equino de raça que segundo o também candidato LULA custaria bem mais que todos os gastos da sua campanha - ainda criticou a contestação do colega Ivan Valente (PSol-SP) à despropositada CPI tentando classificar o discurso do parlamentar paulista como "demodé".
Ora senhor latifundiário, olhe para França! Lá está a "modernidade", dura modernidade onde os - pequenos - proprietários rurais tem de assumir postura militante para se proteger da dinâmica perversa do mercado capitalista. Por aqui, permanece o arcaísmo conservador dos pseudomodernos latifundiários do "agro-negócio". Algo tão demodé que remonta o status dos donatários e sesmeiros do século XVI. Assim como naquela época, os "modernos" latifundiários de hoje, os Caiado, Maggi, Abreu e outros tantos - muitas vezes o sobrenome remonta uma linhagem de coronéis - querem dispor das benesses do Estado para explorar bóias-frias, obter subsídios e concentrar patrimônio. Mas não admitem qualquer apoio ao movimento social.
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
Bateu, levou!
Em uma matéria foi apresentado um convite impresso sob a responsabilidade do São Paulo, apresentando uma promoção onde será distribuida aos convidados a assistir o jogo de logo mais entre Palmeiras X Santo André uma "porção de linguiça calabresa de porco" (sic).
Frente o questionamento do repórter Luís Ceará sobre a pertinência da repercussão na imprensa de "brincadeiras" e provocações dessa natureza, Datena começou polido, disse que isso fazia parte da promoção dos jogos e do campeonato e então, subitamente, disparou: "Quanto a preferência de carnes, eu prefiro comer veado!"
Frente às gargalhadas de Neto e Godói e o sorriso incontido de Fan arrematou: "Caça de veado!"
Ah sim!
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Mais ameaçadores?
Pois esta cena se materializou na última sexta-feira. Milhares de agricultores franceses encheram de feno uma das principais vias públicas da Cidade Luz e ocuparam com 7 mil tratores o centro daquela cidade. Concentraram-se em frente a um restaurante frequentado pelo Presidente francês portando milhares de cartazes onde se lia Sarkozy! L’Agriculture doit-elle payer ce prix? Eles reivindicam um pacote de vantagens fiscais e auxilio financeiro direto para compensar as perdas de até 15% na receita que tiveram esse ano, devido à boa safra – consequencia direta da esquizofrenia capitalista.
Não foi propriamente uma novidade na Europa, onde há quase uma década Bové já liderou a depredação de uma lanchonete Mac’Donalds. No último dia 05, em frente à União Européia, em Bruxelas, produtores de leite belgas também protestaram contra a queda no preço do produto. A manifestação, apesar de pacífica, promoveu um “banho de leite” nos policiais – sobre os quais também foi lançada palha – e houve até um irreverente bundale-lê.
Todas estas manifestações tiveram uma cobertura discreta, mas respeitosa, por parte do PIG – o Partido da Imprensa Golpista – brasileiro. Não se ouviu contra os agricultores europeus os adjetivos preconceituosos que costumam classificar trabalhadores rurais sem-terra brasileiros. Nem seus atos foram considerados excessos, talvez por se tratarem de fazendeiros, ainda que pequenos proprietários. Há no PIG uma deferência de classe que permite a Alexandre Garcia afirmar que não são relevantes os fortes indícios de grilagem de terras públicas por parte da empresa Cutrale.
Enquanto isso, em Pindorama, a bancada da elite "ruralista" no Congresso, com postura que aparenta nenhuma identidade com os fazendeiros europeus – o que, aliás, é fato – articula uma CPI para criminalizar os movimentos sociais no campo. Com o aplauso do PIG!
Enquanto os pequenos agricultores franceses reivindicam emergencialmente ao governo daquele país 1,4 bilhão de euros (US$ 2,1 bilhões) em ajuda econômica em função dos seus prejuízos, aqui se pretende criar uma CPI para investigar o repasse de cerca de R$ 160 milhões da União a ONGs que atuam na agricultura familiar - supostamente ligadas ao MST - ao longo dos últimos seis anos. A imprensa, a bancada de empresários do agro-negócio e o ex-pefelista que responde pelo Ministério da Agricultura já tem um veredito a priori para o que, dissimuladamente, dizem querer investigar na tal CPI. Os nossos ativistas são mais ameaçadores que os deles?
Adaptação de artigo publicado na edição de hoje da Folha da Manhã.
Pet na Copa
Veja abaixo reprodução do sítio Blic Online e clique aqui para conferir mais no globoesporte.com
Do tempo de Dondon
Antes que eu me esqueça. Ainda bem que dediquei o sábado para saldar uma "dívida" e cultivar laços de família, revendo um parente querido que atualmente reside em município vizinho.Além da felicidade do encontro e da oportunidade - ainda que tardia - de conhecer minha mais nova "sobrinha", escapei da tragédia do Arizão naquela tarde.
Esse blogueiro é do tempo em que se o falecido empresário Artur Sendas enviasse uma equipe para jogar aqui, teria no máximo como adversários combinados dos funcionários do Farturão, do Floresta ou das Casas Nunes - possivelmente antes de algum churrasco para comemorar a data de hoje!
Não venham me chamar de rabugento, mas não dá para perder prum time de mercado, muito menos duas vezes seguidas e dentro de casa... Sofrendo gol aos 89'! Tenha santa paciência!
Valeu a viagem?
Menos de 2% dos filiados no município acompanharam a exposição das propostas de três dos candidatos à presidência do PT-RJ - Lourival Casula, Tafarel e Luis Sérgio.
Em que pese a saudável e democrática oportunidade do encontro, considerando que a maioria dos presentes já chjegaram ao auditório do Sindipetro-NF com candidato definido ou com simpatia por um deles - inclusive pelos ausentes Bismark Alcântara e Waldek Carneiro - fico a me perguntar: que lucro tiveram os candidatos presentes ao cumprir a agenda prevista pelo regulamento do PED?
Ao meu lado, estava um velho amigo. Talvez o único filiado ali sem candidato definido. Além de tentar cabalar mais uma vez seu voto para a presidência do DM, brinquei com ele: "Seu voto deve ser o mais disputado aqui!"
Mais tarde, nos falamos por telefone e não resisti a curiosidade: "Definiu seu voto?" E ele: "Não."
Entre risos concluí: "Acho que esse debate não serviu pra muita coisa!"
Pet na Copa!
A manchete ao lado destaca a euforia sérvia com a classificação à Copa de 2010.Agora cá entre nós, se eles vissem o desempenho do gringo pelo Fla ontem contra o virtual campeão brasileiro em pleno Parque Antártica, acho que iam se animar com nossa campanha. Alô Mr. Radomir Antic! Melhor se ligar nos jogos do Mengão!