terça-feira, 21 de julho de 2009

A Hipótese Comunista

Em seu último artigo publicado no Brasil (A Hipótese Comunista: Começar do Começo. Piauí nº 34 _ Julho 2009), o instigante e renovador filósofo esloveno Slavoj Zizek argumenta que a perversidade ideológica do consenso pós-moderno sobre o capitalismo redunda em que: "O capitalismo liberal-democrata é aceito como a fórmula finalmente encontrada da melhor sociedade possível. Tudo que se pode fazer é torná-lo mais justo, tolerante e por aí afora." Contra essa resignação fatalista, Zizek afirma ser imperativo insistir na Hipótese Comunista: "Não basta permanecer fiel à hipótese comunista: é preciso localizar na realidade histórica antagonismos que transformem o comunismo numa urgência prática. A única questão verdadeira dos dias de hoje é a seguinte: será que o capitalismo global contém antagonismos suficientemente fortes para impedir a sua reprodução infinita?" Como resposta ele enumera quatro antagonismos limítrofes para a humanidade atual: a ameaça de catástrofe ecológica; a inadequação da propriedade privada (especialmente a propriedade intelectual) num ambiente de socialização mundial do capital cognitivo; o risco de manipulação do patrimônio genético da espécie humana; e principalmente, as novas formas de exclusão e segregação social. "O que todas essas lutas têm em comum é a consciência do potencial destruidor se a lógica capitalista levar à apropriação daquilo que é comum a todos, daquilo que é público." (...) "Nessa série de quatro antagonismos, o crucial é o que se dá entre os incluídos e os excluídos: sem ele, todos os demais perdem o gume subversivo. A ecologia se transforma num problema de desenvolvimento sustentável; a propriedade intelectual, num complexo desafio para as leis; a engenharia genética, numa questão de ordem moral." Ao re-afirmar o potencial emancipatório do antagonismo social (agora em escala global), Zizek presta uma homenagem ao ativismo implacável de Lênin: "Os comunistas que não têm ilusões, que não se entregam ao desânimo e preservam sua força e flexibilidade para 'começar de novo' repetidas vezes, para dar conta de uma tarefa extremamente difícil, não estão perdidos (e muito provavelmente não haverão de perecer)."

Um comentário:

Flávio Mussa Tavares disse...

Fábio, creio que estudos que demonstram que o desenvolvimento sustentável faz de Cuba o país mais viável, até o momento , em termos de possiblidades para um futuro próximo, é a vertente mais necessária aos que , como nós, almejam um socialismo real para a humanidade.